CULTURA Segunda-feira, 14 de Agosto de 2023, 16:33 - A | A

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KUARUP

Cerimônia sagrada dos povos indígenas é realizada no Xingu

Da assessoria

Divulgação

kuarup

 

 

Uma das mais antigas e simbólicas tradições dos povos indígenas do Parque Nacional do Xingu, o Kuarup está sendo realizado em cinco territórios delimitados nos municípios de Gaúcha do Norte e Querência, com recursos da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). O ritual fúnebre e sagrado, que ocorre neste mês de agosto e setembro, homenageia os familiares perdidos e encerra o período de luto das etnias.

“O Kuarup hoje se configura como uma das maiores manifestações das populações indígenas do Brasil, e é realizado no Xingu, território de Mato Grosso. Para nós, do Governo do Estado, garantir a preservação e a manutenção dessa importante prática cultural é cumprir nossa missão, pois estamos fortalecendo nossa cultura, nossas tradições e nossas identidades”, destacou o secretário adjunto de Cultura, Jan Moura.

Neste mês, as cerimônias são realizadas todos os finais de semana em aldeias localizadas em Gaúcha do Norte e Querência. Neste sábado (12) e domingo (13), ocorreu na Aldeia Ipatse Kuikuro e, nos próximos finais de semana, nas aldeias Nafukua, Kamayura e Yawalapiti. No último final de semana, o ritual aconteceu na Aldeia Aweti.

A cerimônia é aberta apenas para populações indígenas e representantes de instituições convidadas.

O Kuarup ocorre sempre um ano após a morte de parentes indígenas, que são representados por troncos de madeira ornamentados e colocados no centro das aldeias. São dois dias de celebração, sendo que, no primeiro, são feitas as pinturas dos troncos e dos familiares em luto, e recepcionados convidados de outras etnias.

O ritual é marcado por danças, música, canto sagrado e orações.

No segundo dia, há uma luta tradicional entre os guerreiros, que estão se preparando desde a noite anterior. Ao final, os ornamentos são retirados dos troncos e entregues às famílias em luto. As toras de madeira são atiradas ao rio, simbolizando a libertação da alma dos mortos.

A tradição inclui o ritual de iniciação das meninas moças. Elas ficam reclusas por um ano, e aparecem com franjas de cabelo que cobrem o rosto. São direcionadas aos chefes das aldeias e oferecem alimentos a eles. As franjas são cortadas, e a partir desse momento elas estão prontas para o matrimônio.

Ao final da cerimônia, os indígenas oferecem peixes aos convidados em um momento de agradecimento e união.



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