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INFRAESTRUTURA

Rota Agro Central que liga Cuiabá a Vilhena terá R$ 6,1 bilhões em obras

Mauro Camargo

Infográfico produzido com IA

ROTA AGRO CENTRAL

 

Um dos principais corredores rodoviários de ligação do oeste de Mato Grosso com Rondônia entrará em concessão por 30 anos, com previsão de R$ 6,13 bilhões em investimentos e intervenções ao longo de 887,6 quilômetros entre Cuiabá e Vilhena.

O edital da Rota Agro Central, publicado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, reúne trechos das BRs 070, 174 e 364 e estabelece leilão para 17 de dezembro, na B3, em São Paulo.

O projeto alcança um corredor estratégico para o transporte de grãos, carnes, insumos e demais cargas produzidas no oeste mato-grossense. A concessão também deverá alterar a infraestrutura utilizada diariamente pelas populações de municípios como Cáceres, Pontes e Lacerda, Comodoro e Vilhena.

O programa prevê 22,8 quilômetros de duplicações, 129 quilômetros de faixas adicionais, oito passarelas, 94 pontos de ônibus e 12,37 quilômetros de vias marginais, além de recuperação, manutenção e modernização da rodovia.

De Cuiabá à divisa com Rondônia

A Rota Agro Central começa na região de Cuiabá e Várzea Grande e segue pela BR-070 até Cáceres.

De Cáceres, o corredor passa a utilizar a BR-174 em direção a Comodoro. A ligação prossegue até a BR-364 e alcança a região de Sapezal antes de seguir para a divisa entre Mato Grosso e Rondônia.

Em território rondoniense, a concessão continua pela BR-364 até o entroncamento com a BR-435, em Vilhena.

São 887,6 quilômetros sob responsabilidade da futura concessionária.

O contrato compreenderá recuperação, manutenção, conservação, operação e monitoramento das rodovias, implantação de melhorias e ampliação da capacidade.

Onde estarão as obras

O programa não prevê simplesmente a manutenção da pista existente.

As intervenções incluem 22,8 quilômetros de duplicação e 129 quilômetros de faixas adicionais, destinadas principalmente a ampliar a capacidade e reduzir conflitos entre veículos de passeio e caminhões em segmentos de maior movimento ou dificuldade de ultrapassagem.

Também estão previstos 41,8 quilômetros de intervenções em travessias urbanas. Somente em Vilhena serão 9,1 quilômetros.

O projeto inclui ainda oito passarelas para pedestres, 94 paradas de ônibus e 12,37 quilômetros de vias marginais.

Parte das ampliações foi objeto de revisão pelo Tribunal de Contas da União antes da publicação do edital.

Ao analisar a modelagem, o TCU determinou que 33,9 quilômetros de terceiras faixas fossem mantidos como obras obrigatórias: 13,4 quilômetros previstos para o sétimo ano da concessão e outros 20,5 quilômetros para o oitavo.

Outras ampliações poderão depender do volume de tráfego efetivamente registrado.

Ferrovias mudaram o projeto

Essa diferenciação entre obras obrigatórias e ampliações condicionadas ao movimento das rodovias está diretamente relacionada à transformação da matriz logística do Centro-Oeste.

O TCU examinou os efeitos que a expansão ferroviária poderá produzir sobre o tráfego de caminhões na Rota Agro Central.

Projetos como a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), Ferrogrão, expansão da Malha Norte da Rumo e Ferrovia Norte-Sul podem retirar parte das cargas hoje transportadas pelas rodovias.

O problema para a modelagem da concessão é temporal: há perspectivas de expansão da rede ferroviária, mas incerteza sobre quando cada projeto estará efetivamente em operação e quanto tráfego rodoviário será transferido aos trilhos.

A solução adotada mantém um conjunto de investimentos obrigatórios e condiciona outras ampliações ao crescimento real do movimento.

A concessionária não poderá simplesmente deixar de executar as obras previstas no Programa de Exploração da Rodovia. O contrato estabelece mecanismos de controle e garantias financeiras para o caso de descumprimento.

R$ 10,4 bilhões entre obras e operação

Os R$ 6,13 bilhões correspondem ao investimento previsto em obras e ampliação da capacidade — o chamado Capex.

Além desse montante, a concessão estima aproximadamente R$ 4,3 bilhões em despesas de operação e manutenção ao longo dos 30 anos.

Somados, investimentos e custos operacionais superam R$ 10 bilhões durante a vigência contratual.

A ANTT estima receita tarifária total de R$ 23,4 bilhões ao longo do período.

A modelagem divulgada pela agência utiliza tarifa quilométrica de referência, em valores de janeiro de 2025, de R$ 0,1577 por quilômetro em pista simples e R$ 0,2050 em pista dupla.

Isso não significa que cada motorista pagará esses valores multiplicados automaticamente pelos 887,6 quilômetros. A cobrança dependerá dos segmentos percorridos, da configuração dos pontos de cobrança, dos reajustes previstos contratualmente e do resultado do leilão.

Pedágio terá cobrança eletrônica

A concessão está estruturada para adoção do sistema free flow, no qual a cobrança pode ser realizada por pórticos eletrônicos sem necessidade de parada em praças físicas.

O modelo identifica eletronicamente o veículo e permite cobrança proporcional à utilização da rodovia nos trechos submetidos ao sistema.

O contrato também prevê Desconto de Usuário Frequente, mecanismo destinado a reduzir progressivamente o valor pago por motoristas que percorrem repetidamente determinado trecho.

O critério de julgamento do leilão considera o menor valor da tarifa de pedágio, combinado, nas condições estabelecidas pelo edital, com o maior valor de outorga.

Atendimento 24 horas

A mudança será também operacional.

A futura concessionária deverá manter estrutura permanente de atendimento médico de emergência, socorro mecânico, inspeção de tráfego e combate a incêndios 24 horas por dia.

Esses serviços passarão a integrar a obrigação contratual da empresa durante a concessão, juntamente com conservação da pista, sinalização, monitoramento e atendimento aos usuários.

A ANTT estima que a concessão possa gerar 55.202 empregos, considerando postos diretos, indiretos e efeito-renda durante o período de implantação e operação.

Leilão em dezembro

As empresas interessadas deverão apresentar propostas econômicas e garantias em 14 de dezembro. O leilão será realizado três dias depois, em 17 de dezembro, às 10 horas, na B3.

A vencedora assumirá um contrato de 30 anos.

Antes disso, pedidos de esclarecimento sobre o edital poderão ser apresentados à ANTT até 7 de outubro. A comissão responsável pela concessão deverá publicar as respostas até 4 de novembro.

 

Nota de Transparência

Esta reportagem foi elaborada a partir do Edital de Concessão ANTT nº 2/2026, da Deliberação ANTT nº 263/2026, das informações técnicas do projeto CN3/Rota Agro Central e da decisão do Tribunal de Contas da União que autorizou o prosseguimento da concessão com ajustes. Valores, extensões e obras correspondem aos documentos oficiais disponíveis nesta terça-feira, 8 de setembro.

Fontes consultadas: Edital de Concessão ANTT nº 2/2026; Deliberação ANTT nº 263/2026; ANTT — dados técnicos e obras da Rota Agro Central; ANTT — anúncio do edital e investimentos; TCU — análise da concessão da Rota Agro Central.



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