Prometendo anunciar medidas mais rígidas nesta terça-feira (23) para tentar controlar a taxa de infecção pelo coronavírus, o governo de Mato Grosso pode decretar novamente o lockdown. O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou que o estado vive um colapso, que pode ficar ainda pior mesmo com a ampliação de leitos.
A rapidez na disseminação do vírus, além da presença de uma nova variante, fez com que a taxa de transmissão da Covid-19 aumentasse 30% nas últimas semanas. Isso fez com que houvesse uma necessidade maior de ocupação de leitos, tanto de unidades de terapia intensiva, quanto de enfermarias. Desta maneira, até domingo a taxa de ocupação de UTIs estava em 98,89% e das enfermarias em 68%.
“Estamos vivendo o colapso e que pode ficar ainda pior, mesmo com todos os leitos que já foram abertos desde o início da pandemia em 2020. As medidas devem ser mais rígidas, mas para que de fato tenham o efeito esperado, é preciso diminuir o contágio e isso só ocorre com o distanciamento social”, afirmou o secretário de Saúde.
Os dados da Secretaria de Estado de Saúde mostram que ainda há forte resistência da adesão ao distanciamento social em Mato Grosso. No último final de semana, apenas 36,87% da população aderiram ao isolamento, sendo o 2º pior estado do ranking. Conforme os estudos mais recentes da comunidade internacional, o distanciamento social pode reduzir de 29% a 64% a taxa de transmissão do vírus.
“Temos uma média de 726 novos casos por dia e por isso o distanciamento social é muito importante. Em Mato Grosso, o índice de distanciamento é de apenas 36,9%. Precisamos que seja mais efetivo, porque do contrário, não teremos condições estruturais, nem pessoal especializado para tratar tantas pessoas que virão a necessitar das UTIs”, alertou o secretário.
Nesta segunda-feira (22), o Estado tem 189 pacientes da Covid-19 a espera de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Mato Grosso tem 535 leitos de UTI distribuídos em todas as regiões do Estado, tanto em hospitais regionais e contratos com hospitais particulares, como por meio de parcerias com municípios e unidades filantrópicas exclusivas para o tratamento da Covid-19.
O governo ainda trabalha na abertura de mais leitos de UTI próprios e com os municípios, além de 500 leitos de enfermaria e 150, para home care de retaguarda, mas que estão perto do limite, pois não há mais profissionais disponíveis, já que todo o país está colapsado.
Além da ponderação feita pelo secretário de saúde, o governo do estado repercutiu por meio da Secretaria de Comunicação a carta assinada por mais de 300 especialistas da área econômica na qual defendem distanciamento social mais rígido para superar a pandemia com maior eficácia e, assim, retomar o crescimento econômico e a geração de empregos. Uma das condicionantes para lockdown, conforme ponderaram os especialistas, era a criação de auxílio financeiro aos mais vulneráveis para aumentar a adesão ao distanciamento, bem como apoio a pequenas e médias empresas.
Nesta segunda-feira, a Assembleia Legislativa aprovou o Ser Família Emergencial, que garante auxílio de R$ 150 a mais de 100 mil famílias para a compra de alimentos, além da distribuição massiva de cestas básicas. Também foram prorrogados impostos e estão sendo concedidas linhas de créditos para MEI, micro, pequenas empresas, e setores de bares, restaurantes e eventos. Pagamentos de IPVA e licenciamento foram igualmente prorrogados.
Durante todo o final de semana e nesta segunda, o governo do estado travou diálogo com os diversos setores de Mato Grosso para encontrar uma saída para o caos que se instalou em razão da Covid-19.
Além disso, o toque de recolher às 21 horas e a limitação de funcionamento do comércio até às 19 horas adotado pelo governo do estado não surtiu os efeitos desejados. Mesmo com as restrições, várias aglomerações foram encerradas pela polícia nas mais diversas cidades de Mato Grosso. No final de semana, a Secretaria de Ordem Pública em Cuiabá colocou fim a uma festa com mais de 200 pessoas.






