#PAPO COM ELA Quinta-feira, 21 de Maio de 2026, 05:03 - A | A

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TEMPO SE ESVAI

Vida no piloto automático afasta pessoas de relações profundas

Michely Figueiredo

A sensação de que o tempo passa cada vez mais rápido não está relacionada à falta de horas no dia, mas à ausência de presença e profundidade nas experiências vividas. A avaliação é do diretor da Nova Acrópole, Vinícius Negrão, que aponta o imediatismo, o excesso de estímulos digitais e a superficialidade das relações como fatores centrais para o esgotamento emocional contemporâneo.

Em entrevista ao programa Papo com Ela, Vinícius afirmou que, apesar dos avanços tecnológicos terem otimizado tarefas do cotidiano, as pessoas perderam qualidade na forma como vivem o próprio tempo. “Hoje temos mais recursos, mais praticidade e até maior expectativa de vida, mas menos presença. A vida está sendo vivida de forma muito superficial”, afirmou.

Segundo ele, grande parte das pessoas vive mentalmente presa entre preocupações com o futuro e lembranças do passado, deixando de experimentar plenamente o presente. “A vida só acontece agora. Quando não estamos presentes, não desfrutamos os momentos e também deixamos de aprender com eles”, destacou.

Para Vinícius, as redes sociais potencializam a sensação de aceleração da vida ao estimular um consumo rápido e contínuo de conteúdos superficiais.

“São informações muito rápidas, pensadas para gerar reações imediatas, mas sem profundidade e sem assimilação”, explicou.

O filósofo relata que esse comportamento impacta inclusive a capacidade de concentração e reflexão das pessoas. Para ele, atividades que exigem atenção prolongada como ler um livro, assistir a uma entrevista extensa ou refletir sobre ideias complexas têm se tornado cada vez mais difíceis. “Hoje existe uma dificuldade enorme de manter atenção e paciência para aprofundar um pensamento”.

Além disso, o diretor da Nova Acrópole alerta para os impactos nas relações humanas, que se tornam cada vez mais frágeis e superficiais. “A gente criou uma ilusão de conexão. Curtidas e mensagens rápidas não substituem convivência, escuta e presença verdadeira”, afirmou.

Cultura do imediatismo afeta decisões e bem-estar

Durante a entrevista, Vinícius Negrão também relacionou o comportamento automático à cultura do imediatismo presente na política, no marketing e no consumo. Segundo ele, a busca por soluções rápidas para problemas complexos tem reduzido a capacidade de reflexão da sociedade.

“As pessoas querem respostas instantâneas para tudo. Só que problemas humanos profundos não se resolvem com fórmulas simples”, afirmou.

O diretor da Nova Acrópole explica que viver no piloto automático também compromete a qualidade das decisões cotidianas, já que muitas escolhas passam a ser feitas de forma impulsiva, guiadas por medo, ansiedade ou desejo imediato. “Quando a pessoa não está consciente do que vive, ela se torna apenas reativa”, disse.

Outro ponto abordado foi o impacto do materialismo na construção da felicidade. Para Vinícius, a sociedade tem associado realização pessoal ao consumo, ao status e à validação social. “As pessoas passam anos perseguindo objetivos que muitas vezes nem escolheram conscientemente”, afirmou.

Segundo ele, o ser humano necessita de uma dimensão mais profunda da existência, ligada a valores humanos, ética, espiritualidade e sentido de vida. “O ser humano não se realiza apenas sobrevivendo ou consumindo. Existe uma necessidade humana de propósito, profundidade e conexão”, explicou.

Reflexão, presença e mudança

Como forma de romper com o piloto automático, Vinícius defende a necessidade de pausas conscientes para reavaliar prioridades, escolhas e valores pessoais.

“É preciso parar e refletir se a vida que estamos vivendo realmente faz sentido para nós ou se estamos apenas reproduzindo modelos impostos socialmente”, afirmou.

Ele também destacou conceitos da filosofia estoica, que diferenciam aquilo que pode ser controlado daquilo que foge ao controle humano. “O que depende de nós, nossas atitudes, escolhas e reações, precisa ser assumido com responsabilidade. Isso devolve autonomia e consciência sobre a própria vida”.

Assista à entrevista na íntegra:



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