O economista Vivaldo Lopes lança na próxima segunda-feira (2) o livro “A Economia Contemporânea de Mato Grosso”, publicação que analisa o crescimento da economia de Mato Grosso nas últimas décadas e projeta o avanço da agroindustrialização como principal motor do estado nos próximos 45 anos. A obra foi tema de entrevista concedida por Lopes à jornalista Michely Figueiredo, no Jornal da Cultura (Rádio Cultura FM 90.7), nesta quinta‑feira.
O livro, organizado por Lopes, reúne onze especialistas que responderam a três perguntas centrais: por que Mato Grosso cresceu tanto desde 1979, qual o tamanho atual da economia estadual e qual será o ritmo de crescimento nas próximas décadas. “Cada profissional interpretou sua área com independência, trazendo uma visão aprofundada sobre os desafios e potencialidades do estado”, explicou.
Entre os pesquisadores, estão nomes reconhecidos em suas áreas: Fernando Tadeu, com análise histórica desde 1719; Vinícius de Carvalho, sobre arranjos políticos; Guilherme Mueller e Ricardo Capistrano, sobre equilíbrio fiscal; e Victor Galesso, sobre comércio exterior e a força das exportações de Mato Grosso. O agronegócio, pilar do desenvolvimento local, foi tratado por Juan Bolsoni, enquanto Silvio Rangel e Vanessa Garche abordaram o avanço da indústria mato‑grossense.
Durante a entrevista, Lopes afirmou que, após décadas de expansão baseada no agronegócio, o novo ciclo de crescimento será impulsionado pela industrialização, especialmente pela agroindústria. “É como um jato que já decolou com uma turbina potente. Agora acionamos a segunda turbina: a indústria”, disse. Segundo ele, Mato Grosso está entrando em um período de industrialização acelerada, que sustentará o desenvolvimento no longo prazo.
Ao comentar a reforma tributária, Lopes se mostrou otimista com o novo modelo, que substituirá o ICMS e simplificará o sistema de impostos. Segundo ele, o atual sistema “é um dos piores do mundo”, e o modelo baseado em tributação no destino — já adotado por EUA, Europa e Coreia do Sul — trará eficiência, redução de custos e estímulo à economia. “Se a economia cresce, a arrecadação cresce. É simples assim”, afirmou.
Lopes explicou que os incentivos fiscais estaduais deixarão de existir após a transição, mas que isso igualará a competitividade entre os estados. Ele lembrou que Mato Grosso renuncia hoje cerca de R$ 15 bilhões por ano e que a reforma fará parte desse valor retornar ao tesouro estadual. As empresas terão até 2033 para se adaptar.
O economista destacou ainda que a agroindustrialização não freia o agronegócio, mas o impulsiona. Como exemplo, citou o salto na produção de milho: de 12 milhões de toneladas em 2015 para 52 milhões em 2025, estimulado pela instalação de 15 usinas de etanol de milho no estado. “É uma onda irreversível, e quem tentar barrar será atropelado pela dinâmica econômica”, disse.
A Lei Kandir também foi tema da entrevista. Lopes afirmou que a lei continuará vigente e continuará estimulando exportações de Mato Grosso, que saltaram de menos de US$ 1 bilhão em 1996 para US$ 32 bilhões em 2025. Ele criticou, porém, a falta de compensação aos estados pela perda de arrecadação: “Prometeram devolver e nunca devolveram. Foi um calote de todos os governos.”
O lançamento do livro ocorrerá às 19h, no auditório da Fiemt, na Avenida do CPA. A obra, financiada pela Assembleia Legislativa por meio de emenda do deputado Tiago Silva, terá distribuição gratuita, com tiragem limitada a 2 mil exemplares. Todos os autores estarão presentes para autógrafos.




