Onde, afinal, Cuba ameaça os Estados Unidos? É preciso uma dose cavalar de cinismo para sustentar que uma ilha caribenha, imersa em dificuldades econômicas estruturais e sem qualquer poderio militar ofensivo, represente um risco à segurança nacional da maior potência bélica do planeta. Essa justificativa, fabricada no Salão Oval por Donald Trump, não passa de uma cortina de fumaça para encobrir a essência da maldade.
O bloqueio absoluto ao fornecimento de petróleo a Cuba não é um movimento tático de defesa, mas um ato de asfixia covarde. O que assistimos é a repetição de uma política de embargos que acumula mais de seis décadas de um fracasso histórico retumbante. As sanções nunca derrubaram o regime cubano, mas sempre cumpriram com eficiência sua missão mais cruel: punir, adoecer e empobrecer a população mais vulnerável.
Agora, a escalada atinge um nível de crueldade inaceitável, extrapolando qualquer limite civilizatório. O estrangulamento energético decretado por Washington expõe a face mais sombria da atual administração norte-americana.
Que ódio é esse, lastreado apenas em argumentos ideológicos fossilizados, que se mostra disposto a matar civis indiscriminadamente? Ao cortar o combustível da ilha, os Estados Unidos impõem uma sentença de morte coletiva que não distingue ideologia, idade ou condição social.
Sem energia elétrica, o impacto imediato é a falência da vida humana básica. O atendimento médico está inviabilizado. Hospitais mergulham na escuridão, cirurgias são canceladas, aparelhos de suporte à vida são desligados e medicamentos estragam por falta de refrigeração. É a barbárie institucionalizada disfarçada de política externa.
Além da saúde, a falta de combustível incapacita o transporte de passageiros e cargas, travando o pouco que restava da economia local. A produção e a distribuição de alimentos são diretamente afetadas, condenando famílias inteiras à fome. Não há alvo militar aqui; o alvo é a dignidade e a sobrevivência do povo cubano.
É inevitável questionar: que país é esse que perdeu completamente o senso de humanidade? A outrora autoproclamada "terra da liberdade" encontra-se hoje sob a liderança de um presidente extremista que transformou a crueldade em método de governança.
A postura internacional de Trump é apenas o reflexo de sua política interna. Estamos falando de um líder que, na obsessão de impor o terror sobre os imigrantes e alimentar sua base mais radical, demonstra frieza até mesmo para sacrificar os seus. A violência como linguagem de Estado tornou-se a marca registrada de um governo que ignora direitos humanos e tratados internacionais.
Usar o sofrimento humano, a fome e a morte de pacientes em leitos de hospital como moeda de troca diplomática é a definição exata de terrorismo de Estado. É a falência moral de um império que prefere a destruição à diplomacia.
Diante desse cenário de atrocidade caribenha, o silêncio é cúmplice. O Brasil, na condição de líder natural da América Latina e voz histórica na defesa da autodeterminação dos povos e dos direitos humanos, tem o dever de se levantar.
A diplomacia brasileira não pode assistir passivamente ao massacre silencioso de uma nação vizinha. O Itamaraty precisa abandonar a cautela burocrática e assumir um posicionamento ativo, duro e inegociável nos fóruns internacionais contra esse bloqueio assassino.
Não se trata de alinhar-se ao modelo político cubano, mas de defender o princípio básico do direito à vida. O Brasil deve capitanear uma frente global de repúdio ao bloqueio e de envio de ajuda humanitária emergencial. Aceitar a asfixia de Cuba sob a caneta de um extremista é aceitar que a barbárie, no fim, venceu a humanidade. E isso não podemos aceitar passivamente..




