#PAPO COM ELA Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026, 19:53 - A | A

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026, 19h:53 - A | A

MAU USO DA TECNOLOGIA

Inteligência artificial amplia golpes digitais e representa risco à democracia

Michely Figueiredo

A inteligência artificial (IA) trouxe benefícios e facilidades, mas também impulsionou um crescimento alarmante de crimes digitais sofisticados no Brasil, incluindo deepfakes, golpes financeiros e manipulação de informações, fato especialmente perigoso em um ano eleitoral.

Entre janeiro e dezembro de 2025, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da organização SaferNet Brasil recebeu 87.689 queixas únicas de crimes digitais, um aumento de 28,4% em relação a 2024. A maior parte dessas denúncias envolveu imagens de abuso e exploração sexual infantil, mas cresceu também a detecção de crimes que usam ferramentas tecnológicas avançadas, como falsas lideranças e manipulação de voz e imagem. 

Segundo o especialista em defesa cibernética e perícia digital Anderson Barbosa, essa escalada está diretamente ligada ao uso indevido de IA por quadrilhas e criminosos, que conseguem criar conteúdos manipulados com aparência extremamente real. Isso inclui vídeos e áudios com vozes clonadas de pessoas reais, utilizados em golpes como o pseudo-pedido de ajuda de “parentes” para induzir transferências financeiras.

Além disso, relatórios recentes apontam que o Brasil enfrentou em 2025 um crescimento de 126% nos ataques com deepfakes, comparado ao ano anterior, apesar de uma redução geral de fraudes mais rudimentares, um indicativo de que os criminosos estão migrando para formas mais sofisticadas de enganar e manipular cidadãos. 

Números que preocupam

O uso de engenharia social, tática que explora a confiança humana para fraudar, é dominante no cenário nacional, representando cerca de 80% de todos os crimes digitais registrados nos últimos cinco anos. Nesse período, as ocorrências cresceram cerca de 800%, segundo levantamento com base em dados oficiais. 

Levantamentos de órgãos de segurança pública indicam que quase 41 milhões de brasileiros com mais de 16 anos foram vítimas de golpes digitais, o que corresponde a 24% da população nessa faixa etária, com prejuízos estimados em cerca de R$10,1 bilhões em 2024, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). 

Cenário eleitoral e fake news impulsionadas por IA

Anderson Barbosa alerta para os efeitos da tecnologia no ambiente político. Com a proximidade das eleições de 2026, conteúdos manipulados criados com IA podem afetar a opinião pública, pois vídeos falsos de políticos ou líderes com declarações fabricadas se espalham rapidamente nas redes sociais, muitas vezes antes mesmo de serem verificados.

Segundo um relatório global, fraudes envolvendo deepfakes no Brasil são agora cinco vezes mais frequentes do que nos Estados Unidos, e representam um tipo de ataque que pode influenciar tanto decisões individuais quanto debates públicos amplos. 

O que isso significa para o cidadão

Diante desse cenário, o risco não está apenas nas perdas financeiras, mas também na erosão da confiança nas informações que consumimos diariamente. Quando uma pessoa recebe um vídeo com uma voz semelhante à de um colega, parente ou figura pública, muitas vezes não consegue distinguir se aquele conteúdo é legítimo ou resultado de manipulação tecnológica.

Para o especialista em defesa cibernética e perícia digital Anderson Barbosa, citado na entrevista, o principal meio de defesa continua sendo o senso crítico aliado à checagem de fontes confiáveis, especialmente em contextos como o eleitoral, quando informações falsas podem ser usadas para influenciar a opinião pública e comprometer a democracia.

Como identificar conteúdos manipulados

Apesar da sofisticação crescente, alguns sinais ainda podem orientar usuários leigos. Inconsistências entre movimento labial e áudio, expressões ou piscadas que parecem artificiais, áudio excessivamente limpo em ambientes barulhentos, iluminação incompatível com o cenário visual. Essas pistas podem ajudar a identificar deepfakes ou manipulações simples, mas em casos mais avançados, apenas análise técnica pericial pode confirmar a falsidade.

Confira a entrevista com Anderson Barbosa na íntegra



Comente esta notícia

Nossa República é editado pela Newspaper Reporter Comunicação Eireli Ltda, com sede fiscal
na Av. F, 344, Sala 301, Jardim Aclimação, Cuiabá. Distribuição de Conteúdo: Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Nova Brasilândia e Primavera do Leste, CEP 78050-242

Redação: Avenida Rio da Casca, 525, Bom Clima, Chapada dos Guimarães (MT) Comercial: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

[email protected]/[email protected]

icon-facebook-red.png icon-youtube-red.png icon-instagram-red.png icon-twitter-white.png