NOTICIÁRIO Segunda-feira, 06 de Abril de 2026, 16:28 - A | A

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ELEIÇÕES 2026

Direita se fragmenta em Mato Grosso e disputa entre Jayme e Mauro expõe guerra pelo comando da centro-direita

Mauro Camargo

A disputa pelo poder em Mato Grosso entrou em uma fase mais clara e mais dura. A janela partidária não apenas rearrumou legendas e alianças: ela evidenciou a fragmentação da direita em quatro grupos distintos e consolidou uma centro-esquerda mais unificada, com palanque, nomes e narrativa próprios.

No centro desse rearranjo está a briga entre o senador Jayme Campos, liderança histórica da centro-direita mato-grossense, e o ex-governador Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil, que rejeita a candidatura de Jayme ao governo e trabalha abertamente pelo nome de Otaviano Pivetta, seu vice nos últimos sete anos. A disputa, porém, vai além da sucessão estadual: é também uma batalha pela liderança política da própria centro-direita no estado.

A disputa pelo poder em Mato Grosso ganhou contornos mais nítidos com os movimentos recentes da janela partidária e passou a expor um rearranjo que vai muito além da troca de siglas. O que está em curso é uma reorganização do tabuleiro político estadual, com impactos diretos sobre o governo, o Senado e a disputa proporcional.

Hoje, a direita mato-grossense aparece dividida em quatro frentes. De um lado está a centro-direita histórica, representada por Jayme Campos. Em outro eixo, o bloco governista articulado por Mauro Mendes, que tenta emplacar Otaviano Pivetta como nome de continuidade. Há ainda o bolsonarismo, com Wellington Fagundes como principal nome para o governo. E, por fim, um conjunto de lideranças e partidos que tenta se reposicionar conforme a conveniência eleitoral de cada etapa da disputa.

Na outra margem, a centro-esquerda aparece mais coesa. Carlos Fávaro e Natasha Slhessarenko dão contorno a um campo que busca sustentar palanque para Lula em Mato Grosso, com apoio de PT e partidos aliados. Esse bloco, embora menor do que o conservador em volume de nomes, ganha força pela unidade estratégica e pela capacidade de apresentar narrativa mais estável ao eleitorado.

O conflito mais sensível está dentro do União Brasil. Jayme Campos, com trajetória que passa por prefeitura, governo e Senado, decidiu se colocar como pré-candidato ao governo. A movimentação o coloca em rota de colisão com Mauro Mendes, que já deixou o Palácio Paiaguás, preside a sigla no Estado e atua para transformar Otaviano Pivetta no nome da continuidade administrativa.

Esse embate não é apenas pessoal. Ele também define quem fala em nome da centro-direita em Mato Grosso. Jayme carrega o peso da tradição política e de uma trajetória acumulada em décadas de vida pública. Mauro, por sua vez, tenta converter o capital político conquistado no governo em poder de decisão sobre o próximo ciclo. Pivetta entra como símbolo da continuidade, mas também como extensão do projeto político que Mendes deseja preservar.

A briga interna do União Brasil se soma a outro movimento relevante: o reposicionamento de Janaína Riva, no MDB, que tenta se afirmar como liderança própria na disputa pelo Senado. O MDB busca sobreviver como alternativa política e se autodenomina um partido de direita, em que pese seu histórico de centro-esquerda. Mas é uma direita que oscila entre discursos progressistas e a adesão ao bolsonarismo. Janaína tenta construir uma identidade menos dependente dos grandes polos, apostando em capital político próprio e em uma imagem de independência.

No campo bolsonarista, Wellington Fagundes aparece como o principal nome da direita radical na disputa ao governo, embora já tenha sido, no passado, um parlamentar da base de Lula e Dilma, assim como já foi base o PL, seu partido. O senador lidera as pesquisas já divulgadas e conta com o apoio do núcleo bolsonarista, com destaque para Flávio Bolsonaro, que reforça a projeção nacional desse campo. Ainda assim, esse segmento não é monolítico: ele também vive divisões internas, embora siga concentrando densidade eleitoral suficiente para permanecer no centro da disputa.

A centro-esquerda, por sua vez, vem com uma formação mais organizada. Natasha Slhessarenko, médica e candidata ao governo, tenta abrir espaço para uma alternativa moderada e técnica. Carlos Fávaro, senador e ex-ministro da Agricultura do governo Lula, sustenta a principal candidatura ao Senado desse campo. Juntos, eles ajudam a consolidar um bloco que conta com o apoio do PT e de partidos de esquerda reunidos em federação, formando uma base eleitoral que, segundo as últimas pesquisas, pode alcançar cerca de 35% do eleitorado.

Esse dado é central porque impede uma leitura simplificada da eleição em Mato Grosso. Não se trata apenas de medir quem lidera a corrida ao governo ou ao Senado. Trata-se de entender como cada campo político se organiza para disputar palanques, alianças e tempo eleitoral, em uma disputa que já começa a misturar cálculo estadual e repercussão nacional.

A disputa proporcional, por sua vez, segue outra lógica. Os partidos estão montando chapas para maximizar sobrevivência eleitoral, puxadores de voto e quociente partidário. É ali que a engenharia política pesa mais do que a disputa de narrativa. A legenda deixou de ser destino ideológico e passou a funcionar como instrumento de sobrevivência. Isso ajuda a explicar por que a disputa em Mato Grosso está mais intensa, mais fragmentada e ao mesmo tempo mais reveladora sobre a força real de cada grupo.

Nesse cenário, o Podemos, de Max Russi, ganha uma posição estratégica. A sigla, que até pouco tempo ocupava espaço discreto no Estado, passa a ser vista como uma espécie de fiel da balança entre forças da direita. Mais do que isso: Max Russi começa a ser tratado como um nome de projeção para o futuro, com potencial de disputar o governo em 2030, o que amplia sua importância no desenho atual das alianças.

O quadro que se forma, portanto, é de fragmentação na direita, maior unidade na centro-esquerda e disputa aberta dentro da própria centro-direita. Jayme e Mauro travam, no fundo, uma batalha pela liderança desse campo. Wellington organiza o bolsonarismo. Janaína tenta afirmar o MDB como alternativa com identidade própria. Fávaro e Natasha dão sustentação a uma centro-esquerda com palanque e capilaridade. E Max Russi, pelo Podemos, entra no jogo de agora com os olhos no tabuleiro do futuro.

 



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