NOTICIÁRIO Domingo, 01 de Março de 2026, 09:21 - A | A

Domingo, 01 de Março de 2026, 09h:21 - A | A

ESCALADA NO ORIENTE MÉDIO 

Aiatolá é morto em ataque dos EUA e Israel ao Irã; dezenas de crianças são mortas em escola

Mauro Camargo

ESCALADA NO ORIENTE MÉDIO 

 

Aiatolá Khamenei é morto em ofensiva histórica dos EUA e Israel ao Irã; ataque a escola deixa dezenas de crianças mortas

 

Bombardeios atingem 24 províncias iranianas após colapso em negociações nucleares. Ação conjunta elimina o líder supremo do Irã e gera onda de retaliações contra bases americanas no Oriente Médio, acendendo o alerta global para um conflito em larga escala. 

 

Uma ofensiva militar massiva e coordenada pelos Estados Unidos e por Israel atingiu o território do Irã neste fim de semana, reconfigurando drasticamente a geopolítica do Oriente Médio. O ataque, deflagrado no sábado (28), teve como desdobramento mais impactante a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Além do alvo de alto escalão, os bombardeios deixaram um rastro de destruição que resultou em centenas de baixas civis, incluindo um massacre em uma escola de ensino fundamental.

De acordo com informações divulgadas pela agência de notícias britânica BBC, Ali Khamenei foi morto em seu escritório, na manhã de sábado, durante a primeira onda de ataques aéreos da coalizão EUA-Israel. A morte do líder supremo, que governava o país com poderes absolutos desde 1989, cria um vácuo de poder imediato no comando da República Islâmica.

O impacto humano da ofensiva tem se revelado devastador. Segundo um porta-voz da Sociedade do Crescente Vermelho — organização civil humanitária correspondente à Cruz Vermelha em países islâmicos —, os ataques atingiram 24 das 31 províncias iranianas. Relatórios iniciais, repercutidos pela rede Al Jazeera, apontavam para ao menos 201 mortos e 747 feridos em todo o país. No entanto, o avanço das horas revelou tragédias locais que elevaram substancialmente o número de vítimas.

A tragédia na escola de Minab

O episódio mais letal contra civis registrado até o momento ocorreu na cidade de Minab, no sul do Irã. De acordo com informações da Agência de Notícias da República Islâmica (Irna) e atualizações publicadas pelo jornal britânico The Guardian, mísseis atingiram diretamente uma escola primária de meninas.

Os dados mais recentes das autoridades estatais iranianas confirmam que o ataque à instituição de ensino deixou 148 pessoas mortas e 95 feridas, a esmagadora maioria crianças e funcionários da escola. Equipes de resgate ainda trabalham na remoção dos escombros em busca de sobreviventes. Em vídeos divulgados pela Al Jazeera, cidadãos iranianos exibem os destroços e acusam abertamente Israel e os Estados Unidos de cometerem crimes de guerra contra a população civil.

O impasse nuclear e as justificativas do ataque

A operação militar conjunta ocorreu apenas dois dias após o colapso de uma rodada crucial de negociações diplomáticas entre norte-americanos e iranianos. O foco das tratativas era a imposição de limites rígidos ao programa nuclear do Irã.

Historicamente, o governo de Teerã alega que sua tecnologia nuclear possui fins estritamente pacíficos, voltada para a geração de energia e pesquisa médica. No entanto, os Estados Unidos e seus aliados mais próximos no Oriente Médio, especialmente Israel, rejeitam as alegações iranianas. Os serviços de inteligência ocidentais sustentam que o enriquecimento de urânio promovido pelo Irã atingiu níveis que só se justificam para a fabricação de ogivas nucleares.

Ao justificar a ação militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em pronunciamento que o ataque foi uma medida preventiva e necessária para "defender os americanos" e garantir a segurança nacional de seu país e de seus aliados na região contra a ameaça nuclear. O governo israelense, até o momento, endossou a narrativa de neutralização de uma ameaça existencial.

Reações globais e a retaliação iraniana

A comunidade internacional reagiu com extrema preocupação à quebra de estabilidade. A Organização das Nações Unidas (ONU) convocou reuniões de emergência e pediu um cessar-fogo imediato na região, alertando para o risco de uma guerra total no Oriente Médio. Diversos países emitiram notas diplomáticas condenando a ofensiva militar. O Brasil, por meio do Itamaraty, juntou-se às nações que repudiaram os ataques deste sábado, pedindo moderação às partes envolvidas.

Apesar da morte de seu líder supremo e dos graves danos estruturais, a resposta militar do Irã foi imediata. As Forças Armadas iranianas iniciaram uma retaliação lançando mísseis contra países vizinhos que abrigam bases militares e instalações logísticas dos Estados Unidos.

Ainda não há um balanço oficial dos danos causados às forças americanas no Oriente Médio. De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Hamid Ghanbari, o país "tem o direito legal e inalienável de se defender" contra o que classificou como "atos de agressão injustificados e terrorismo de Estado".

A morte de Khamenei e a escala de destruição civil colocam as relações diplomáticas em um ponto de não retorno. O mundo agora aguarda os próximos passos do alto comando militar iraniano — que prometeu vingança severa — e o grau de envolvimento direto de outras potências e milícias apoiadas pelo Irã, como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen.

 



Comente esta notícia

Nossa República é editado pela Newspaper Reporter Comunicação Eireli Ltda, com sede fiscal
na Av. F, 344, Sala 301, Jardim Aclimação, Cuiabá. Distribuição de Conteúdo: Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Nova Brasilândia e Primavera do Leste, CEP 78050-242

Redação: Avenida Rio da Casca, 525, Bom Clima, Chapada dos Guimarães (MT) Comercial: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

[email protected]/[email protected]

icon-facebook-red.png icon-youtube-red.png icon-instagram-red.png icon-twitter-white.png