O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) afirmou que o partido deve aguardar a definição do cenário político nacional antes de avançar nas discussões sobre as eleições de 2026 em Mato Grosso. Segundo ele, as movimentações em Brasília poderão influenciar diretamente a composição das candidaturas no estado. A declaração foi dada ao comentar as articulações que vêm ocorrendo nos bastidores da política mato-grossense e as especulações envolvendo uma possível mudança nos planos eleitorais do senador Wellington Fagundes (PL), que poderia, segundo Botelho, sair da disputa. A fala foi feita nesta quarta-feira (10), na Assembleia Legislativa. O presidente estadual do PL, Ananias Filho, rebate Botelho e descarta desistência.
A fala de Botelho ocorre no contexto de uma possível aliança entre MDB, presidido por Janaina Riva, nora de Wellington Fagundes, e o PL. Embora haja resistência de uma ala do PL no estado, a coligação não estava totalmente descartada até mesmo pela conjuntura verificada em outros estados pelas agremiações. Em São Paulo, por exemplo, os partidos caminham juntos. Contudo, a declaração de Botelho aponta para um cenário que pode mudar completamente o tabuleiro político em Mato Grosso, visto que até o momento as pesquisas de intenção de voto tem apontado Fagundes liderando a disputa ao Palácio Paiaguás.
Durante a entrevista, Botelho mencionou comentários que circulam nos bastidores políticos sobre uma possível desistência do senador Wellington Fagundes de disputar o Governo do Estado em 2026. O deputado, no entanto, destacou que não possui informações oficiais sobre o assunto. “Pelas conversas de bastidores, são muito fortes os comentários de que pode haver uma desistência ou uma retirada da candidatura do senador Wellington. Mas isso são conversas de bastidores”, afirmou.
Botelho ressaltou que não tratou do tema diretamente com Wellington Fagundes nem com dirigentes do Partido Liberal. Segundo ele, a única conversa recente sobre o assunto ocorreu com o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que descartou a possibilidade de o partido abrir mão de uma candidatura própria ao governo.
“Ontem encontrei o Abilio aqui na Assembleia e ele me disse que o PL não trabalha com a possibilidade de ficar sem candidato”, relatou.
Apesar das especulações, o deputado ponderou que ainda é cedo para conclusões sobre a disputa eleitoral e defendeu cautela diante das movimentações políticas que devem ocorrer nos próximos meses.
“Tem muita coisa para acontecer ainda. Precisamos aguardar”
De acordo com Botelho, o MDB pretende realizar uma reunião partidária nos próximos dias para avaliar o cenário e discutir os próximos passos da legenda. “Nós vamos ter uma reunião primeiro do partido. Estamos vendo se conseguimos marcar para a próxima semana para conversar e avaliar o cenário”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que o partido pretende aguardar mais alguns dias antes de tomar qualquer decisão, especialmente por entender que os desdobramentos nacionais podem impactar diretamente as articulações estaduais. “Tem muita coisa para acontecer ainda. O cenário nacional vai acabar influenciando aqui em Mato Grosso”, disse.
Movimento contrário
O projeto de Wellington Fagundes de disputar o Governo de Mato Grosso vem sendo bombardeado, principalmente pelo governador Otaviano Pivetta, que tenta convencer o PL a apoiar o seu projeto à reeleição. Em mais de uma ocasião Pivetta esteve reunido com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, para tratar do assunto.
Além de Pivetta, uma ala do PL composta pelo deputado federal José Medeiros - que neste ano disputa uma vaga no Senado Federal - além dos prefeitos Abílio Brunini, Flávia Moretti e Cláudio Ferreira, apoiam a candidatura de Pivetta. Integrantes da Família Bolsonaro como o próprio candidato a presidência Flávio Bolsonaro, já mostraram proximidade com o atual governador de Mato Grosso.
Apesar do fogo amigo no PL e dos encontros do presidente nacional da sigla com Pivetta, Costa Neto reafirmou a candidatura de Fagundes ao governo de Mato Grosso em vídeo postado nas redes sociais, assim como Flávio Bolsonaro defendeu que os candidatos do partido no estado são Wellington Fagundes e Medeiros. Ao mesmo tempo, disse que não descartará outros apoios recebidos no estado.
PL rebate informação
O presidente estadual do PL, Ananias Filho, rebateu as declarações dadas pelo deputado estadual Eduardo Botelho e afirmou que não há nenhuma conversa sobre retirada do nome de Fagundes da disputa em Mato Grosso.
"Eu vi uma entrevista do deputado Botelho, falando que bastidores dão conta de desistência de candidatura. Não existe a possibilidade de desistência. O senador Wellington esteve com o presidente Valdemar ontem, por mais de duas horas. Eu estive com o presidente Valdemar da Costa Neto, na segunda-feira, por três horas de conversas. E hoje, eu tive uma conversa com o presidente Valdemar na hora do almoço, eu almocei com o presidente Valdemar e também com o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, e ele foi categórico: Em Mato Grosso, nós temos pré-candidatura de governador, que é o Wellington Fagundes", asseverou Ananias.
O dirigente partidário ainda aproveitou a oportunidade para alfinetar Botelho, que deixou o União Brasil e se filiou ao MDB. "O senhor, com o MDB, nós até hoje não sentamos ainda para discutir candidatura a governador. Então o senhor só pode falar de bastidores, mas bastidores de baixo clero. Da prateleira alta, ainda o senhor não foi chamado pra discutir. Então tá aí, senador Wellington é o nosso pré-candidato do PL a governador, José Medeiros é o pré-candidato a senador e Flávio Bolsonaro é o pré-candidato a Presidente da República". cravou.






