O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, concedeu entrevista ao programa A Notícia de Frente, da TV Vila Real (Grupo Gazeta de Comunicação), na manhã desta segunda-feira (20) — e chegou escoltado pela Polícia Federal. O motivo, segundo ele, são ameaças de morte feitas pelo Comando Vermelho.
"Onde eu vou, começo a receber ameaças e mobilizações nos grupos de WhatsApp e Telegram deles. Isso já havia sido detectado pela nossa pré-campanha e motivou a gente a antecipar a convenção para poder contar com escolta", afirmou. "Candidato morto não leva voto."
A segurança pública dominou a primeira parte do programa. Renan Santos apresentou um diagnóstico severo: "O Brasil, desde a Constituição de 88, abdicou de enfrentar o crime. Adotou uma política leniente, porque tinha medo por conta dos traumas do regime militar. Isso gerou o que vemos hoje: favelas tomadas, bandidos presos várias vezes e soltos."
A proposta do candidato é declarar "guerra" às facções. "Vamos colocar municípios e favelas em estado de defesa, que é uma garantia constitucional que permite ao Estado atuar de maneira enfática. Vamos passar uma legislação que imponha o direito penal do inimigo, retirando direitos e prerrogativas dos bandidos. Em um ano, as facções — especialmente PCC e Comando Vermelho — serão devastadas. Lideranças e membros serão presos e, se resistirem, mortos."
Ele defendeu mecanismos como o COAF para cruzar dados financeiros e uma legislação nos moldes da lei antimáfia italiana. "Na Itália, quando é detectado que uma pessoa é parte de organização mafiosa, a lei é muito dura. Na Dinamarca, você não pode falar em público delas, vai preso na hora. É isso que o Estado brasileiro tem que fazer."
"Somos água e óleo"
Provocado a diferenciar sua candidatura da de Flávio Bolsonaro (PL), o candidato foi direto. "Eles são direita em termos nominais. Nós somos como água e óleo."
Renan acusou o candidato do PL de comprar votos com promessas de celulares para mulheres e idosos. "O custo dessa operação é de mais de R$ 100 bilhões por ano. É uma versão bolsonarista do que o PT faz."
Citou votações no Congresso nas quais o PL se alinhou ao PT: "Houve a votação sobre o fim da escala seis por um, o PL votou com o PT. Agora teve o PL da misoginia, o senhor Flávio Bolsonaro votou de maneira orgulhosa com a esquerda. Uma pessoa de direita tem que defender lei e ordem. No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro apoiava o candidato Bacelar, que foi pego pela Polícia Federal com vínculos operacionais com o Comando Vermelho."
Terceira via e pesquisas
Questionado sobre a viabilidade de furar a polarização, Renan Santos apostou no cansaço do eleitorado com Lula e Bolsonaro. "Onde eu rodo no Brasil, há um cansaço com ambos. O eleitor bolsonarista tem que defender o envolvimento do Flávio com o Daniel Vorcaro, com o Comando Vermelho. O lulista viu o Lula prometer picanha e entregar crime organizado e pobreza."
Segundo ele, pesquisas mostram sua liderança entre eleitores de 16 a 24 anos e o Missão como o terceiro partido preferido dos brasileiros, com apenas oito meses de existência.
"Entre os candidatos de terceira via, eu apareço em primeiro lugar, superando dois governadores — Caiado e Romeu Zema."
Tarifaço de Trump e terras raras
Renan criticou tanto Lula quanto a família Bolsonaro pela condução da crise com os Estados Unidos. "O Lula está comemorando o tarifaço para poder brigar com o Trump, mas não se sentou para negociar. A família Bolsonaro é puxa-saca do Trump. Nenhum dos dois grupos tem condição de defender o interesse brasileiro."
Ele defendeu uma negociação geopolítica mais ampla com os EUA, envolvendo o potencial brasileiro em terras raras. "O avião F-35 leva meia tonelada de terras raras. Se a China brecar o envio, os EUA não têm mais Forças Armadas. O Brasil tem 20% das reservas. Eles precisam sentar para negociar conosco — e aí vamos falar de tarifa, de tecnologia, de industrialização."
Agro, logística e meio ambiente
Para Mato Grosso, Renan defendeu a conclusão da Ferrogrão e a construção de uma conexão ferroviária entre os oceanos Atlântico e Pacífico. "Precisamos fazer a ferrovia Chancay-Lima (veja NOTA DO EDITOR)*, que dá bypass no Canal do Panamá. Isso diminui custo logístico e aumenta nosso poder geopolítico."
Criticou a insegurança jurídica no campo. "Não dá para ter ONG, Funai ou Incra inventando moda a 150 km de uma ferrovia. O novo licenciamento ambiental é fundamental."
Sobre a agricultura familiar e os índios, propôs uma "via de duas mãos": garantir proteção contra grileiros, mas também impedir que comunidades indígenas sejam usadas como instrumento de "sabotagem institucional" contra obras de infraestrutura.
Reforma trabalhista e programas sociais
O candidato defendeu a modernização da CLT, nos moldes de países como Vietnã e Índia. "É uma legislação dos anos 40 do século XX. Vai fazer 100 anos. Naquela época não existia celular, internet. Imaginar que aquela legislação se adequa ao mundo de hoje é loucura. Precisamos permitir a venda por hora de trabalho."
Sobre o Bolsa Família, disse ser favorável ao programa para extremamente pobres, mas prometeu acabar com o Pé-de-Meia e substituí-lo por prêmios em dinheiro para alunos com nota alta em provões federais e bônus para diretores e professores com melhor desempenho.
Ameaças e resiliência
Renan minimizou os processos trabalhistas e fiscais que envolvem seu nome. "Fui proprietário de uma empresa de recuperação judicial. Ela tinha débitos quando a comprei. Isso é normal no capitalismo. Não tenho passagem criminal. As ações criminais contra mim são de políticos que chamo de bandidos — e é do jogo."
Ao final, fez um apelo ao eleitor: "Prefiro ser crista de galo do que rabo de cavalo. Prefiro ser líder de um grupo menor do que virar puxa-saca de um grupo maior. Meu partido tem oito meses e já é o terceiro preferido do brasileiro. Vamos transformar esse galo em uma onça."
As informações são de entrevista concedida por Renan Santos, candidato a presidente da República pelo Missão, aos jornalistas Luciana Gaviglia, Mauro Camargo e Daniel Petengill, no programa A Notícia de Frente, da TV Vila Real (Grupo Gazeta de Comunicação), em 20 de julho de 2026.
NOTA DO EDITOR
A ideia em discussão entre Brasil, Peru e China é conectar o Porto de Chancay (Peru) a uma nova ferrovia atravessando o Peru, o Acre e Rondônia chegando em Mato Grosso (Lucas do Rio Verde) para acessar as ferrovias brasileiras (FICO, Norte-Sul e FIOL), chegando ao Porto de Ilhéus (BA), no Atlântico.
Se esse corredor for concluído a soja, o milho, o algodão e a carne de Mato Grosso poderão seguir por ferrovia até o Pacífico.
O tempo de transporte para a Ásia poderá cair significativamente em comparação com rotas que passam pelo Canal do Panamá ou pelo Cabo da Boa Esperança.
Haverá maior diversificação das rotas de exportação brasileiras, reduzindo a dependência dos portos do Sul e Sudeste.
Do ponto de vista geopolítico, esse é considerado um dos projetos de infraestrutura mais estratégicos da América do Sul, porque pode reposicionar Mato Grosso como o principal elo terrestre entre a produção agrícola brasileira e os mercados asiáticos.






