NOTICIÁRIO Quarta-feira, 22 de Julho de 2026, 11:47 - A | A

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ELEIÇÕES 2026

Convenções redesenham disputa pelo Governo e Senado em MT

Mauro Camargo

Assessoria

Convenção PL

Convenção oficializa Wellington ao Governo e José Medeiros ao Senado pelo PL

Matéria em atualização — última revisão às 11h28 desta quarta-feira, 22 de julho de 2026.

A abertura do período de convenções partidárias começou a transformar o cenário eleitoral de Mato Grosso. Até 5 de agosto, partidos e federações deverão confirmar candidatos, definir coligações e preencher as vagas ainda abertas nas chapas para governador, vice-governador, senador e suplentes.

O primeiro movimento de maior peso ocorreu nesta quarta-feira (22), com a convenção do Partido Liberal. A legenda confirmou o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo do Estado e o deputado federal José Medeiros ao Senado. Antes deles, o partido Missão já havia oficializado o publicitário Rafaell Milas para o Palácio Paiaguás.

Embora as principais pré-candidaturas estejam anunciadas há meses, parte relevante das chapas ainda depende de decisões que serão tomadas nos próximos dias. O ponto de maior tensão está na Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, dividida entre lançar o senador Jayme Campos ao governo ou apoiar a reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos.

A decisão também interfere na composição das candidaturas ao Senado e na distribuição dos partidos entre os principais palanques presidenciais em Mato Grosso.

PL abre o jogo, mas mantém espaços vazios

O PL deu nesta quarta-feira o primeiro passo para consolidar sua candidatura ao Governo do Estado. Wellington Fagundes entra formalmente na disputa, tendo José Medeiros como candidato ao Senado e o empresário Odílio Balbinotti como primeiro suplente.

A chapa, entretanto, ainda não está completa. O candidato a vice-governador e o segundo suplente de Medeiros não foram definidos. A ata da convenção deverá permanecer aberta até o fim do prazo legal para permitir novas composições.

O partido também anunciou 25 candidatos a deputado estadual e nove a deputado federal. Na Assembleia Legislativa, a chapa é puxada pelos deputados Gilberto Cattani e Faissal Calil e pela vereadora de Cuiabá Samantha Iris.

Para a Câmara Federal, o PL pretende manter e, se possível, ampliar a bancada atualmente formada por Coronel Fernanda, Coronel Assis e Rodrigo da Zaeli.

A formalização das candidaturas não resolve, porém, uma questão interna: prefeitos e lideranças municipais filiados ao PL já manifestaram apoio a Pivetta. A direção estadual declarou que trabalhará pela candidatura de Wellington, mas não pretende pressionar os gestores que escolheram caminhar com o governador.

A posição procura preservar a estrutura partidária sem esconder a divisão existente. Nas eleições proporcionais, candidatos do PL dependerão do apoio de prefeitos que poderão estar em outro palanque na disputa pelo governo.

Pivetta depende da decisão do União Brasil

Otaviano Pivetta deverá ter sua candidatura à reeleição oficializada pelo Republicanos em 4 de agosto. Até lá, trabalha para formar um arco de alianças que reúna partidos vinculados ao atual grupo governista.

A Federação PSDB-Cidadania já declarou apoio ao governador. O Podemos, presidido pelo deputado estadual Max Russi, também é apontado como integrante da composição e poderá indicar o candidato a vice.

A aliança de maior peso, entretanto, depende do resultado da convenção da Federação União Progressista. Uma ala do União Brasil defende candidatura própria com Jayme Campos. Outra, ligada ao grupo do ex-governador Mauro Mendes, trabalha pelo apoio a Pivetta.

A definição caberá a um colégio de convencionais formado por dirigentes, parlamentares, prefeitos e lideranças partidárias. O resultado terá efeito sobre toda a estrutura da eleição.

Se Jayme for escolhido, o campo de centro-direita terá pelo menos três candidaturas com estrutura partidária: Wellington, Pivetta e o próprio Jayme. Se o União Brasil apoiar Pivetta, o governador ampliará sua base e reduzirá a fragmentação desse espaço político.

Independentemente da decisão sobre o governo, Mauro Mendes deverá ser oficializado candidato ao Senado.

Centro-esquerda organiza palanque para Lula

O PSD deverá confirmar a médica Natasha Slhessarenko como candidata ao Governo de Mato Grosso. A chapa reúne um conjunto de partidos e deverá servir de palanque estadual à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No Senado, o grupo trabalha com as candidaturas de Carlos Fávaro, do PSD, e Pedro Taques, do PSB.

Fávaro disputará a reeleição. Taques, filiado ao PSB desde dezembro de 2025 e atual presidente estadual da legenda, tenta retornar ao Senado, cargo que exerceu antes de ser eleito governador de Mato Grosso. Sua candidatura deverá ser oficializada em convenção no dia 30 de julho.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, também realizará convenção no dia 30. A tendência é de adesão à candidatura de Natasha, mas ainda há questões internas relacionadas à composição das chapas e às candidaturas proporcionais.

O PCdoB mantém Patrícia Nogueira como pré-candidata ao Senado. Sua permanência ou retirada dependerá da negociação final da federação e da organização da chapa majoritária.

MDB tenta preservar poder de negociação

O MDB realizará sua convenção em 4 de agosto sem ter definido qual candidatura apoiará ao Governo do Estado. O partido mantém conversas com Wellington Fagundes, Otaviano Pivetta e Jayme Campos.

A deputada estadual Janaina Riva trabalha para ser candidata ao Senado e rejeita, até este momento, a possibilidade de abandonar o projeto para ocupar a vice na chapa de Pivetta.

Janaina reconheceu que continua sendo procurada por representantes de outros grupos, mas afirmou considerar sua candidatura ao Senado consolidada. A posição mantém o MDB como possível fiel da balança, especialmente porque a legenda pode oferecer estrutura municipal e tempo de campanha a uma das chapas majoritárias.

A dificuldade está em encontrar uma composição que preserve o projeto de Janaina. As chapas que negociam com o MDB já possuem candidatos ou compromissos avançados para o Senado, o que exige rearranjos políticos.

Missão confirma candidatura própria

O partido Missão foi o primeiro a realizar convenção em Mato Grosso. A legenda oficializou Rafaell Milas como candidato ao governo e o empresário Thales Sartorelo como vice.

Ligado ao Movimento Brasil Livre, o partido pretende apresentar-se como alternativa ao PT e ao bolsonarismo. Milas disputa um cargo eletivo pela primeira vez e terá como principal desafio transformar presença nas redes sociais em estrutura política e eleitoral nos municípios.

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, participou da convenção em Cuiabá, reforçando a intenção da legenda de construir palanques próprios nos estados.

Outras candidaturas ampliam o cenário

Além dos grupos com maior estrutura, outras legendas anunciam candidaturas ao Palácio Paiaguás.

O Agir deverá oficializar Sargento Laudicério Machado. O Novo apresenta o empresário Marcelo Maluf como pré-candidato. Alex Pucinelli também anunciou a intenção de disputar o governo, mas a convenção partidária ainda não tem data confirmada.

A presença desses nomes pode ampliar o número de candidatos e fragmentar o primeiro turno. A confirmação, entretanto, depende das convenções e, posteriormente, do registro das candidaturas perante a Justiça Eleitoral.

Senado concentra maior número de projetos

A disputa pelas duas vagas ao Senado é mais aberta e reúne nomes com diferentes graus de estrutura eleitoral.

Até este momento, aparecem como candidatos ou pré-candidatos Mauro Mendes, José Medeiros, Carlos Fávaro, Pedro Taques, Janaina Riva, Antônio Galvan e Patrícia Nogueira. Outras candidaturas ainda poderão ser confirmadas ou retiradas durante as convenções.

O número elevado de concorrentes torna as alianças decisivas. Cada candidato ao governo poderá reunir até dois candidatos ao Senado, mas partidos e federações precisam conciliar projetos pessoais, afinidades nacionais e interesses das chapas proporcionais.

É nessa disputa que MDB, União Brasil, PP e partidos da centro-esquerda enfrentam os maiores problemas de acomodação.

Convenções substituem especulação por decisões

Até o início das convenções, o cenário eleitoral era formado principalmente por pré-candidaturas e declarações de apoio. A partir de agora, as decisões passam a produzir efeitos formais.

O PL confirmou seus principais nomes, mas ainda procura vice e aliados. Pivetta aguarda a definição do União Brasil. Jayme tenta assegurar o direito de disputar o governo pela federação. Natasha organiza o palanque de Lula. O MDB preserva sua posição de negociação. No Senado, o número de candidatos continua superior ao espaço disponível nas principais chapas.

As convenções não encerram as articulações. Ao contrário, abrem a fase em que cada decisão partidária provoca uma nova movimentação. Até 5 de agosto, candidaturas poderão ser confirmadas, alianças revistas e atas mantidas abertas para permitir ajustes.

O quadro que começa a se formar ainda não é definitivo, mas já oferece uma primeira divisão do território eleitoral: o PL com candidatura própria; Pivetta tentando reunir a base governista; Jayme lutando para permanecer na disputa; a centro-esquerda organizada em torno de Natasha; e partidos menores buscando espaço fora dos blocos tradicionais.

Nota de transparência — Este conteúdo resulta do levantamento e da edição jornalística de informações publicadas por terceiros, verificadas em diferentes veículos e fontes partidárias, além da análise editorial do Nossa República.



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