O ministro das Cidades, Jader Filho, esteve em Cuiabá para assinar o convênio que garante a construção de 40 mil novas moradias pelo Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em Mato Grosso — uma das maiores carteiras habitacionais já registradas no estado. A cerimônia, realizada no Palácio Paiaguás, marca a retomada oficial de empreendimentos paralisados desde 2016 e inaugura uma nova fase da política habitacional sob o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
A iniciativa resulta de uma articulação conjunta entre Governo Federal, Governo de Mato Grosso e prefeituras, com compartilhamento de responsabilidades financeiras e operacionais. A presença de Jader Filho reforça a expansão do MCMV na Região Centro‑Oeste e confirma Mato Grosso entre os estados com maior volume de contratações do país.
“Nossa meta nacional é contratar um milhão de casas, e Mato Grosso tem papel estratégico nessa entrega”, afirmou o ministro durante o anúncio.
Veja o que cabe a cada ente na política habitacional
Governo Federal — Minha Casa, Minha Vida
O programa é responsável por financiamento e subsídios federais, habilitação de empreendimentos, liberação de recursos via Caixa, retomada de obras paradas, seleção de famílias da Faixa 1 (renda até R$ 2.640), considerada prioritária.
O portal oficial do Ministério das Cidades confirma que Mato Grosso já contratou mais de 42 mil unidades desde 2023, e agora adiciona 40 mil novas moradias ao ciclo 2026, aproximando o estado de 80 mil unidades no total.
O investimento federal é decisivo porque cobre parte substancial dos custos de construção e viabiliza empreendimentos em regiões onde o mercado sozinho não operaria.
Governo de Mato Grosso — Ser Família Habitação
O Estado participa com contrapartida financeira direta (R$ 12,5 milhões anunciados nesta etapa), doação ou regularização de terrenos; apoio técnico a municípios menores e alinhamento dos projetos ao modelo do MCMV.
A primeira‑dama Virginia Mendes e o governador Mauro Mendes ressaltaram que o Ser Família Habitação já vinha atuando em obras locais e, agora, integra a nova carteira federal.
Segundo o governo, o programa estadual busca complementar lacunas do Minha Casa, Minha Vida — especialmente na Faixa 1 e em municípios que, sozinhos, não conseguiriam ingressar no sistema de financiamento. Essa sinergia explica o volume inédito de unidades aprovadas para o estado.
Municípios — execução local
As prefeituras são responsáveis por disponibilização ou regularização de áreas urbanas, emissão de alvarás e licenças, acompanhamento da obra, articulação com a Caixa para cadastro, habilitação e sorteio das famílias e implantação de equipamentos públicos (escolas, postos de saúde, pavimentação do entorno).
Cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop já confirmaram que preparam novos loteamentos, contendo contrapartidas locais em infraestrutura urbana. Para muitos prefeitos, a parceria tripartite representa a primeira possibilidade em anos de viabilizar moradias populares de forma estruturada.
Retomada de obras paradas e impacto social
Parte das unidades anunciadas são retomadas de empreendimentos paralisados desde 2016 — um cenário comum após a interrupção do MCMV no ciclo 2019‑2022 (governo Bolsonaro). A reativação é considerada prioritária pelo governo federal por impactar diretamente famílias que aguardam pela casa própria há quase uma década.
Além disso, o volume contratado tem potencial para reduzir o déficit habitacional do estado, gerar milhares de empregos diretos na construção civil, ampliar a arrecadação municipal e dinamizar setores como comércio, aluguéis e serviços.
No evento, representantes do Ministério das Cidades reiteraram que o MCMV passa a priorizar cidades com maior vulnerabilidade habitacional, evitando dispersão de recursos e priorizando áreas de maior demanda.
Cenário político e reconstrução institucional
A vinda do ministro Jader Filho também foi interpretada como um gesto político de fortalecimento da relação federativa. Em estados como Mato Grosso, onde a disputa ideológica tem dificultado a cooperação entre entes, a presença do governo federal em projetos estruturantes funciona como afirmação da necessidade de diálogo institucional e de governança técnica acima das disputas partidárias.




