O deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) protagonizou, nesta terça-feira (17), um dos episódios mais constrangedores da política recente de Mato Grosso. Durante a assinatura da ordem de serviço do Hospital Regional de Pontes e Lacerda, o parlamentar falou no microfone acreditando que estava desligado — e admitiu ter ligação com uma das empresas vencedora de licitação.
O áudio captado, enviado ao VG Notícias e já viralizado nas redes sociais, registra Moretto dizendo: “duas, a Agrimat e uma a minha. Tá autorizado!” A frase, dita de maneira espontânea e sem perceber que ainda estava sendo transmitida, desencadeou forte repercussão. Portais como Folha 5, RDNews e Olhar Direto confirmaram a autenticidade do vídeo e relataram bastidores da cerimônia, marcada pela presença do governador Mauro Mendes e autoridades da região
A reação foi imediata na Assembleia Legislativa. O deputado Júlio Campos (PSD), em vídeo enviado ao Jornal da Cultura, afirmou que a fala é “gravíssima” e que exige apuração urgente, porque pode configurar conflito de interesse, improbidade administrativa e violação constitucional.
Segundo Júlio Campos, “deputado não pode participar, direta ou indiretamente, de licitação pública. Se o que o vídeo mostra é verdade, deve ser investigado imediatamente.”
A Constituição Federal, em seu artigo 54, proíbe parlamentares de manter contratos com o poder público por meio próprio ou de empresa da qual sejam sócios. Por isso, a declaração “no automático”, como definem internautas, levou juristas a defenderem abertura de procedimento para verificar se Moretto detém participação societária ou influência em alguma das empresas citadas.
Ambiente político em xeque: veja o vídeo abaixo
A fala compromete o discurso de moralidade adotado por parte da base governista e expõe fissuras internas no bloco de apoio ao Palácio Paiaguás.
Nos bastidores, deputados admitem preocupação com a repercussão nacional do caso, já que o vídeo foi replicado por influenciadores e páginas especializadas em transparência pública.
Moretto ainda não apresentou explicação formal. Sua assessoria também não respondeu aos veículos que o procuraram até o fechamento desta matéria.
O novo Hospital Regional tem valor estimado em mais de R$ 250 milhões e é tratado pelo governo como prioridade estratégica para o Oeste de Mato Grosso. Justamente por isso, o episódio levantou questionamentos sobre a lisura do processo e o monitoramento das empresas contratadas.
Para o deputado Júlio Campos “não é possível naturalizar esse tipo de declaração. A sociedade precisa de respostas.”
Agora, cabe ao Ministério Público, à Controladoria Geral do Estado e à própria Assembleia Legislativa esclarecer se houve ilegalidade, influência indevida ou participação econômica do deputado na obra.
A obra do hospital segue com cronograma apresentado pelo Governo do Estado, mas a pressão por transparência aumentou — e a polêmica tende a dominar os debates políticos nos próximos dias.
As informações são dos portais VG Notícias, Folha 5, RDNews, Olhar Direto, Revirado MT e do deputado Júlio Campos em vídeo enviado ao Jornal da Cultura.




