NOTICIÁRIO Quinta-feira, 30 de Julho de 2026, 12:31 - A | A

Quinta-feira, 30 de Julho de 2026, 12h:31 - A | A

CANDIDATURA PRÓPRIA

Jayme Campos contesta votação e defende aclamação

Mauro Camargo e Michely Figueiredo

Divulgação

Convenção do União Brasil

O senador Jayme Campos contestou nesta quinta-feira (30) o rito adotado pela convenção estadual do União Brasil e afirmou que sua candidatura ao Governo de Mato Grosso deveria ter sido homologada por aclamação. Segundo ele, nenhum outro filiado se inscreveu para disputar o Palácio Paiaguás e não haveria pedido formal de outro partido para que a legenda deliberasse sobre uma coligação.

Mesmo questionando o processo, Jayme afirmou que aceitou a votação e respeitará o resultado dos convencionais. O senador chegou ao Espaço CDL, em Cuiabá, dizendo estar confiante na vitória e sustentando que a decisão representará um teste sobre o “espírito partidário” do União Brasil.

“Eu confio plenamente nos nossos convencionais, tanto nos membros do diretório regional quanto nos delegados partidários. Isso é uma democracia. O voto é soberano e espero ter a maioria dos votos dos presentes”, declarou.

A convenção foi convocada para decidir entre dois caminhos: lançar Jayme como candidato próprio ao Governo ou manter a aliança com o governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, que busca a reeleição e tem o apoio do presidente estadual do União Brasil, o ex-governador Mauro Mendes.

Jayme argumenta que a segunda alternativa não deveria constar da votação porque, conforme sua interpretação do estatuto, não foi apresentada dentro do prazo uma proposta formal de coligação com o Republicanos.

“Você tem apenas um nome que o partido está apresentando. Eu imaginava que seria natural uma votação por aclamação, como será para deputado estadual, deputado federal e senador da República”, afirmou.

Senador questiona rito da convenção

Jayme disse que a disputa interna não seria necessária se fossem observadas as práticas tradicionalmente adotadas pelo partido nas convenções anteriores. Para ele, a existência de apenas um filiado interessado na candidatura ao Governo justificaria a homologação direta.

“É a primeira vez que vejo uma convenção em que apenas um candidato se inscreveu para governador e, mesmo assim, precisa ir para a urna”, declarou.

O senador afirmou que poderia ter apresentado questionamentos jurídicos ou regimentais, mas decidiu participar da votação para evitar um conflito que pudesse desorganizar a convenção.

“Para evitar qualquer confusão, estamos dispostos a vencer todas as barreiras. Vamos vencer de forma democrática”, disse.

Na avaliação de Jayme, a direção estadual adotou critérios diferentes para as candidaturas majoritárias. O nome de Mauro Mendes para o Senado seria homologado por aclamação, enquanto sua pretensão ao Governo foi submetida aos convencionais.

O senador afirmou que também poderia ter lançado outro filiado contra Mauro na disputa pelo Senado, mas preferiu não fazê-lo.

“Eu poderia, se agisse de má-fé, lançar um candidato a senador para disputar o voto com Mauro. Não fiz isso. Respeitei”, afirmou.

A comparação representa uma crítica direta à condução política de Mendes, embora Jayme tenha evitado chamá-lo nominalmente de adversário ou traidor.

Apoio a Pivetta é questionado

Durante a entrevista, Jayme foi perguntado se seria juridicamente possível incluir na cédula uma proposta de apoio a Pivetta, considerando que o Republicanos ainda não havia realizado sua convenção nem protocolado formalmente a candidatura do governador.

O senador respondeu que a questão poderia ser objeto de discussão regimental. Ele mencionou o artigo 29, parágrafo 2º, do estatuto partidário e sustentou que uma proposta de coligação deveria ter sido apresentada dentro do prazo previsto pelas normas internas.

“Se algum partido quisesse protocolar essa possibilidade, teria que fazê-lo três dias antes da convenção. Isso não foi feito. Para mim, não havia por que ter votação; deveria ser por aclamação”, declarou.

A argumentação de Jayme não significa, por si só, que a inclusão da alternativa na cédula seja inválida. A questão depende da interpretação do estatuto, do regulamento aprovado para a convenção e das competências atribuídas ao diretório estadual e aos convencionais.

O edital oficial colocou expressamente entre os temas da reunião a formação de coligação para as eleições majoritárias e a escolha dos candidatos a governador e vice-governador. A validade da forma como as propostas foram apresentadas, entretanto, poderia ser submetida às instâncias partidárias ou à Justiça Eleitoral caso houvesse contestação formal.

Jayme afirmou que não pretende recorrer.

“Eu aceitei a regra porque sei que vou ganhar a convenção. Poderia usar alguns recursos jurídicos, mas não vou fazer isso”, disse.

Mudança entre os convencionais

O senador também comentou a habilitação de novos votantes às vésperas da convenção. Segundo ele, alguns filiados acumulavam duas condições que lhes dariam participação no encontro, mas o estatuto não permitiria voto duplicado.

Nesses casos, um dos vínculos teria sido renunciado para permitir a convocação do respectivo suplente. Jayme reconheceu que a substituição poderia gerar questionamento, mas afirmou que não apresentaria questão de ordem.

“Havia pessoas com direito decorrente de duas posições, mas o estatuto não permite dois votos. Houve renúncia a uma dessas posições e foi chamado o primeiro suplente. Poderia existir questionamento jurídico, mas não vou buscar desentendimento”, afirmou.

As articulações em torno da lista de convencionais marcaram os dias anteriores à votação. As informações divulgadas pelos diferentes grupos oscilaram entre 45, 48, 50 e 51 participantes, conforme as substituições, renúncias e habilitações consideradas.

Jayme disse que o número final não alterava sua confiança.

“Independentemente de qualquer manobra que tenha ocorrido, isso está superado. Sejam 45, 50 ou 51 convencionais, espero ter a maioria”, declarou.

O senador também evitou comentar reuniões atribuídas ao grupo de Mauro Mendes e Pivetta na véspera da convenção. Disse que falava apenas em nome próprio e dos aliados que foram ao encontro para apoiar sua candidatura.

“Partido não é cartório”

A convenção também resgatou a trajetória das organizações partidárias que antecederam o União Brasil. Militantes ligados a Jayme e ao deputado estadual Júlio Campos usaram camisetas com a inscrição “PFL”, numa referência à legenda pela qual os irmãos exerceram parte de seus mandatos.

Jayme afirmou que ingressou na política partidária ainda no início dos anos 1980 e participou da trajetória que passou por PDS, PFL, Democratas e União Brasil.

“Tenho uma história. Ajudei a fundar o PDS, o PFL, passei pelo Democratas e estou no União Brasil. Todo mundo conhece a história de Jayme Campos”, declarou.

Questionado sobre a afirmação do ex-secretário César Miranda de que, na época do PFL, não havia “traidores” no partido, Jayme recusou a expressão, mas criticou os integrantes que, segundo ele, não demonstrariam compromisso com a organização partidária.

“Não vou chamar ninguém de traidor. Há pessoas que não têm espírito partidário. Há pessoas que têm o partido como se fosse um cartório, apenas para registrar sua candidatura. Eu não faço política assim”, afirmou.

O senador defendeu que partidos tenham doutrina, lealdade entre seus membros e compromisso com as decisões internas. Para ele, essas características teriam sido enfraquecidas ao longo dos últimos anos.

“Todo partido precisa de uma doutrina. Lamentavelmente, isso não existe hoje”, disse.

Ataques ao poder econômico

Jayme também utilizou a entrevista para apresentar as linhas gerais do discurso que pretende levar à campanha caso seja homologado.

Ele afirmou que enfrentará o “poderio econômico” e criticou um modelo de Governo que, em sua avaliação, atenderia a grupos restritos. Não indicou nominalmente quais empresas, setores ou agentes políticos estariam envolvidos nas situações mencionadas.

“Vamos ganhar a eleição contra todo o poderio econômico deste Estado. Não faço barganha com meu mandato nem na política”, declarou.

O senador disse pretender construir um Governo voltado para toda a população, com atenção especial aos cidadãos de menor renda.

“O povo mato-grossense quer um Governo que trabalhe para toda a coletividade, não para meia dúzia de apaniguados. Quero colocar minha experiência em defesa de um Estado que seja de todos”, afirmou.

As declarações estabelecem uma linha de confronto com o grupo que administrou Mato Grosso nos últimos anos, embora Jayme tenha participado do mesmo partido de Mauro Mendes e integrado sua base política.

Ao defender um Governo “moderno”, “ágil” e “humano”, o senador buscou diferenciar seu projeto da gestão apoiada pela direção estadual do União Brasil.

Resultado será respeitado

Apesar das críticas ao regulamento, às articulações internas e à inclusão da proposta de apoio a Pivetta, Jayme reiterou que aceitará a vontade da maioria.

“Cada um é livre, cada um tem sua consciência e vota naquilo que achar melhor. Respeito a maioria e respeito a decisão”, disse.

Questionado sobre quem apoiaria caso fosse derrotado — Pivetta ou o senador Wellington Fagundes, candidato do PL —, Jayme recusou-se a antecipar uma posição.

“Não teve nem a convenção e você já está me cobrando antecipadamente. Alto lá”, respondeu.

A reação deixou aberta a conduta política que adotará se não alcançar os votos necessários. Para o senador, porém, essa discussão somente deverá ocorrer depois da apuração.

Até aquele momento, Jayme mantinha o discurso de que a votação seria apenas uma etapa formal antes da campanha ao Governo.

“Tenho certeza de que vou ganhar esta convenção e vamos ganhar o Governo de Mato Grosso com o apoio da população”, concluiu.

 

Nota de Transparência

Esta reportagem foi produzida a partir da entrevista coletiva concedida pelo senador Jayme Campos durante a convenção estadual do União Brasil, realizada em 30 de julho de 2026, em Cuiabá. A transcrição foi revisada para corrigir erros de reconhecimento automático, repetições e marcas da oralidade, sem alterar o sentido das declarações utilizadas.

Fontes consultadas: gravação e transcrição fornecidas ao Nossa República; estatuto do União Brasil; edital oficial da convenção estadual; perfil oficial de Jayme Campos no Senado; e informações publicadas sobre a composição e o processo deliberativo da convenção.



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Redação: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

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