O deputado estadual Júlio Campos afirmou nesta quinta-feira (30) que a decisão tomada pelos convencionais do União Brasil deverá ser obrigatoriamente respeitada pelos representantes do partido no diretório estadual da Federação União Progressista. Segundo ele, se a maioria aprovar a candidatura do senador Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso, os integrantes do colegiado federativo não poderão impedir que o resultado seja encaminhado.
A declaração foi feita durante entrevista coletiva na convenção estadual do União Brasil, realizada no Espaço CDL, em Cuiabá. O partido chegou ao encontro dividido entre o lançamento de Jayme ao Palácio Paiaguás e o apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, posição defendida pelo ex-governador e presidente estadual da legenda, Mauro Mendes.
Júlio sustentou que o resultado deve ser respeitado independentemente de quem vença. Se Jayme for derrotado, seu grupo aceitará a decisão. Se for aprovado, porém, o deputado promete cobrar o cumprimento da vontade manifestada pelos convencionais.
“Se o Jayme Campos perder, vamos respeitar o resultado da convenção. É o desejo da maioria. Se ganhar, vamos exigir que seja cumprida também a vitória”, declarou.
A fala procura estabelecer uma regra política para o período posterior à votação: nenhum dos grupos poderia aceitar a convenção apenas se o resultado lhe fosse favorável. Para Júlio, a legitimidade do processo depende do reconhecimento recíproco da decisão.
Federação será a próxima instância
União Brasil e Progressistas integram a Federação União Progressista e estão submetidos à obrigação de atuar conjuntamente nas eleições. Cada partido realiza sua própria convenção, mas as decisões sobre candidaturas majoritárias e coligações precisam ser compatibilizadas no âmbito da federação.
O PP realizou sua convenção na manhã desta quinta-feira sem homologar uma candidatura ao Governo. A legenda delegou à Federação União Progressista poderes para promover os ajustes necessários na chapa majoritária, mantendo em aberto tanto o apoio a Pivetta quanto a possibilidade de acolher uma candidatura de Jayme.
Caso o União Brasil aprove candidatura própria, a decisão seguirá para a federação. Júlio argumenta que o partido possui a maioria das cadeiras destinadas às duas legendas no diretório estadual e que seus representantes estarão vinculados à posição aprovada na convenção.
“Na federação, o União Brasil tem maioria e vai cumprir o que a convenção decidir. Se a convenção decidir que vai ter candidatura do Jayme Campos, os nossos membros que compõem a federação são obrigados a cumprir a decisão soberana”, afirmou.
O diretório estadual da União Progressista é presidido por Mauro Mendes e tem o ex-senador Cidinho Santos, do PP, na vice-presidência. Também integram o colegiado a senadora Margareth Buzetti, pelo Progressistas, e cinco representantes do União Brasil: Mauro Mendes, Jayme Campos, o deputado federal Fábio Garcia, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco e Aécio Rodrigues.
A composição dá ao União Brasil cinco das sete cadeiras. Isso não significa, contudo, que todos os representantes tenham a mesma posição na disputa atual. Mauro Mendes e Fábio Garcia estão politicamente vinculados ao apoio a Pivetta. Jayme e Dilmar participam do grupo favorável à candidatura própria. Aécio Rodrigues representa a corrente originada do antigo PSL, partido que se fundiu ao Democratas para formar o União Brasil.
A afirmação de Júlio de que os cinco representantes deverão seguir a decisão da convenção expressa a interpretação política e estatutária defendida pelo grupo de Jayme. Uma eventual divergência ainda poderá ser submetida à direção nacional da federação, conforme as regras internas e as competências atribuídas a suas instâncias superiores.
“Aqui todos são convencionais”
Júlio também rejeitou a possibilidade de os cargos ocupados na direção partidária estabelecerem diferenças entre os participantes da votação. Mauro Mendes preside o diretório estadual, mas, de acordo com o deputado, exerce durante a convenção o mesmo direito político dos demais membros habilitados.
“Aqui não tem presidente, não tem secretário, não tem tesoureiro. Aqui todos são convencionais. Hoje, os membros do partido é que vão decidir. A convenção é soberana”, afirmou.
A declaração foi uma resposta à disputa sobre o peso político da direção estadual na condução do processo. O grupo de Jayme sustenta que a presidência de Mauro Mendes lhe concede poderes administrativos e de convocação, mas não autoriza o dirigente a substituir a decisão coletiva dos convencionais.
O edital da convenção colocou em pauta a formação de coligações para as eleições majoritárias, a escolha dos candidatos a governador, vice-governador, senador e suplentes, além das chapas para deputado federal e estadual.
A votação sobre o Governo tornou-se o principal ponto da reunião. De um lado, Jayme Campos reivindica o direito de concorrer com base na estrutura do União Brasil e na tradição do partido de apresentar candidaturas próprias. De outro, Mauro defende a continuidade da aliança governista e a manutenção do apoio a Pivetta.
Resultado pode chegar à direção nacional
Mesmo com a defesa da soberania da convenção, uma eventual candidatura de Jayme não dependerá exclusivamente do União Brasil. A legislação exige atuação conjunta dos partidos federados, e o resultado precisará ser formalizado pela União Progressista.
Se PP e União Brasil adotarem posições diferentes, o diretório estadual da federação será chamado a deliberar. Persistindo o impasse ou havendo questionamento sobre o alcance da decisão, a controvérsia poderá ser submetida à direção nacional.
O grupo de Jayme afirma ter recebido garantias de que a vontade dos convencionais será respeitada. Júlio sustenta, ainda, que o PP não pretende contrariar uma candidatura própria aprovada pelo União Brasil.
A ala de Mauro Mendes trabalha com a possibilidade de o partido rejeitar a candidatura de Jayme ou de a federação optar por Pivetta durante a etapa de composição da chapa. Para esse grupo, a decisão deve considerar o conjunto das duas legendas e a estratégia eleitoral mais ampla da União Progressista.
A convenção, portanto, não representa necessariamente o último ato da disputa, mas estabelecerá a posição oficial do União Brasil. É esse resultado que Júlio Campos pretende levar como orientação obrigatória aos representantes do partido nas instâncias seguintes.
Saída de prefeitos altera lista de votantes
Durante a entrevista, Júlio também foi questionado sobre a renúncia dos prefeitos de Tangará da Serra, Vander Masson, e de Matupá, Bruno Mena, à condição de delegados titulares da convenção.
As desistências permitiram a convocação dos respectivos suplentes e foram interpretadas nos bastidores como uma movimentação capaz de alterar a correlação de votos. Informações divulgadas antes da convenção indicavam que a substituição poderia beneficiar o grupo de Jayme.
A pergunta dirigida ao deputado mencionou uma possível articulação de Mauro Mendes para provocar as renúncias. O trecho disponibilizado da entrevista, entretanto, termina antes da conclusão da resposta de Júlio. Por isso, não é possível atribuir ao parlamentar confirmação ou rejeição definitiva dessa hipótese.
Também houve divergência, ao longo da preparação da convenção, sobre o número exato de votantes. Listas e reportagens mencionaram 48 ou 50 convencionais, conforme a fase de habilitação e substituição dos delegados. Júlio adotou o número de 50 ao defender que todos participariam em igualdade de condições.
Independentemente dessa diferença, o centro da declaração do deputado foi a defesa de que o resultado das urnas internas prevaleça sobre os cargos exercidos na direção partidária. Para Júlio, aceitar essa regra é o compromisso que os dois grupos devem assumir antes da divulgação do placar.
Nota de Transparência
Esta reportagem foi produzida com base na fala do deputado estadual Júlio Campos durante entrevista coletiva na convenção estadual do União Brasil, realizada em 30 de julho de 2026, em Cuiabá. A transcrição foi revisada para retirar repetições e marcas da oralidade, sem alterar o sentido das declarações utilizadas.
Fontes consultadas: gravação da entrevista coletiva; diretório estadual do União Brasil; composição da Federação União Progressista em Mato Grosso; edital da convenção estadual; e informações publicadas sobre a substituição de delegados e a lista de convencionais.






