NOTICIÁRIO Quinta-feira, 30 de Julho de 2026, 11:34 - A | A

Quinta-feira, 30 de Julho de 2026, 11h:34 - A | A

PARTIDO RAIZ

Miranda invoca PFL e pede Jayme candidato

Mauro Camargo

Divulgação

César Miranda

 

Militante histórico da corrente política que deu origem ao atual União Brasil em Mato Grosso, o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico César Miranda defendeu nesta quinta-feira (30) que o partido preserve sua tradição e homologue a candidatura do senador Jayme Campos ao Governo do Estado.

Miranda participou da convenção vestindo uma camiseta com a inscrição “PFL”, numa referência ao antigo Partido da Frente Liberal. A mesma identificação foi adotada por militantes e lideranças alinhadas aos irmãos Jayme e Júlio Campos, que usaram o símbolo histórico para defender que o União Brasil tenha candidatura própria ao Palácio Paiaguás.

Embora tenha integrado por mais de sete anos o primeiro escalão do governo Mauro Mendes, Miranda mantém uma ligação política antiga com os Campos. Ele deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico em abril, depois de Otaviano Pivetta assumir o Governo, para atuar na articulação da pré-candidatura de Jayme.

Durante a convenção, o ex-secretário afirmou ter participado de campanhas ao lado de Jayme, Júlio, do ex-senador Jonas Pinheiro e do próprio Mauro Mendes. Para ele, a reunião dos convencionais representa o momento de garantir que a legenda continue exercendo papel central na política de Mato Grosso.

“Agora é a hora de continuar tendo representatividade na política mato-grossense. É o maior partido do Estado e tenho certeza de que os convencionais não vão desonrar a história do nosso União Brasil”, declarou.

Questionado sobre o possível resultado da votação, Miranda evitou apresentar números, mas respondeu de forma direta:

“Nós vamos vencer.”

Camisetas resgatam identidade do PFL

As camisetas com a inscrição “PFL” funcionaram como uma manifestação política dentro da convenção. O grupo ligado aos Campos procurou associar a defesa da candidatura própria à trajetória da organização partidária que, com diferentes denominações, sustenta há décadas a atuação política da família.

Essa trajetória começou na Arena, partido pelo qual Júlio Campos foi eleito prefeito de Várzea Grande, em 1972, e deputado federal, em 1978. Com o fim do bipartidarismo, Júlio ingressou no PDS e foi eleito governador de Mato Grosso em 1982.

Jayme iniciou sua atuação política no mesmo grupo, participando das campanhas do irmão. Foi eleito prefeito de Várzea Grande pelo PDS em 1982 e governador de Mato Grosso pelo PFL em 1990.

A linha partidária passou pela Arena, PDS, PFL e Democratas até chegar ao União Brasil, formado nacionalmente em 2022 pela fusão do DEM com o PSL. Para os apoiadores de Jayme, recuperar a sigla PFL significa reivindicar a continuidade dessa estrutura política e o espaço ocupado pelos Campos dentro dela.

Ao ser questionado sobre as camisetas, um participante ligado ao grupo respondeu que a iniciativa pretendia “lembrar a história do partido”. Miranda resumiu a identificação em uma palavra:

“Raiz.”

Recado para a direção partidária

A manifestação também expôs a intensidade da divisão interna do União Brasil. O partido chegou à convenção separado entre o grupo que defende Jayme Campos e a ala liderada pelo ex-governador Mauro Mendes, favorável ao apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos.

Um dos integrantes do grupo dos Campos afirmou que o partido nunca havia enfrentado divisão semelhante na escolha de uma candidatura. Miranda, então, acrescentou: “Na época em que não tínhamos traidores no partido.”

A declaração, feita no ambiente da disputa interna, não foi acompanhada da indicação nominal de quem estaria sendo chamado de “traidor”. A frase, contudo, tornou explícito o nível de enfrentamento entre antigos aliados.

O grupo de Jayme entende que defender uma candidatura de outro partido, quando o União Brasil possui estrutura, representação parlamentar e um nome disposto a concorrer, representa uma ruptura com a tradição da legenda.

A ala de Mauro Mendes sustenta posição diferente. Defende a continuidade do projeto político iniciado com sua eleição ao Governo em 2018, mantido na reeleição de 2022 e transferido a Pivetta após a renúncia de Mendes para disputar o Senado. Nessa interpretação, apoiar o atual governador preservaria a aliança governista construída nos últimos anos.

Miranda deixou Governo por Jayme

César Miranda ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico durante os dois mandatos de Mauro Mendes. Permaneceu no cargo por sete anos e três meses, período no qual participou diretamente da política econômica do Estado.

Sua presença no Governo, entretanto, não rompeu a relação histórica com Jayme. Miranda chegou ao primeiro escalão por indicação do senador e, diante da possibilidade de uma disputa entre Jayme e Pivetta, decidiu deixar a administração estadual.

Servidor de carreira da Assembleia Legislativa, Miranda também exerceu funções no Senado e ocupou secretarias municipais em Várzea Grande, base eleitoral dos Campos. Sua trajetória administrativa foi construída paralelamente à atuação dentro do grupo político comandado pelos dois irmãos.

Ao abandonar o Governo para atuar na pré-campanha de Jayme, o ex-secretário estabeleceu uma fronteira entre a participação administrativa na gestão de Mauro Mendes e sua fidelidade política ao grupo dos Campos.

Na convenção, essa posição apareceu de forma simbólica na camiseta do PFL e, de maneira direta, na defesa da candidatura própria.

Decisão ultrapassa o União Brasil

Os convencionais foram chamados a deliberar sobre as candidaturas ao Governo, ao Senado e às disputas proporcionais. Jayme busca a homologação de seu nome para o Palácio Paiaguás, enquanto Mauro Mendes pretende concorrer ao Senado e manter o partido na aliança de Pivetta.

Mesmo que a candidatura de Jayme seja aprovada, a decisão ainda precisará ser compatibilizada com o Progressistas. União Brasil e PP integram a Federação União Progressista e, pela legislação eleitoral, devem atuar como uma única organização.

O PP evitou tomar uma posição definitiva sobre a disputa pelo Governo em sua convenção estadual e transferiu à federação a responsabilidade pelos ajustes da chapa majoritária. Se houver divergência entre os dois partidos, o conflito poderá chegar à direção nacional.

Para o grupo dos Campos, entretanto, a votação do União Brasil possui um significado político próprio. Além de decidir o futuro imediato de Jayme, indicará se a direção estadual continuará submetida à liderança construída por Mauro Mendes ou se retomará o caminho da candidatura própria defendido pelos antigos militantes do PFL.

Foi essa disputa pelo controle político e pela identidade partidária que as camisetas trouxeram para dentro da convenção. Mais do que uma lembrança do passado, a inscrição “PFL” foi utilizada como declaração de posição sobre o futuro do União Brasil.

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Nota de Transparência

Esta reportagem foi produzida a partir da fala de César Miranda e das manifestações registradas durante a convenção estadual do União Brasil, realizada nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, em Cuiabá. A transcrição foi revisada para corrigir marcas da oralidade, sem alterar o sentido das declarações.

A trajetória partidária de Jayme e Júlio Campos foi conferida em registros biográficos, páginas institucionais e reportagens sobre a convenção. As informações sobre a passagem de César Miranda pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e sua vinculação política a Jayme Campos foram verificadas em registros públicos e publicações da imprensa de Mato Grosso.

A expressão “traidores” foi reproduzida por seu interesse jornalístico e permanece atribuída exclusivamente a César Miranda. O ex-secretário não identificou nominalmente a quem se referia, razão pela qual a reportagem não faz inferências sobre os destinatários da declaração.

O trabalho seguiu os princípios do SEI-NR — Sistema Editorial Inteligente do Nossa República, modelo de governança em desenvolvimento que integra inteligência artificial, protocolos editoriais, checagem, memória institucional e supervisão humana para ampliar rigor, transparência, rastreabilidade, qualidade e eficiência, sem substituir o papel decisório do jornalista.

Fontes consultadas: registro audiovisual fornecido ao Nossa República; biografia política de Jayme Campos; perfil oficial no Senado; informações sobre a saída de César Miranda da Sedec; e composição dos convencionais do União Brasil.



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