O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) confirmou que mantém sociedade empresarial com o ex-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho na Brasbio – Brasil Bioenergia S.A., empreendimento do setor de etanol instalado em Uruçuí, no Piauí. Ao falar sobre a origem dos recursos investidos pelos participantes do negócio, Pivetta afirmou que pode responder pelos próprios aportes, mas não pelos realizados pelos demais sócios.
A declaração ganha relevância porque Mauro Carvalho foi alvo da Operação Heritage, investigação da Polícia Federal sobre o acordo de R$ 308,1 milhões celebrado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi e sobre a movimentação posterior de recursos por empresas e fundos de investimentos.
Pivetta, conforme os elementos públicos conhecidos da investigação, não aparece como investigado na operação.
Ao explicar a formação da Brasbio, o governador disse que o empreendimento começou a partir de uma parceria com o produtor rural Cornelio Sanders e posteriormente abriu espaço para a entrada de outros investidores.
“Um deles foi o Mauro Carvalho, que teve interesse. Nós abrimos a possibilidade de ter mais sócios”, afirmou Pivetta em manifestação pública divulgada nesta segunda-feira (17). O governador informou ainda que o genro de Carvalho possui participação de 1% no empreendimento.
Pivetta sustentou que a Brasbio possui mecanismos de governança, transparência e balanços publicados e que os acionistas realizam aportes de acordo com as chamadas de capital da companhia.
Questionado especificamente sobre a procedência dos recursos utilizados pelos demais investidores, separou sua responsabilidade da dos outros participantes.
“Eu não posso adivinhar ou querer saber de onde os sócios tiram o recurso para aportar. O meu, eu tenho CPF e sei de onde saiu para ser aportado. Cada um tem que responder pelo seu”, declarou.
Pivetta rejeita vínculo com caso Oi
O governador também rejeitou a hipótese de que recursos relacionados ao acordo da Oi tenham sido utilizados na Brasbio.
“É especulação dizer que teve recurso desse negócio. Não tem nada a ver”, afirmou. Na sequência, disse que Mauro Carvalho poderia fornecer explicações detalhadas sobre os recursos correspondentes à participação dele.
A manifestação ocorre depois da divulgação de documentos societários indicando que o Green Lake Fundo de Investimentos em Participações chegou a integrar o capital da Brasbio. Segundo os documentos divulgados originalmente pelo PNB Online, o fundo aportou aproximadamente R$ 10,9 milhões e detinha cerca de 10% do capital da empresa em março de 2025.
Também aparecem na estrutura societária empresas relacionadas a Mauro Carvalho e a seu genro. A H4 Holding, por exemplo, realizou aportes no empreendimento, enquanto Carvalho exerceu funções na administração da Brasbio durante parte de sua expansão.
A existência dessas relações societárias, entretanto, não demonstra que os recursos aplicados na Brasbio tenham origem no dinheiro pago pelo Estado à Oi.
Esse elo financeiro não está comprovado pelos documentos públicos examinados até agora.
Da mesma maneira, a participação de uma pessoa, empresa ou fundo numa estrutura societária submetida à investigação não permite concluir, isoladamente, pela existência de irregularidade.
A questão central a ser esclarecida pela investigação é justamente a origem e o percurso dos recursos.
No caso específico de Pivetta, sua manifestação estabelece uma linha de defesa objetiva: reconhece a sociedade com Mauro Carvalho, confirma a participação de outros investidores e sustenta que conhece e pode demonstrar a procedência de seus próprios aportes, mas afirma não ter responsabilidade pela origem dos valores investidos pelos demais sócios.
A Brasbio também já havia negado relação com a Operação Heritage. A empresa afirmou que suas operações societárias foram formalmente registradas e que os recursos recebidos passaram por procedimentos de conformidade.
Nota de Transparência
Esta reportagem foi produzida prioritariamente a partir das declarações públicas de Otaviano Pivetta sobre a composição societária da Brasbio, seus próprios aportes e os investimentos realizados pelos demais acionistas.
Em conformidade com o protocolo de fontes do SEI-NR, textos autorais de outros veículos não foram incorporados à reportagem. As declarações entre aspas são atribuídas diretamente ao governador; informações jornalísticas exclusivas utilizadas para contextualização são identificadas e creditadas.
O Nossa República não afirma que recursos do acordo entre Mato Grosso e a Oi tenham sido destinados à Brasbio. Até esta publicação, esse percurso financeiro não está comprovado nos elementos públicos consultados. Também não foram encontrados elementos públicos indicando Otaviano Pivetta como investigado na Operação Heritage.






