A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (14) o empresário Henrique Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na 6ª fase da Operação Compliance Zero. A prisão, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A operação cumpre ao todo sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens.
Segundo a PF, o objetivo da nova fase é aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos. A ação mira o chamado "núcleo violento" do grupo — identificado nas investigações como "A Turma" —, uma milícia privada utilizada para monitorar ilegalmente e intimidar adversários, autoridades e jornalistas.
De acordo com informações da Polícia Federal, Henrique Vorcaro integrava esse núcleo violento da organização. Além dele, foram expedidos mandados de prisão contra um agente aposentado da PF e uma delegada da instituição, que foi afastada do cargo. A presença de agentes públicos no esquema — e dentro da própria corporação que agora os persegue — é um dos fios mais graves dessa meada.
Conexão com o esquema Master
A prisão de Henrique Vorcaro não é um fato isolado. Ela se insere na mais nova fase da operação que já dura sete meses e que desmontou o maior esquema de fraudes financeiras envolvendo o sistema bancário brasileiro desde o caso Banco Panamericano.
A trama teve início com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar para o exterior no Aeroporto de Guarulhos. O banco foi liquidado pelo Banco Central dois dias depois, em 18 de novembro, após um rombo estimado em R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Em março deste ano, a PF descobriu que Daniel Vorcaro, mesmo após a primeira prisão, continuou a operar o esquema e "ocultou" R$ 2,2 bilhões em uma conta em nome do pai, Henrique Vorcaro, na Reag Investimentos. A informação consta da decisão de André Mendonça que autorizou a terceira prisão do banqueiro. À época, a defesa de Henrique negou qualquer envolvimento, afirmando desconhecer "a existência de qualquer conta e com tais valores".
As fases da operação
A Compliance Zero começou em novembro de 2025 e, desde então, avança em camadas. Na 4ª fase, em 16 de abril, foram presos o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema. Na 5ª fase, em 7 de maio, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, tornou-se alvo da operação.
A 6ª fase chega um dia após o vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro negociando R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro — revelação que colocou o pré-candidato à Presidência no centro da crise do Banco Master.
O que diz a defesa
Henrique Vorcaro foi encaminhado para a sede da PF em Belo Horizonce, onde permanece à disposição da Justiça. Até a publicação desta edição, sua defesa não havia se manifestado sobre a prisão.




