O presidente estadual do Progressistas, Nilson Leitão, afirmou nesta quinta-feira (30) que o partido não tomará posição isolada entre a candidatura do senador Jayme Campos, do União Brasil, e o apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos. Segundo ele, o PP homologará seus candidatos, entregará a ata à Federação União Progressista e acompanhará a decisão conjunta sobre a disputa pelo Governo de Mato Grosso.
A declaração foi dada durante entrevista coletiva na convenção estadual do União Brasil, realizada no Espaço CDL, em Cuiabá. Pré-candidato a deputado federal, Leitão explicou que o PP realizou sua convenção pela manhã para indicar os nomes que pretende incorporar às chapas majoritária e proporcional da federação.
Entre as definições estão a candidatura da senadora Margareth Buzetti a uma das duas vagas ao Senado e a indicação do ex-senador José Aparecido dos Santos, o Cidinho, como primeiro suplente. O partido não apresentará candidato a vice-governador.
“Nós vamos apresentar os nossos nomes, a senadora e o suplente de senador, as chapas estadual e federal. Vamos acompanhar o candidato ao Governo escolhido pelo União Brasil e pela federação”, declarou.
Leitão argumentou que o PP não poderia declarar apoio formal a Jayme ou Pivetta antes das respectivas convenções. O União Brasil deliberava nesta quinta-feira sobre a candidatura de Jayme, enquanto o Republicanos ainda realizará sua convenção para homologar Pivetta.
“Não existe ainda candidato formalizado para que a gente possa declarar apoio em nenhuma das duas situações. É uma questão jurídica que só vai ocorrer depois da convenção. Eu não posso declarar apoio a alguém que ainda não foi homologado pelo partido”, afirmou.
Federação assume decisões eleitorais
Nilson Leitão explicou que PP e União Brasil precisam realizar convenções próprias para indicar seus candidatos, mas a apresentação final das chapas caberá à Federação União Progressista.
As federações partidárias funcionam como uma única organização para fins eleitorais e parlamentares. Depois de constituídas, seus integrantes devem agir conjuntamente durante as eleições e por todo o período de vigência da federação. Isso inclui as chapas proporcionais, as alianças majoritárias e a atuação das bancadas no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas.
“A figura partidária desaparece a partir dali e passa a ter uma federação no comando de tudo isso, inclusive dos mandatos, com liderança única dentro do Congresso e do Senado”, explicou Leitão.
A expressão utilizada pelo presidente do PP não significa que as duas legendas deixem juridicamente de existir. União Brasil e Progressistas preservam suas estruturas, seus filiados e suas instâncias internas, mas devem atuar de forma unificada nas disputas eleitorais e na atividade parlamentar.
No processo descrito por Leitão, o PP aprova seus candidatos em ata e encaminha os nomes para serem incorporados à lista da federação. O União Brasil faz o mesmo e, depois, o órgão federativo apresenta os pedidos de registro à Justiça Eleitoral.
“A gente fecha a nossa ata e entrega ao União Brasil, que dá continuidade para que a federação finalize. Quem encaminha os nomes à Justiça Eleitoral é a federação, não é o PP nem o União Brasil”, afirmou.
Nas eleições estaduais, os pedidos de registro das candidaturas são processados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso.
PP evita interferir na disputa interna
Ao recusar uma manifestação antecipada, Leitão procurou manter o PP fora da divisão que se estabeleceu no União Brasil.
Jayme Campos defende candidatura própria ao Governo e sustenta que o partido não deve abrir mão de disputar o Palácio Paiaguás. Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil, trabalha para preservar a aliança governista e apoiar Pivetta.
Leitão reconheceu as qualidades políticas dos dois possíveis candidatos, mas evitou apontar preferência.
“O governador Otaviano Pivetta está atuando, tem demonstrado sua forma de governar e agrada a todos nós. O senador Jayme Campos também tem história, trabalho prestado, proximidade conosco e pertence ao União Brasil”, disse.
Para o presidente do PP, o primeiro passo é aguardar a decisão dos convencionais do União Brasil. Somente depois será possível avaliar como a federação compatibilizará as posições das duas legendas.
“É preciso pensar além da vontade, pensar na ética e naquilo que a política nos dá, que é o calendário. O calendário primeiro é vencer o dia de hoje. Depois disso, o PP vai se pronunciar”, afirmou.
Leitão acrescentou que não pretendia “contaminar” a convenção com uma posição pessoal antes da votação do partido aliado.
Margareth será candidata ao Senado
O encaminhamento mais definido do Progressistas é a candidatura de Margareth Buzetti ao Senado. O PP também apresentará Cidinho Santos como primeiro suplente.
Margareth chegou a ser mencionada nas articulações políticas como uma possível candidata a vice-governadora na chapa de Pivetta. Leitão confirmou que o nome foi discutido, mas afirmou que a decisão partidária é lançá-la ao Senado.
“Foi lembrada pela imprensa e por muita gente, mas o nosso encaminhamento será para a candidatura ao Senado. O União Brasil tem Mauro Mendes e o PP vai apresentar Margareth Buzetti”, declarou.
A federação poderá, em princípio, lançar Mauro e Margareth para as duas vagas de senador em disputa. Essa composição, entretanto, ainda dependerá da candidatura ao Governo, da formação das alianças e das negociações com outros partidos.
Leitão também foi questionado sobre a possibilidade de a deputada estadual Janaina Riva, do MDB, ocupar a vaga de vice na chapa de Pivetta. Ele evitou interferir:
“Não aprovo nem reprovo. Isso é uma decisão interna do candidato a governador.”
Janaina mantém pré-candidatura ao Senado, mas participa de conversas para integrar uma possível chapa governista. A definição depende, entre outros fatores, do resultado da convenção do União Brasil e do posicionamento da Federação União Progressista.
PP apresenta cinco nomes à Câmara
Para a disputa de deputado federal, Leitão informou que o PP pretende apresentar pelo menos cinco candidatos e negociar para que o União Brasil indique outros quatro. A chapa da federação teria, assim, nove nomes.
Entre os pré-candidatos mencionados estão o próprio Nilson Leitão, o ex-deputado federal Victório Galli, Paulo José, de Rondonópolis, e a vereadora de Cáceres Andrelina Magaly. Uma segunda mulher deverá ser apresentada pelo partido para completar a lista.
A inclusão de mais uma candidata, segundo Leitão, tornou-se necessária para atender à cota de gênero. A norma eleitoral determina que cada gênero represente no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas proporcionais.
No caso das federações, a regra deve ser observada duas vezes: na lista global apresentada pela federação e também nas indicações feitas individualmente por cada partido integrante.
“O PP tinha três homens e uma mulher, o que dava 25%. Precisamos acrescentar mais uma mulher para alcançar o mínimo de 30% e atender à cota feminina”, explicou.
Leitão afirmou que a adequação provocou mudanças na montagem da chapa, mas avaliou que a exigência amplia a presença de mulheres na disputa.
Os nomes para deputado estadual ainda não estavam inteiramente consolidados durante a entrevista. O presidente do PP estimou que a legenda poderia apresentar três candidatos, que seriam somados às indicações do União Brasil.
A partir da formalização da federação, as candidaturas proporcionais das duas legendas formarão listas únicas para deputado federal e estadual. Os votos dados aos candidatos e às legendas serão considerados conjuntamente no cálculo das vagas conquistadas.
Risco de efeito colateral
Nilson Leitão reconheceu que a disputa entre Jayme Campos e Mauro Mendes poderá produzir consequências para o grupo político, qualquer que seja o resultado.
O ex-senador Cidinho Santos, vice-presidente estadual da Federação União Progressista, participa das conversas para evitar que a convenção provoque um rompimento definitivo. Leitão disse que o momento exige paciência e diálogo.
“Pode ter efeito colateral. Política é diálogo e precisa dialogar muito neste momento. Cidinho está fazendo esse trabalho quase diariamente para tentar evitar qualquer racha”, afirmou.
A preocupação é que o grupo derrotado se afaste da campanha ou estabeleça novas articulações. Se Jayme vencer, a federação terá de decidir se homologa sua candidatura ou mantém as negociações com Pivetta. Se perder, o senador e seus aliados terão de avaliar como participarão de uma campanha liderada pelo atual governador.
Leitão evitou antecipar o desfecho e encerrou a entrevista recorrendo a uma conhecida expressão sobre a imprevisibilidade política:
“Pode acontecer tudo, inclusive nada.”
Nota de Transparência
Esta reportagem foi produzida a partir da entrevista coletiva concedida por Nilson Leitão durante a convenção estadual do União Brasil, realizada em 30 de julho de 2026, em Cuiabá. A transcrição foi revisada para corrigir repetições, marcas da oralidade e erros de reconhecimento automático, sem alterar o sentido das declarações.
A afirmação de Leitão sobre recente alteração na cota de gênero foi confrontada com a Resolução TSE nº 23.609/2019, em sua redação atualizada. A norma estabelece que, nas federações, os percentuais mínimos e máximos devem ser observados tanto na lista global quanto nas indicações realizadas por cada partido. A reportagem não confirmou como fato o prazo de 40 dias mencionado pelo dirigente.
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Fontes consultadas: gravação e transcrição da entrevista coletiva; Resolução TSE nº 23.609/2019, atualizada para 2026; orientações do TSE sobre registro de candidaturas; e informações públicas sobre as chapas do Progressistas e da Federação União Progressista em Mato Grosso.






