NOTICIÁRIO Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 09:30 - A | A

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ELEIÇÕES 2026

Wellington cobra aplicação do FEX e promete diálogo

Da Redação

Assessoria

Wellington no ANF

 

O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) respondeu nesta segunda-feira (17) às críticas do governador Otaviano Pivetta sobre a destinação de emendas parlamentares, cobrou explicações sobre a aplicação de recursos recebidos pelo Estado e apresentou as prioridades de seu programa de governo.

Em entrevista aos jornalistas Mauro Camargo e Luciana Gaviglia, no programa A Notícia de Frente, da TV Vila Real, Wellington afirmou que os recursos destinados por ele ao Estado e aos municípios podem ser consultados nos sistemas oficiais. O senador defendeu que sua trajetória seja comparada com a dos adversários a partir dos resultados de cada mandato.

“Quando não têm o que falar de bem da sua vida, começam a apontar dedos. Nós vamos ter uma oportunidade de uma eleição agora. Tudo está na internet, tudo é publicado em relação às emendas. É transparente. É só ir lá e olhar”, declarou.

A resposta foi acompanhada de um contra-ataque político. Wellington questionou a aplicação dos recursos recebidos por Mato Grosso como compensação pelas perdas provocadas pela desoneração das exportações. Segundo o candidato, quase R$ 3 bilhões ingressaram nos cofres estaduais desde 2020 por meio do acordo relacionado ao Fundo de Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações, o FEX.

“Eu quero saber: se esse dinheiro entrou, por que não fizeram as estradas? Por que Mato Grosso ainda tem rodovias com problemas? Por que não fizeram a manutenção necessária? Eu lutei em Brasília para que Mato Grosso recebesse esses recursos. Agora, quem governa tem que mostrar onde o dinheiro foi aplicado”, afirmou.

Wellington reivindicou participação na construção da solução legislativa para as compensações decorrentes da Lei Kandir. Na avaliação dele, Mato Grosso, por sua participação nas exportações brasileiras, deve receber recursos proporcionais à contribuição de sua economia.

O candidato também relacionou sua atuação parlamentar à criação da Universidade Federal de Rondonópolis, à expansão do ensino profissionalizante e à formulação de políticas destinadas à população idosa e às pessoas com deficiência.

“Minha vida sempre foi essa: procurar ajudar, trazer recursos e melhorar a qualidade de vida da população”, resumiu.

Segurança, servidores e obras

Wellington colocou a segurança pública entre as prioridades de um eventual governo. Ele defendeu a recomposição do efetivo, a valorização dos profissionais, o investimento em inteligência e o uso de novas tecnologias, incluindo ferramentas de inteligência artificial.

“Não adianta pistola, não adianta arma, se o policial estiver mal socialmente, se a vida dele e a família dele estiverem desprotegidas”, disse.

O candidato sustentou que o enfrentamento ao crime organizado e à violência contra as mulheres dependerá da integração das forças de segurança com os municípios e as estruturas sociais do Estado. Para ele, prevenção, investigação e presença do poder público precisam fazer parte de uma mesma política.

Na relação com os servidores estaduais, Wellington assumiu o compromisso de pagar a Revisão Geral Anual, a RGA, e prometeu abrir o diálogo com as categorias no início do mandato, caso seja eleito.

“Não pode o governo ser caloteiro com o servidor público. O RGA é atualização monetária”, afirmou.

Outra proposta apresentada foi a implantação do que chamou de “governo dos mutirões” — ou “Muxirum”, na expressão tradicional da Baixada Cuiabana. O objetivo seria mobilizar Estado, prefeituras, câmaras municipais, servidores e comunidades para concluir obras paralisadas.

“Quero chamar todos os municípios, todos os prefeitos, presidentes de câmaras e vereadores para fazer um verdadeiro mutirão para concluir as obras inacabadas”, declarou.

O trabalho começaria, segundo ele, por creches, escolas, unidades de saúde e obras de menor porte. Projetos estruturantes seriam incorporados posteriormente, conforme planejamento técnico e disponibilidade financeira.

Na infraestrutura, Wellington defendeu que as obras sejam executadas com projetos consistentes, fiscalização e respeito aos pareceres técnicos. Ao mencionar rodovias estaduais e o Portão do Inferno, disse que decisões políticas não podem se sobrepor à engenharia.

“Eu quero fazer e vou fazer bem feito. Agora, quem vai fazer são os técnicos, respeitando o técnico”, afirmou.

Habitação e oportunidades

Wellington também prometeu recolocar a habitação entre as prioridades estaduais. Para ele, a casa própria oferece segurança às famílias e deve receber maior atenção na distribuição dos investimentos públicos.

“Governar é cuidar de pessoas”, disse.

Para os jovens, o candidato propôs ampliar o ensino profissionalizante, fortalecer os institutos federais e criar linhas subsidiadas de financiamento para novos empreendedores. Também defendeu estímulos às startups, escolas em tempo integral e a convivência de diferentes modelos educacionais, incluindo as escolas militares.

Ao falar sobre a economia estadual, Wellington afirmou que o crescimento da produção e da arrecadação precisa resultar em melhores serviços públicos.

“Não podemos ficar apenas comemorando o tamanho da nossa economia. Precisamos transformar essa riqueza em qualidade de vida. O produtor precisa de estrada, o trabalhador precisa de transporte, a família precisa de saúde e segurança. É isso que o governo precisa entregar”, declarou.

Crítica ao fechamento político

A defesa do diálogo foi um dos pontos centrais da entrevista. Wellington criticou o que considera um ambiente de isolamento político e afirmou que prefeitos, vereadores, servidores, empresários, produtores e cidadãos precisam ter acesso ao governo, inclusive para apresentar críticas.

“Não podemos viver em um Estado onde ninguém pode falar com ninguém. Governo precisa ouvir prefeito, vereador, produtor, servidor, empresário, trabalhador. Quem governa tem que ter coragem para ouvir a crítica e dar resposta”, disse.

O candidato também se solidarizou com Luciana Gaviglia pela reação do governador Otaviano Pivetta a uma pergunta feita pela jornalista, na semana anterior, sobre o déficit de efetivo na segurança pública.

Wellington afirmou que jornalistas têm o direito de formular perguntas incômodas e que autoridades precisam estar preparadas para responder e prestar contas.

“Você estava fazendo o seu trabalho. Jornalista pergunta, jornalista questiona, jornalista cobra. Quem está na vida pública precisa estar preparado para responder”, declarou.

Ao final, Wellington disse que pretende conduzir a campanha sem ataques pessoais e com respeito aos adversários. A síntese apresentada por ele para a candidatura foi a defesa de um governo mais próximo das pessoas.

“Eu quero ser um governador humano, para cuidar de gente, de gente que precisa. Colocar a mão do Estado onde o Estado está tão longe”, concluiu.

NOTA DE TRANSPARÊNCIA

Esta reportagem foi produzida a partir da entrevista concedida por Wellington Fagundes aos jornalistas Mauro Camargo e Luciana Gaviglia, no programa A Notícia de Frente, da TV Vila Real, na manhã de 17 de agosto de 2026, e da transcrição fornecida à Redação. As declarações, propostas, valores e avaliações políticas atribuídas ao candidato foram mantidas como manifestações dele. O texto foi organizado e editado segundo critérios jornalísticos de clareza, relevância pública, contextualização e separação entre fatos, promessas eleitorais e opiniões do entrevistado. As alegações sobre emendas, recursos do FEX e resultados da atuação parlamentar demandam confrontação com os registros oficiais e com as manifestações do Governo de Mato Grosso.



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