O alerta emitido pela comunidade científica sobre a configuração de um "Super El Niño" não é apenas uma previsão meteorológica; é um ultimato econômico e social para Mato Grosso. Com o Oceano Pacífico atingindo temperaturas até 3°C acima da média, o cenário de "efeito tampa" sobre Cuiabá e a irregularidade severa das chuvas deixam de ser hipóteses para se tornarem ameaças iminentes. Diante disso, a pergunta que fica é: onde estão os planos de contingência robustos das nossas autoridades?
No campo, o agronegócio — motor que sustenta mais de 70% da nossa economia — caminha para um período de incertezas que pode dizimar safras inteiras. Não basta ao produtor rural fazer aceiros ou monitorar o solo; é preciso que o Estado e a União estabeleçam, agora, mecanismos de suporte financeiro e renegociação de crédito que antecipem o desastre, e não que apenas tentem remediar o prejuízo após a quebra. O setor não sobrevive apenas de resiliência, mas de políticas públicas que garantam segurança jurídica e financeira em tempos de extremos.
Na saúde, o cenário é ainda mais alarmante. A inversão térmica e a fumaça das queimadas são velhas conhecidas, mas a intensidade prevista para este ciclo exige um reforço imediato na rede pública. É inaceitável que, ano após ano, assistamos ao colapso dos atendimentos cardiorrespiratórios sem que haja uma ampliação preventiva de leitos e estoques de insumos específicos para este período. A responsabilidade é compartilhada, mas a omissão tem sido a regra.
O que se espera é que governo e prefeituras tomem todas as medidas possíveis para mitigar os riscos garantindo ações de prevenção para evitar tragédias como a que ocorreram em 2020, quando milhares de animais morreram queimados no Pantanal e o Mato Grosso inteiro ardeu em chamas,
Mato Grosso não pode ser refém da sorte. É imprescindível uma postura proativa das autoridades estaduais e federais. O clima não espera a burocracia, e o custo da inércia, como bem sabemos, sempre recai sobre o bolso do contribuinte e a saúde do cidadão.




