Durante a Cúpula dos Líderes da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande (MS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a ampliação de duas importantes unidades de conservação em território mato-grossense: o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e a Estação Ecológica de Taiamã. As medidas fazem parte de um conjunto de ações para fortalecer a proteção da biodiversidade no bioma pantaneiro e nas rotas migratórias de espécies que atravessam o país.
Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense ganha ampliação histórica
O Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, localizado em Poconé e reconhecido internacionalmente por sua importância ecológica, receberá uma expansão significativa. A unidade, que atualmente possui cerca de 135 mil hectares, será ampliada com a incorporação de novas áreas estratégicas para garantir conectividade ecológica e fortalecer ações de preservação hídrica e controle de queimadas. A ampliação atende a demandas de especialistas que há anos defendem o aumento da área protegida como forma de mitigar os efeitos das mudanças climáticas no Pantanal, cada vez mais afetado por secas extremas e incêndios de grande escala.
Estação Ecológica de Taiamã quintuplica de tamanho
Outra unidade que receberá reforço de proteção é a Estação Ecológica de Taiamã, em Cáceres. A área, uma das mais preservadas regiões do Pantanal e essencial para pesquisas científicas, ampliará sua extensão de 11,2 mil hectares para mais de 68 mil hectares, um aumento superior a 500%. A região é reconhecida como laboratório natural para estudos sobre restauração ambiental, comportamento de espécies e dinâmica dos ecossistemas pantaneiros. A ampliação permitirá maior monitoramento de espécies migratórias e fortalecerá ações conduzidas por instituições como a UNEMAT e o Instituto Gaia, que atuam diretamente no local.
Brasil chega à COP15 com agenda própria
No discurso que encerrou a Cúpula dos Líderes, Lula destacou que a delegação brasileira chega à COP15 com três prioridades centrais: dialogar a partir das responsabilidades comuns, porém diferenciadas; ampliar e mobilizar recursos financeiros multilaterais para países em desenvolvimento; e universalizar a Declaração do Pantanal, mecanismo que busca o engajamento de mais nações na proteção das rotas migratórias.
Segundo o presidente, a América Latina precisa fortalecer cooperação e estratégias conjuntas de conservação. “A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”, afirmou.
Meta de proteger 30% do território oceânico até 2030
Lula também reforçou o compromisso brasileiro com a meta global de proteção marinha. “Nosso objetivo é alcançarmos a meta de até 2030 garantir 30% de proteção da área oceânica, conforme prevê a Convenção sobre Diversidade Biológica”, disse o presidente ao assinar os decretos que, juntos, criam e ampliam mais de 145 mil hectares de áreas protegidas no país.
Cooperação multilateral em meio a tensões globais
O presidente destacou ainda que a COP15 ocorre em um contexto mundial marcado por conflitos, atentados à soberania e ações unilaterais. Segundo ele, o caminho para enfrentar crises internacionais passa por fortalecimento das instituições multilaterais e pactos de cooperação entre países. “Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade”, declarou.
As informações são da jornalista Fabíola Sinimbú, da Agência Brasil.




