A economia criativa deixou de ser apenas uma pauta ligada à cultura e passou a ocupar espaço estratégico nas políticas públicas de Mato Grosso. A avaliação é da superintendente de Desenvolvimento da Economia Criativa da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), Alessandra Keiko Okamura, em entrevista à jornalista Michely Figueiredo, no Jornal da Cultura, da Cultura FM 90.7, na manhã desta quinta-fei
Segundo ela, o Estado vem construindo, desde 2014, uma política voltada ao fortalecimento do setor, com ações de formação, editais específicos, consultorias e programas de aceleração de negócios criativos. O objetivo é transformar agentes culturais em empreendedores e ampliar a sustentabilidade econômica da atividade.
Okamura explicou que a superintendência surgiu a partir de uma iniciativa federal voltada à implantação de espaços de economia criativa e, depois, foi incorporada à estrutura da Secel. Em seguida, o governo estadual criou o programa Mato Grosso Criativo, reunindo diferentes secretarias para atuar de forma integrada no desenvolvimento do setor.
A superintendente destacou que a economia criativa tem como principal insumo a criatividade e engloba segmentos como audiovisual, música, artes cênicas, literatura, patrimônio, artesanato, moda, turismo, gastronomia, publicidade e negócios digitais. Para ela, o desafio é fazer com que a cultura seja reconhecida também como atividade econômica capaz de movimentar cadeias produtivas, gerar empregos e estimular a circulação de renda.
“Não estamos falando de uma coisa etérea. É uma realidade que já está acontecendo”, afirmou.
A superintendente lembrou que, durante a pandemia, a Lei Aldir Blanc permitiu a criação de editais com caráter formativo, voltados a transformar ideias em negócios. Desde então, a Secel passou a investir em maratonas de negócios criativos, programas de aceleração e ações voltadas à profissionalização dos empreendedores culturais.
De acordo com Okamura, o resultado já aparece nos números. Em uma das últimas edições de edital voltado ao setor, o Estado saltou de cerca de 80 projetos inscritos para mais de 300. A participação também se ampliou no interior, alcançando 72 municípios.
Ela citou ainda iniciativas municipais que começaram a estruturar políticas próprias para a área, como Gaúcha do Norte, Lucas do Rio Verde e Juína. Para a superintendente, o movimento mostra que a economia criativa já começa a sair do campo da ideia e se consolidar como política pública.
Okamura também ressaltou o impacto social da atividade. Segundo ela, além de ampliar a renda de trabalhadores da cultura, a economia criativa abre espaço para outras profissões, como contadores, advogados, administradores, profissionais de tecnologia e do turismo. O setor, disse, também contribui para a formação técnica e para a democratização do acesso à cultura.
A superintendente citou estudos que apontam que cada real investido no audiovisual pode retornar entre cinco e oito reais à economia. Em Mato Grosso, uma parceria com o Itaú Cultural deve apresentar em breve dados específicos sobre o PIB da economia criativa no Estado.
Ela defendeu ainda que municípios, Estado e União avancem na construção de planos, fundos e mecanismos permanentes de financiamento. “Política pública sem dinheiro é intenção”, resumiu.
Para quem quer ingressar no setor, Okamura afirmou que já existem cursos online gratuitos, canais oficiais da Secel e do MT Criativo, além de programas presenciais que devem ser levados também ao interior do Estado. A orientação, segundo ela, é buscar formação e entender que a economia criativa exige organização, planejamento e profissionalização.
“É uma possibilidade real de desenvolvimento e sustentabilidade”, concluiu.




