Em entrevista concedida ao "Jornal da Cultura", na Cultura FM 90.7, aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, abordou a atuação do governo federal na abertura de novos mercados internacionais para produtos agropecuários, especialmente diante de desafios como os tarifários impostos por Estados Unidos e México. Ele atribuiu o sucesso a uma diplomacia proativa e às políticas do presidente Lula.
"Eu digo que o presidente Lula é um homem predestinado. Eu não acredito em coincidência", declarou Fávaro, ressaltando que, em seu terceiro mandato, o presidente estabeleceu como prioridade "restabelecer as boas relações diplomáticas do Brasil com o mundo". O Brasil, sem histórico de contenciosos internacionais, sempre foi reconhecido por sua diplomacia.
O ministro mencionou a superação de tentativas de animosidade com os Estados Unidos, uma relação diplomática de duzentos e um anos. A diplomacia brasileira, encabeçada pelo presidente Lula, conseguiu reverter a situação. O presidente realizou vinte e quatro missões internacionais, dezenove lideradas por ele e cinco pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Essas missões, acompanhadas por delegações de empresários, resultaram na abertura de "quinhentos novos mercados" para os produtos da agropecuária brasileira. Fávaro enfatizou que a diversificação foi gigantesca, abrangendo não apenas commodities tradicionais como soja e carne, mas também produtos da agricultura familiar e da floresta.
Como exemplo, o ministro citou a abertura do mercado de açaí brasileiro para a Índia, um país com um bilhão e quatrocentos milhões de pessoas. Outros produtos como feijões, pulses e gergelim também ganharam acesso a mercados na Índia, China e Oriente Médio. "Tudo isso é o excedente da nossa produção sendo vendido, gerado riqueza e oportunidade aqui dentro", afirmou.
Diante do tarifário norte-americano, o Brasil estava "preparado", disse Fávaro, o que permitiu que a situação fosse enfrentada "como fosse uma marolinha". Ele assegurou que as negociações com os Estados Unidos continuarão, com a "altivez brasileira" e da diplomacia do governo, gerando oportunidades para o povo.
Em relação ao tarifário mexicano, o ministro explicou que o Brasil se antecipou. Ele esteve no México em agosto com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Mauro Vieira, para renovar o PACIC, um programa de controle da inflação de alimentos. O Brasil é um "grande parceiro" nesse programa, que incluiu a abertura do mercado da carne bovina e suína brasileira para o México.
Essa abertura, que o Brasil buscava há mais de vinte anos, ocorreu em fevereiro de 2023, tornando o México um dos maiores compradores da carne brasileira, ficando atrás apenas da China. "A agropecuária brasileira não foi atingida. Zero! Posso te garantir", afirmou Fávaro sobre o impacto do tarifário mexicano, credenciando à "boa diplomacia e antecipação" nas relações comerciais.
A COP30 foi outro tema relevante na entrevista. O ministro expressou preocupação com a imagem da agropecuária brasileira no evento, mas garantiu que o Brasil participaria "com altivez". Ele destacou o Agrizone, um espaço garantido à agropecuária, onde foram apresentados modelos e arranjos produtivos brasileiros, além de boas práticas.
Na vitrine tecnológica da Embrapa, que recebeu mais de trinta mil visitantes, foram demonstrados o uso de inoculantes biológicos para produção de nitrogênio, uma alternativa ao nitrogênio fóssil, que é emissor de carbono. A tecnologia, desenvolvida há quarenta anos pela pesquisadora Margareth Hungria, ganhadora do Nobel da Agropecuária Mundial, foi um destaque.
Fávaro mencionou a reação de delegações estrangeiras ao verem os resultados: "oh my god!", descreveu. Ele enfatizou que os produtores brasileiros utilizam tecnologias de sequestro de carbono, como o plantio direto, que é quase uma unanimidade. O Brasil também demonstra a capacidade de produzir duas safras no mesmo hectare anualmente, evitando o desmatamento.
O ministro apresentou o Caminho Verde Brasil, programa de recuperação de pastagens degradadas, e a rastreabilidade bovina, que a partir de 2027 exigirá a "carteira de identidade" para todo o gado brasileiro. O objetivo é "provar pro mundo a boa procedência, que não é aquela carne produzida não tem origem no desmatamento ilegal".
Durante a COP30, o Brasil teve a oportunidade de mostrar a produção dos povos originários. O ministro fez referência ao documentário "Hanama", produzido com emenda do senador Carlos Fávaro, que retrata a produção dos Parecis. O filme, elogiado pelo presidente Lula, mostra produtores de Campo Novos Parecis e Brasnorte cultivando vinte mil hectares com respeito ao meio ambiente.
Esses povos, que lutavam há vinte anos pela legalidade de sua produção, agora possuem licenciamento do IBAMA, garantindo acesso aos mercados internacionais e ao Plano Safra. Fávaro criticou gestões anteriores que prometeram regularização, mas não agiram. "Nós pegamos isso à cara. Com apoio do presidente Lula, da ministra Marina Silva, o IBAMA, finalmente entregamos a ele a licença e o direito de produzir", declarou.





