NOTICIÁRIO Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026, 10:59 - A | A

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SALVANDO VIDAS

CVV abre curso gratuito para formar voluntários e reforçar rede de apoio emocional

Da Redação

O Centro de Valorização da Vida (CVV) abriu inscrições para um novo curso gratuito de capacitação de voluntários em Cuiabá, com início em 4 de março, em formato virtual e com duração de 12 semanas. Segundo Carlos Eduardo Latterza, voluntário do CVV há cerca de dez anos, a formação é o caminho obrigatório para integrar a equipe que atende 24 horas por dia pelo telefone 188, pelo chat no site cvv.org.br e por e-mail. O tema importa porque amplia a rede de apoio emocional em Mato Grosso, num cenário em que a demanda por acolhimento cresce com a maior divulgação do serviço, de acordo com o entrevistado.

Em entrevista aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo, no Jornal da Cultura, da Cultura FM 90.7, Latterza afirmou que qualquer pessoa pode se candidatar, desde que seja maior de 18 anos e tenha disponibilidade para cumprir ao menos um plantão semanal de aproximadamente três horas. Segundo ele, não é exigida formação específica, porque o CVV faz “apoio emocional” e não atendimento médico ou psicológico, o que, de acordo com o voluntário, não substitui a busca por profissionais de saúde mental quando necessário.

De acordo com Latterza, o curso começa no dia 4 de março e acontece às quartas-feiras, das 19h às 22h, em 12 encontros virtuais. Ele disse que a programação combina aulas teóricas com estágios práticos, para que o participante assimile a forma de acolhimento do CVV, baseada em escuta, respeito, aceitação e ausência de julgamento. Segundo o voluntário, a proposta é ensinar “como escutar”, em contraste com a lógica comum de cursos de “oratória”, focados em falar.

O entrevistado relatou que o CVV registrou aumento de contatos após a implantação do 188 como telefone gratuito, com cerca de três milhões de atendimentos por ano, variando conforme o período. Segundo ele, parte desse crescimento se deve à divulgação do canal, especialmente durante o Setembro Amarelo, e também ao apoio da imprensa, citada por ele como parceira para ampliar o conhecimento público sobre os recursos de acolhimento disponíveis.

Ao falar sobre o perfil de quem procura o serviço, Latterza afirmou que nem todas as ligações estão ligadas a ideação suicida. Segundo ele, muitas pessoas buscam simplesmente conversar, lidar com solidão ou ter um espaço de desabafo, e há casos de usuários que ligam diariamente de forma preventiva. De acordo com o voluntário, a lógica é “desabafar antes da crise”, para reduzir o risco de chegar a um ponto extremo.

O número 188 é único em todo o Brasil, incluindo Cuiabá e o interior de Mato Grosso, segundo Latterza. Ele explicou que o atendimento funciona por um sistema de PABX virtual, o que permite que a ligação seja atendida por voluntários de diferentes regiões do país. De acordo com ele, isso faz com que os atendimentos misturem sotaques e experiências, mas sigam o mesmo método de acolhimento.

Sobre o conteúdo do curso, Latterza disse que o participante é apresentado à filosofia do CVV e aprende a “facilitar o desabafo”. Ele explicou que o voluntário é treinado para ouvir com interesse genuíno, sem julgamento, e para oferecer presença e atenção respeitosa. Segundo ele, a ideia é que o voluntário seja “um amigo provisório” naquele momento, ajudando a pessoa a se organizar emocionalmente para enxergar alternativas.

Para exemplificar, o voluntário afirmou que, às vezes, alguém liga chorando por um motivo aparentemente pequeno, que pode ser apenas o gatilho final de um acúmulo de emoções. Ele argumentou que, ao “esvaziar o copo” no desabafo, a pessoa pode aliviar a sensação de desespero e, em seguida, encontrar caminhos para enfrentar os próprios problemas. A descrição foi apresentada por ele como fundamento do método de acolhimento do CVV.

As inscrições para o curso, segundo Latterza, devem ser feitas pelo endereço cvv.org.br/voluntarios/cuiaba (sem acentos). Ele afirmou que, após a inscrição, o candidato é contatado pela equipe e inserido em um grupo de WhatsApp, por onde recebe orientações, manuais e links dos encontros. De acordo com ele, é possível se inscrever até o próprio dia 4 de março.

Latterza também disse que, caso o interessado perca a primeira aula, há chance de reposição nas três primeiras aulas teóricas, desde que seja apenas uma falta. Além disso, ele afirmou que cursos virtuais em outros postos do CVV no Brasil também podem ser usados como alternativa, com possibilidade de transferência posterior para o posto de Cuiabá, dependendo do caso. Segundo ele, cursos são abertos ao longo do ano em diferentes cidades, porque a necessidade por voluntários é contínua.

Um ponto prático destacado pelo entrevistado foi a forma de plantão. Ele afirmou que, desde a pandemia, o CVV ampliou o atendimento remoto e muitos voluntários hoje fazem plantões de casa. Segundo ele, para atender remotamente é preciso computador, internet, fone de ouvido e um local privativo, por questão de sigilo. O sistema, de acordo com ele, funciona como um “telefone dentro do computador”, desenvolvido especificamente para o serviço.

Ainda assim, Latterza disse que o posto do CVV em Cuiabá segue disponível para atendimentos presenciais e para parte dos plantões. Ele informou que a sede funciona na Rua Comandante Costa, número 296, e que existem ramais para atendimento a partir do local. Segundo ele, o CVV mantém atendimento 24 horas por dia, o que exige escala permanente de voluntários, em diferentes horários.

A dedicação mínima após a capacitação, de acordo com Latterza, é de um plantão semanal de cerca de três horas. Ele afirmou que o tempo pode variar um pouco dependendo da duração da última ligação do turno e que voluntários podem assumir mais plantões se quiserem. Além do plantão, ele disse que há uma reunião mensal de estudos e apoio ao voluntário, como parte do aperfeiçoamento contínuo.

O entrevistado afirmou que o voluntariado no CVV também impacta o próprio voluntário, por exigir autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Ele disse que há “um Carlos antes e um Carlos depois do CVV”, ao relatar mudanças na forma de olhar a vida e lidar com processos de amadurecimento. Segundo ele, esse é um dos motivos para continuar atuando desde 2015, quando começou no CVV em Cuiabá.

Em relação ao papel do CVV dentro da prevenção do suicídio, Latterza reforçou que o serviço não substitui atendimento médico ou psicológico, mas pode atuar como porta de escuta e acolhimento. Ele disse que o site do CVV tem cartilhas e vídeos com curadoria de especialistas e citou o professor Neury Botega, apresentado por ele como referência no tema, ao explicar o acrônimo “ROC”: reparar nos sinais, ouvir atentamente e conduzir a um profissional de saúde mental.

Ao ser questionado sobre limitações estruturais de saúde mental em Cuiabá, Latterza afirmou que a prevenção do suicídio é feita “em rede” e que o CVV é apenas um dos atores. Ele disse que imprensa, escolas, universidades, empresas, órgãos públicos, família e amigos também compõem essa rede, e que “informações salvam vidas”, na medida em que aumentam a capacidade de reconhecer sinais e orientar a busca por ajuda.

O voluntário também falou sobre a relação do CVV com o poder público. Segundo ele, o principal vínculo institucional é com o Ministério da Saúde, que cedeu o número 188. Fora isso, Latterza afirmou que o CVV não tem vínculos políticos, religiosos ou partidários, o que, de acordo com ele, permite acolher pessoas de diferentes perfis e ampliar a presença do serviço em escolas, empresas e instituições públicas e privadas.

Além do curso de voluntários, Latterza citou atividades comunitárias realizadas pelo posto de Cuiabá. Segundo ele, há plantão de escuta presencial às segundas-feiras, às 19h30, na sede da Rua Comandante Costa, e existe também um curso de autoconhecimento chamado Caminho de Renovação Contínua, no mesmo dia e horário. Ele ainda mencionou um grupo de apoio a sobreviventes do suicídio, com encontros quinzenais às segundas-feiras, também às 19h30, como parte do Serviço Comunidade do CVV.

Para quem busca ajuda imediata, o canal oficial é o 188, além das opções digitais, conforme reforçado por Latterza na entrevista. Ele argumentou que ampliar o número de voluntários significa reduzir filas e ampliar a chance de alguém ser atendido num momento crítico, já que, segundo ele, “o telefone toca o tempo todo”. A abertura de novas turmas, nessa leitura, é uma medida prática para manter o atendimento 24 horas e sustentar a rede de apoio emocional em Mato Grosso.

 



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