A pesquisa eleitoral que coloca Mauro Mendes e Janaína Riva nas duas primeiras posições da disputa pelo Senado esconde uma eleição mais complexa do que o ranking sugere. Mato Grosso escolherá dois senadores em outubro. Cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes. E, quando a pesquisa Real Time Big Data separa a primeira da segunda escolha, aparece uma dinâmica que pode determinar o resultado.
Mauro Mendes lidera o primeiro voto, com 35%.
Janaína Riva aparece com 20%, José Medeiros com 15%, Carlos Fávaro e Pedro Taques com 11% cada.
No segundo voto, a ordem muda radicalmente.
Janaína assume a liderança com 30%. Mauro registra 19%, Fávaro 15%, Taques 10% e Medeiros 9%.
Esse recorte ajuda a explicar por que a disputa pelas duas cadeiras não pode ser lida como uma eleição comum para cargo majoritário.
Mauro parece ser, neste momento, a primeira preferência de uma parcela importante do eleitorado.
Janaína revela uma característica diferente: elevada capacidade de aparecer como segunda escolha.
Isso pode ser decisivo.
No resultado consolidado, que soma as duas opções, Mauro tem 27% e Janaína, 25%. Fávaro registra 13%, Medeiros 12% e Taques 11%. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 7 e 11 de agosto, tem margem de erro de dois pontos e registro MT-04560/2026.
A distância entre os dois primeiros e o bloco seguinte é expressiva.
Para Fávaro, Medeiros e Taques, portanto, a tarefa eleitoral não precisa necessariamente começar pela tentativa de retirar o primeiro voto de Mauro.
Pode ser mais eficiente disputar o voto que ainda está disponível.
Um eleitor que já decidiu votar em Mauro pode escolher Fávaro, Janaína, Medeiros ou Taques na segunda posição.
Um eleitor de Janaína possui exatamente a mesma possibilidade.
É aí que começa outra campanha.
Janaina possui uma vantagem particular
Os 30% registrados por Janaína no segundo voto sugerem grande capacidade de convivência com candidaturas pertencentes a campos políticos diferentes.
Isso é eleitoralmente valioso.
Ela concorre numa aliança com o PL de Wellington Fagundes, mas construiu relações políticas próprias e recebe manifestações de apoio que atravessam fronteiras partidárias.
Para uma eleição de duas vagas, ser tolerada — ou desejada — como segunda escolha de eleitores de diferentes grupos pode valer tanto quanto possuir uma base ideológica muito fiel.
Mauro possui o problema inverso
Os 35% do primeiro voto mostram uma candidatura forte. Mas sua presença cai para 19% na segunda escolha.
Isso pode significar simplesmente que muitos dos eleitores que querem Mauro já o colocam prioritariamente na primeira posição. Não significa necessariamente rejeição como segundo voto.
Ainda assim, há uma informação estratégica importante: o eleitor de Mauro possui uma segunda vaga aberta na urna.
É exatamente esse eleitor que os demais candidatos tentarão conquistar.
Fávaro tem um caminho
Carlos Fávaro aparece com 11% como primeira opção e sobe para 15% no segundo voto. Essa diferença sugere potencial de composição.
Sua campanha pode buscar eleitores que não necessariamente estejam dispostos a abandonar Mauro ou Janaína, mas aceitem escolher Fávaro para completar a votação.
A associação com Lula pode fortalecer sua identidade junto ao eleitor progressista, mas a eleição para duas vagas exige expansão além desse campo.
Medeiros enfrenta desafio diferente
José Medeiros registra 15% no primeiro voto, mas cai para 9% no segundo.
O perfil revela uma candidatura aparentemente mais concentrada como escolha prioritária de um eleitor identificado com seu campo político.
O desafio é transformar identidade forte em capacidade de composição.
Se o eleitor bolsonarista escolher Medeiros primeiro, quem receberá seu segundo voto?
A resposta será tão importante quanto o próprio desempenho do candidato do PL.
Taques precisa transformar crescimento em combinação
Pedro Taques avançou de 6% para 11% no resultado consolidado entre junho e agosto e aparece com 10% no segundo voto.
Seu caminho passa pela reconstrução de uma base própria e pela tentativa de se apresentar como alternativa para eleitores que já tenham escolhido um dos líderes.
Sua ofensiva contra Mauro Mendes e sua atuação anterior nos questionamentos ao acordo da Oi podem ser utilizadas para diferenciar sua candidatura.
Mas há um dilema: atacar um candidato cujo eleitor ele gostaria de conquistar como segundo voto pode limitar essa aproximação.
Uma campanha de dobradinhas declaradas ou silenciosas
A eleição para o Senado produzirá alianças que provavelmente não estarão integralmente nos materiais oficiais das chapas.
Pode haver eleitores de Pivetta votando Mauro e Janaína.
Eleitores de Wellington votando Janaína e Medeiros.
Eleitores de Lula escolhendo Fávaro e outro candidato situado fora da esquerda.
Isso não constitui contradição.
É consequência direta de uma eleição em que o cidadão possui duas escolhas.
Por isso, uma pergunta será repetida milhares de vezes até outubro: “E o outro senador?”
A candidatura que encontrar a melhor resposta pode ocupar uma das duas cadeiras de Mato Grosso.
NOTA DE TRANSPARÊNCIA
A análise utiliza os resultados da pesquisa Real Time Big Data realizada com 1.600 eleitores entre 7 e 11 de agosto de 2026, margem de erro de dois pontos percentuais e registro MT-04560/2026. A interpretação sobre estratégias e combinações eleitorais é análise do Nossa República e não conclusão do instituto.






