NOTICIÁRIO Terça-feira, 23 de Junho de 2026, 17:32 - A | A

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REVIRAVOLTA NO PARLAMENTO

Adesão de Dilemário ao grupo de Paula Calil surpreende Ilde Taques e muda disputa pela Mesa Diretora

Michely Figueiredo

O vereador Ilde Taques (Podemos) afirmou que recebeu com surpresa a adesão do vereador Dilemário Alencar (União Brasil) ao grupo político que apoia o projeto de reeleição da atual presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Cali l(PL). Além de Dilemário, a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) também passou a integrar o bloco, que atualmente contabiliza 14 parlamentares.

Paula Calil, que inicialmente não cogitava disputar a reeleição por conta da vedação no regimento interno da Casa para recondução na mesma legislatura, passou a articular a mudança da regra após a sinalização do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), em favor da continuidade de seu nome no comando do Legislativo. Para viabilizar a alteração regimental, o grupo precisa alcançar pelo menos 18 votos, número correspondente ao quórum qualificado exigido.

Segundo Dilemário Alencar, sua adesão ao grupo não significa retirada de sua candidatura, mas sim uma estratégia de construção de apoio político. O vereador sustenta que a movimentação se insere em um acordo mais amplo de composição interna, que também envolve a possibilidade de rearranjos na Mesa Diretora. A própria Paula Calil reforçou a existência de um entendimento coletivo entre os parlamentares ao ser questionada pela imprensa na Câmara Municipal de Cuiabá.

“Todos os vereadores se posicionaram junto com a vereadora Baixinha e com o vereador Dilemário. Cada um deu a palavra, cada um se posicionou. Se nós não viabilizarmos a reeleição da vereadora Paula Calil, que está como presidente, os vereadores irão apoiar o projeto Dilemário-Paula. Então ficou Paula-Dilemário, Dilemário-Paula”, afirmou.

Em entrevista recente à Rádio Cultura, Ilde Taques afirmou não acreditar que o grupo consiga atingir os 18 votos necessários para aprovar a mudança no regimento interno. Embora reconheça o crescimento do bloco de apoio a Paula Calil, o parlamentar avalia que o número ainda está distante do necessário para viabilizar a alteração.

“Eu mesmo comecei com 18 votos, praticamente, e o tabuleiro foi se movimentando. A Paula decidiu tentar disputar, porque ela ainda não pode disputar. Ela precisa de dois terços, que seriam 18 votos, e ontem na reunião tinha 14. Então 14 pra 18, ainda falta muito chão”, disse.

Ilde também comentou a mudança de posicionamento de Dilemário Alencar dentro do processo político e afirmou ter sido informado diretamente pelo vereador após a reunião. Segundo ele, o acordo interno prevê diferentes possibilidades de composição na Mesa Diretora, incluindo uma eventual candidatura de Dilemário à primeira-secretaria ou à própria presidência do Legislativo.

“Ele sempre se posicionou contra a mudança do regimento. E ontem, confesso que eu fiquei um pouco surpreso. Ele me ligou depois da reunião. (...) me disse que fez esse compromisso lá com eles, esse acordo de votar o regimento e, caso o regimento não passe, ele seria o candidato daquele grupo”, relatou.

O parlamentar do Podemos afirma que segue articulando para ampliar sua base de apoio e busca atrair vereadores que atualmente estão alinhados ao grupo de Paula Calil. Ele também lembra que, em etapas anteriores da negociação, chegou a contar com o apoio da própria presidente da Câmara.

Nos bastidores políticos, Paula Calil é tratada como a principal aposta do prefeito Abilio Brunini para o comando da Mesa Diretora, com relatos de que o Palácio Alencastro teria atuado para fortalecer sua candidatura e consolidar apoio entre os parlamentares. O prefeito tem defendido internamente que a governabilidade depende da recondução de Paula ao cargo. Ao mesmo tempo, Dilemário Alencar e Ilde Taques, embora integrem a base do Executivo municipal, não teriam alcançado o mesmo nível de apoio.

Além disso, ganha força dentro da Câmara Municipal um movimento paralelo que discute a possível alteração da data da eleição da Mesa Diretora, o que pode impactar diretamente o ritmo das negociações e a consolidação dos blocos de apoio. O debate surge após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal que anularam eleições antecipadas em legislativos municipais, o que levou vereadores a reavaliarem o calendário do pleito em Cuiabá.

Atualmente, a eleição da Mesa Diretora está prevista para o dia 25 de agosto. O STF entende que esse tipo de escolha deve ocorrer mais próximo ao início do mandato, em outubro. Uma proposta de resolução apresentada pelo vereador Mário Nadaf (PV) sugere a realização do pleito em 5 de novembro, enquanto outro grupo, liderado pela vereadora Maysa Leão (Republicanos), defende o dia 1º de outubro.

Sem consenso entre as propostas, a tendência é de manutenção da data original em 25 de agosto, conforme declarou Maysa Leão em entrevista ao Jornal da Cultura nesta terça-feira (23).



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