NOTICIÁRIO Segunda-feira, 13 de Julho de 2026, 09:00 - A | A

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CAMPANHA DE PREVENÇÃO

Afogamentos disparam 56% em MT e acendem alerta no mês de prevenção

Da Redação com ABr

Ilustração produzida por IA

Jovens e crianças são principais vítimas de afogamento

Jovens e crianças são principais vítimas de afogamento no Brasil, segundo Bombeiros e a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa)

O número de afogamentos em Mato Grosso saltou 56% nos primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 14 ocorrências entre janeiro e fevereiro deste ano contra nove no mesmo intervalo de 2025 — um aumento que acende o sinal vermelho justamente na entrada do período de férias escolares e das altas temperaturas.

Os dados são preliminares da Secretaria de Estado de Segurança Pública, pelo Sistema de Registro de Ocorrências Policiais, e ainda podem sofrer ajustes. Mas a tendência preocupa.

No ano passado, Mato Grosso registrou 111 ocorrências de afogamento — uma leve queda de 9% em relação a 2024, quando foram contabilizados 123 casos e 109 vidas perdidas nos primeiros dez meses. O estado também figura entre as maiores taxas de mortalidade do país: 5,2 mortes por 100 mil habitantes, segundo a Sobrasa. Os municípios que mais concentram registros são Cuiabá, Sorriso e Sinop.

O início do ano concentra férias, feriados, Carnaval e calor intenso — combinação que leva multidões a rios, lagos e piscinas. E é aí que mora o perigo.

O retrato nacional

Em todo o Brasil, a cada 90 minutos uma pessoa morre afogada. São 5.742 mortes por ano. Quatro em cada dez vítimas têm menos de 29 anos. Dois terços dos afogamentos ocorrem em rios, lagos e represas.

O alerta é da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), que acaba de divulgar seu boletim epidemiológico mais recente. Os números são contundentes: entre crianças de 1 a 4 anos, o afogamento é a segunda maior causa de morte. Na faixa de 5 a 9 anos, ocupa a terceira posição. Dos 10 aos 24 anos, a quarta.

O presidente da Sobrasa, coronel Fábio Braga, do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, é direto: "Até 95% dos afogamentos poderiam ser evitados por meio de educação e informação".

Metade dos afogamentos infantis acontece dentro de casa — em piscinas, vasos sanitários, máquinas de lavar, banheiras, caixas d'água e reservatórios. Fora de casa, o perigo se esconde em rios de correnteza traiçoeira, em variações bruscas de profundidade e em mudanças súbitas no leito.

O que dizem os bombeiros

O major Felipe Mançano Saboia, diretor operacional adjunto e mergulhador do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, é categórico: "Água na cintura já é sinal de risco. Uma área aparentemente rasa pode se tornar profunda de repente".

Ele lista os perigos: correntezas fortes, variações bruscas de profundidade, mudanças no leito dos rios — especialmente em períodos de chuva, quando o nível pode subir rapidamente mesmo sem chuva no local. E um fator agravante: o álcool. "Compromete o equilíbrio, a coordenação e a percepção de perigo. Quem bebe, não entra na água."

A orientação em caso de afogamento é clara: acionar o socorro pelo 193 antes de qualquer tentativa de resgate; alcançar a vítima com objetos como cordas, galhos ou materiais flutuantes, sem entrar na água. "Uma pessoa em pânico pode se agarrar ao socorrista e provocar outro afogamento. A regra é alcançar, lançar e rebocar. Entrar só como último recurso e com treinamento", alerta o major.

Campanha nacional no mês de prevenção

Pelo Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, em 25 de julho, a Sobrasa mobiliza 10 mil voluntários em todo o país em uma campanha que inclui palestras, cursos e treinamentos sobre segurança aquática.

Um dos destaques é o movimento Go Blue — Vista-se de Azul, que convida monumentos, prédios públicos e pontos turísticos a se iluminarem na cor azul. Já confirmaram participação o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro; o Estádio Mané Garrincha, em Brasília; e a Arena Castelão, no Ceará.

O coronel Fábio Braga resume: "O afogamento não acontece por acaso. Informação, vigilância e comportamento seguro são as formas mais eficazes de evitar mortes".

Em Mato Grosso, onde os rios cortam o estado de ponta a ponta e as piscinas enchem no verão, a mensagem nunca foi tão necessária.

Com informações da jornalista Alana Grandra, da Agência Brasil.



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