NOTICIÁRIO Quarta-feira, 29 de Julho de 2026, 11:29 - A | A

Quarta-feira, 29 de Julho de 2026, 11h:29 - A | A

GOVERNO 2026 PARTE 2

Água, BRT e obras estruturam primeiros passos do governo de Pivetta

Mauro Camargo

Mayke Toscano

Otaviano Pivetta na Cultura

Embora a sucessão estadual tenha dominado a primeira parte da entrevista concedida à jornalista Michely Figueiredo no Jornal da Cultura, da Cultura FM 90.7, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) dedicou boa parte da conversa à agenda administrativa do Governo de Mato Grosso. Da crise histórica no abastecimento de água em Várzea Grande ao futuro do transporte coletivo da região metropolitana, passando pelas obras de infraestrutura, pela Ferrovia Senador Vicente Vuolo, pela revisão da Lei do Transporte Zero, pelas negociações envolvendo a Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores e pelos riscos de um eventual Super El Niño, o governador apresentou o que considera as principais prioridades da atual gestão.

Água em Várzea Grande é apontada como a decisão mais arriscada do governo

Ao ser questionado sobre a decisão mais difícil tomada desde que assumiu definitivamente o comando do Palácio Paiaguás, Pivetta não citou obras ou disputas políticas. Conforme o chefe do Executivo, o maior desafio foi assumir diretamente a responsabilidade pela recuperação do sistema de abastecimento de água de Várzea Grande.

O governador reconheceu que a iniciativa representa elevado risco político, justamente por enfrentar um problema que atravessa diversas administrações municipais. "Nós entramos lá para ficar e resolver o problema."

Segundo explicou, a alternativa escolhida evitou uma intervenção judicial no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Em vez disso, foi construída a chamada Aliança pela Água, resultado de um termo de compromisso envolvendo Governo do Estado, Prefeitura de Várzea Grande, Ministério Público e Tribunal de Contas.

Pelo modelo adotado, o Estado assumirá a coordenação das aquisições, contratação de serviços e fornecimento dos equipamentos necessários para recuperar o sistema. O objetivo inicial é restabelecer a regularidade do abastecimento antes mesmo da reorganização administrativa da autarquia.

Primeiros resultados devem aparecer em até 60 dias

Segundo Pivetta, o cronograma elaborado prevê duração de um ano. Entretanto, afirmou que a população deverá começar a perceber mudanças concretas já nos primeiros dois meses.

O governador defendeu que não há como exigir eficiência na arrecadação sem que o serviço seja efetivamente prestado. Sua prioridade, afirmou, é garantir água nas residências para, somente depois, ampliar a hidrometração e reorganizar financeiramente o sistema.

Ao citar sua experiência como prefeito de Lucas do Rio Verde, lembrou que processos semelhantes já foram implantados anteriormente com resultados considerados positivos.

Privatização do DAE não está na pauta

Questionado sobre eventual concessão dos serviços de abastecimento após os investimentos estaduais, Pivetta descartou qualquer discussão imediata. Segundo ele, não seria razoável o Estado investir dezenas de milhões de reais para, posteriormente, transferir a operação à iniciativa privada sem considerar o volume de recursos públicos empregados. Afirmou ainda que qualquer decisão futura deverá ser construída em conjunto entre Estado, Prefeitura e DAE.

Companhia Metropolitana administrará o novo sistema do BRT

Outro tema central da entrevista foi o futuro do transporte coletivo entre Cuiabá e Várzea Grande. Pivetta confirmou que enviará à Assembleia Legislativa o projeto que cria uma companhia metropolitana responsável pela gestão do sistema.

Inspirada no modelo adotado em Goiânia, a empresa terá participação do Governo do Estado e das duas prefeituras. Sua função será administrar a infraestrutura, adquirir equipamentos, estações e parte da frota, enquanto a operação permanecerá sob responsabilidade das atuais concessionárias.

Segundo o governador, o objetivo é implantar um modelo moderno, automatizado e com ônibus elétricos climatizados.

Governo estudará subsídio para reduzir custos

Pivetta revelou que o Estado estuda subsidiar parte da diferença de custo entre ônibus convencionais e veículos elétricos. Segundo explicou, a medida permitiria manter a atual estrutura tarifária sem comprometer o equilíbrio econômico das concessionárias.

Ao ser provocado sobre a possibilidade de reduzir significativamente a tarifa paga pelos usuários, modelo proposto pelo deputado estadual Lúdio Cabral, que prevê tarifa a R$ 1, subsidiada com o recurso oriundo da venda dos vagões do VLY, afirmou que a proposta ainda não foi objeto de estudos técnicos, mas reconheceu que o tema merece avaliação. Determinou, inclusive, que a hipótese seja analisada pela equipe responsável pela implantação do sistema.

Primeiro trecho deve entrar em operação ainda este ano

Apesar dos atrasos acumulados ao longo de mais de uma década de obras, Pivetta demonstrou confiança na conclusão da primeira etapa do novo modal. De acordo com ele, a expectativa é adquirir os veículos e iniciar a operação ainda neste ano.

Ao justificar a decisão de adiar novas frentes de obras antes da conclusão do primeiro trecho, afirmou que a população está cansada de conviver com canteiros permanentes sem resultados práticos. A estratégia, explicou, será concluir cada etapa antes do início da seguinte.

MT-030 será voltada ao turismo e ao lazer

Na segunda metade da entrevista, o governador voltou a defender a implantação da MT-030 como alternativa entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. Explicou que o projeto atual não pretende concluir toda a ligação originalmente prevista.

O plano contempla inicialmente cerca de dezenove quilômetros, com ciclovias, iluminação pública e infraestrutura voltada ao lazer.

A estrada seguirá até a região conhecida como Tope de Fita, onde o governo pretende implantar uma estrada-parque destinada ao turismo, ao ciclismo e ao acesso ecológico à Chapada. Segundo Pivetta, trata-se de uma obra de baixo custo e reduzido impacto ambiental. Restaurantes devem ser implantados ao longo da estrada para fomentar a prática turística. 

Túnel permanece como solução para o Portão do Inferno

O governador voltou a criticar a demora na liberação ambiental das obras do Portão do Inferno. Segundo ele, o Estado continua defendendo a construção de um túnel, considerado tecnicamente mais adequado do que outras alternativas discutidas anteriormente.

Pivetta atribuiu a demora ao processo de licenciamento conduzido pelos órgãos federais. Em tom crítico, afirmou que o Governo de Mato Grosso encontra dificuldades até mesmo para dialogar com o Ibama sobre o assunto.

Também voltou a defender maior autonomia dos estados em processos de licenciamento considerados de pequeno impacto ambiental.

Ferrovia deve cumprir contrato até Cuiabá

Outro assunto abordado foi a Ferrovia Senador Vicente Vuolo. Pivetta descartou qualquer possibilidade de privilegiar Lucas do Rio Verde em detrimento de Cuiabá. Afirmou que o contrato firmado com a concessionária Rumo estabelece claramente que a chegada da ferrovia à Capital integra as obrigações assumidas pela empresa.

Revelou, inclusive, que o Estado já notificou a concessionária pelos atrasos registrados no cronograma. Após Cuiabá, segundo explicou, o contrato prevê a continuidade da ferrovia em direção a Nova Mutum e Lucas do Rio Verde.

Transporte Zero entra em fase de revisão

Questionado sobre a revisão prevista na Lei do Transporte Zero, o governador afirmou que o governo iniciou a avaliação técnica prevista na própria legislação. Segundo ele, representantes dos pescadores profissionais, do turismo de pesca e especialistas serão ouvidos antes da conclusão dos estudos.

Pivetta evitou antecipar posição sobre a possível liberação de espécies atualmente protegidas. Limitou-se a afirmar que ainda não possui opinião formada e que qualquer alteração dependerá de decisão da Assembleia Legislativa.

RGA dependerá da capacidade financeira do Estado

Sobre a reivindicação dos servidores públicos relativa ao passivo da Revisão Geral Anual, Pivetta afirmou que o governo está aberto ao diálogo. Entretanto, ressaltou que a atual situação fiscal não permite ampliar despesas permanentes com pessoal.

Explicou que Mato Grosso ainda enfrenta grandes demandas em infraestrutura rodoviária, construção de escolas, hospitais regionais e ampliação dos serviços públicos. Lembrou ainda que o governo elevou significativamente os repasses voluntários aos municípios durante os últimos sete anos.

Super El Niño preocupa governo

A possibilidade de ocorrência de um novo episódio de Super El Niño também foi tema da entrevista. Pivetta reconheceu preocupação com os possíveis impactos sobre a produção agropecuária e, consequentemente, sobre a arrecadação estadual.

Segundo informou, o Estado mantém aproximadamente R$ 11 bilhões em caixa. Desse total, cerca de R$ 8 bilhões já estão comprometidos com contratos, investimentos e despesas obrigatórias. O saldo efetivamente disponível gira em torno de R$ 3 bilhões.

O governador classificou essa reserva como uma "poupança" necessária para enfrentar eventuais crises, mas advertiu que um desastre climático de grandes proporções comprometeria rapidamente a capacidade financeira do Estado.

Por isso, defendeu a manutenção de uma política fiscal baseada em prudência, controle de gastos e definição rigorosa de prioridades.

Ao encerrar a entrevista, resumiu a filosofia administrativa que pretende manter até o final do mandato:

"Temos que fazer mais com menos."

NOTA DE TRANSPARÊNCIA

Esta reportagem foi produzida a partir da entrevista concedida pelo governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), à jornalista Michely Figueiredo, no Jornal da Cultura, da Cultura FM 90.7. O texto foi elaborado com base na transcrição integral da entrevista, reorganizando os temas por relevância jornalística, preservando integralmente o sentido das declarações e contextualizando os assuntos abordados para facilitar a compreensão do leitor.

Esta segunda parte concentra-se nas declarações relacionadas à gestão administrativa, infraestrutura, mobilidade urbana, saneamento, logística, política fiscal e planejamento governamental.

A reportagem foi produzida segundo os princípios editoriais do Sistema Editorial Inteligente do Nossa República), modelo de governança editorial em desenvolvimento que integra inteligência artificial, protocolos de checagem, memória institucional, rastreabilidade das informações e supervisão humana permanente para ampliar o rigor, a transparência, a qualidade e a eficiência do processo jornalístico, sem substituir a responsabilidade editorial e decisória do jornalista.



Comente esta notícia

Nossa República é editado pela Newspaper Reporter Comunicação Eireli Ltda, com sede fiscal
na Av. F, 344, Sala 301, Jardim Aclimação, Cuiabá. Distribuição de Conteúdo: Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Nova Brasilândia e Primavera do Leste, CEP 78050-242

Redação: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

[email protected]/[email protected]

icon-facebook-red.png icon-youtube-red.png icon-instagram-red.png icon-twitter-white.png