As primeiras convenções partidárias realizadas em Mato Grosso já oficializaram candidaturas ao Governo e ao Senado, mas a decisão potencialmente mais importante dessa fase da disputa eleitoral ainda está por ocorrer. Na quinta-feira, 30 de julho, o União Brasil reunirá seus convencionais para decidir se lançará o senador Jayme Campos ao Governo do Estado ou se seguirá a orientação do presidente estadual da legenda, Mauro Mendes, de apoiar a reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos.
O resultado não ficará restrito às disputas internas do União Brasil. A escolha deverá orientar a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, afetar a composição das duas candidaturas ao Senado e servir de referência para as convenções do Podemos, presidido por Max Russi, e do MDB, comandado por Janaína Riva, marcadas para 4 de agosto.
Em outras palavras, a convenção do União Brasil poderá determinar se o campo político atualmente ligado ao governo estadual permanecerá reunido em torno de Pivetta ou se será dividido pela candidatura própria de Jayme Campos.
O evento será realizado das 11h às 16h, no Espaço CDL, em Cuiabá. Além das candidaturas majoritárias, os convencionais decidirão sobre coligações e chapas para deputado federal e estadual. A convocação foi formalizada em edital assinado por Mauro Mendes.
A disputa que divide o União Brasil
O impasse coloca frente a frente as duas principais lideranças da legenda em Mato Grosso.
Mauro Mendes defende que o União Brasil preserve a aliança construída durante seu governo e apoie Otaviano Pivetta, seu sucessor no Palácio Paiaguás. O ex-governador apresenta Pivetta como participante da recuperação fiscal e administrativa do Estado e considera sua candidatura a continuidade do projeto político iniciado em 2019.
Jayme Campos, por sua vez, reivindica o direito de disputar o Governo pelo próprio partido. Seus aliados sustentam que o senador teria o apoio da maioria dos aproximadamente 50 convencionais estaduais, informação atribuída ao grupo político de Jayme, mas ainda não confirmada oficialmente pela direção partidária.
A votação poderá produzir dois caminhos bastante diferentes.
Caso prevaleça a posição de Mauro Mendes, o União Brasil deverá integrar a coligação de Pivetta, com Mendes disputando uma das duas vagas ao Senado. O segundo nome da chapa senatorial, a indicação do candidato a vice-governador e o espaço dos demais partidos aliados ainda dependeriam de negociação.
Caso Jayme seja homologado candidato ao Governo, o União Brasil passará a comandar uma chapa própria, abrindo uma nova disputa pela composição do palanque e pelos apoios do MDB e do Podemos. Esse cenário também exigiria uma reavaliação do arranjo com o PP e da convivência interna na Federação União Progressista.
A Federação União Progressista no centro do impasse
A situação não envolve apenas uma aliança informal entre União Brasil e Progressistas. Os dois partidos integram a Federação União Progressista, cujo registro foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em março de 2026. Pela legislação, partidos federados atuam de forma nacionalmente unificada, com regras comuns e compromisso de permanência na federação.
Em Mato Grosso, dirigentes do PP já manifestaram preferência pela candidatura de Otaviano Pivetta. A suplente de senadora Margareth Buzetti é apresentada como candidata ao Senado, mas também aparece nas articulações como nome possível para a vice na chapa do governador.
A eventual vitória de Jayme Campos na convenção do União Brasil, portanto, produziria uma questão adicional: como compatibilizar a decisão dos convencionais do União com o posicionamento do PP dentro da mesma federação?
A resposta dependerá das normas internas da União Progressista e das deliberações conjuntas entre os dois partidos. Politicamente, porém, uma candidatura de Jayme obrigaria o PP a rever o apoio já encaminhado a Pivetta ou levaria a discussão às instâncias superiores da federação.
Esse é um dos pontos que fazem da convenção do dia 30 a decisão mais relevante do calendário estadual até agora.
Jayme, Janaína e Mauro Mendes na mesma chapa?
Uma das possibilidades abertas pela candidatura própria do União Brasil seria a formação de uma chapa com Jayme Campos ao Governo, Mauro Mendes e Janaína Riva concorrendo às duas vagas ao Senado.
O desenho é politicamente possível, mas depende de uma série de decisões ainda não tomadas.
Primeiro, Jayme precisaria vencer a disputa interna e ser homologado candidato ao Governo. Em seguida, Mauro Mendes teria de permanecer na mesma composição, apesar de defender o apoio a Pivetta. O MDB também precisaria escolher a candidatura de Jayme, garantir espaço para Janaína na chapa senatorial e compatibilizar o acordo com sua articulação política com o Podemos.
Janaína tem reafirmado que sua prioridade é concorrer ao Senado. A presidente do MDB também sustenta que a atuação conjunta com o Podemos pode exercer papel decisivo na eleição e formar uma das maiores bancadas da Assembleia Legislativa. Segundo ela, as duas legendas vêm compartilhando as conversas mantidas com os diferentes candidatos ao Governo.
A eventual chapa Jayme–Mauro–Janaína, portanto, constitui um cenário político plausível, mas não um acordo fechado. Sua viabilidade começará a ser testada somente depois da convenção do União Brasil.
MDB e Podemos aguardam a definição
MDB e Podemos marcaram suas convenções para 4 de agosto, cinco dias depois do ato do União Brasil. A sequência do calendário permite que as duas legendas tomem suas decisões conhecendo o resultado do confronto entre Jayme Campos e Mauro Mendes.
O MDB realizará sua convenção a partir das 17h, na Musiva, em Cuiabá. A expectativa é que oficialize Janaína Riva como candidata ao Senado e defina qual candidato ao Governo receberá seu apoio. O partido já manteve conversas com os grupos de Jayme Campos, Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes.
O Podemos se reunirá no mesmo dia, em um espaço na Avenida Jurumirim. Presidida por Max Russi, a legenda pretende homologar suas chapas proporcionais e decidir sua participação na eleição majoritária. O partido é cortejado por diferentes candidaturas ao Governo e poderá indicar o candidato a vice em uma das composições.
Max Russi e Janaína trabalham para manter as duas legendas politicamente próximas. A formação de uma aliança entre MDB e Podemos daria ao bloco uma chapa proporcional robusta e capacidade de negociar, conjuntamente, posições na majoritária.
Se Jayme vencer no União, poderá tentar atrair o bloco oferecendo a Janaína uma vaga ao Senado e ao Podemos participação na composição. Se o União fechar com Pivetta, MDB e Podemos terão de avaliar se aderem ao palanque governista, procuram espaço com Wellington Fagundes ou adotam caminhos distintos.
Pivetta também espera o União Brasil
O Republicanos realizará sua convenção em 4 de agosto, no Ginásio Dom Aquino, em Cuiabá, para oficializar Otaviano Pivetta como candidato à reeleição e apresentar suas chapas proporcionais.
A posição de Pivetta é internamente mais estável do que a do União Brasil: sua candidatura não enfrenta contestação relevante dentro do Republicanos. A composição externa, entretanto, depende diretamente da decisão do dia 30.
Com o apoio do União Brasil, Pivetta reuniria parte substancial da atual base governista, incorporaria o capital político e eleitoral de Mauro Mendes e teria melhores condições de atrair PP, Podemos e MDB.
Sem o União, o governador teria de reconstruir sua aliança a partir do Republicanos, do PP e de outras legendas, ao mesmo tempo em que disputaria com Jayme e Wellington o apoio dos partidos de centro.
O que já foi decidido
Até o fechamento desta reportagem, quatro movimentos partidários haviam avançado formalmente:
Missão
O partido abriu o calendário em 20 de julho e oficializou Rafaell Milas como candidato ao Governo, tendo Thales Sartorelo como candidato a vice. A legenda decidiu apresentar uma chapa própria, sem coligação majoritária.
PL
A convenção realizada em 22 de julho homologou o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo e o deputado federal José Medeiros ao Senado. O partido também aprovou suas chapas proporcionais, mas manteve decisões em aberto, entre elas a indicação do candidato a vice-governador.
PDT
O PDT reuniu-se em 25 de julho e aprovou suas candidaturas proporcionais, mas adiou a decisão definitiva sobre a chapa majoritária. A legenda participa das conversas do campo de centro-esquerda em torno da candidatura de Natasha Slhessarenko e reivindica espaço para Diogo Botelho, cogitado para o Senado ou para a vice.
O Agir realizou sua convenção em 26 de julho com o projeto de oficializar Sargento Laudicério Machado como candidato ao Governo e apresentar candidaturas ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
O campo de centro-esquerda
A Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PV e PCdoB —, o PSD, o PSB e outros partidos do campo de centro-esquerda programaram um ato conjunto para 30 de julho, no Hotel Fazenda Mato Grosso.
A articulação trabalha para homologar Natasha Slhessarenko ao Governo. O PSB pretende confirmar o ex-governador Pedro Taques ao Senado, enquanto o grupo ainda ajusta a outra candidatura senatorial e a vaga de vice-governador.
Essa composição representa outro polo da disputa, mas a configuração definitiva também dependerá das convenções e das deliberações internas dos partidos participantes.
Calendário das próximas decisões
28 de julho — Federação PSDB/Cidadania
Definição das candidaturas proporcionais e do posicionamento na disputa majoritária.
30 de julho — União Brasil e PP
Decisão entre a candidatura de Jayme Campos e o apoio a Otaviano Pivetta, além das candidaturas ao Senado e das chapas proporcionais.
30 de julho — Federação Brasil da Esperança, PSD, PSB e aliados
Formalização do palanque de centro-esquerda, com Natasha Slhessarenko ao Governo e definição das demais posições da chapa.
30 de julho — Federação PRD/Solidariedade
Homologação das candidaturas e definição das alianças.
1º de agosto — Avante
A legenda deverá oficializar seu projeto eleitoral e a candidatura de Antonio Galvan ao Senado.
4 de agosto — Republicanos
Homologação de Otaviano Pivetta ao Governo e definição da composição da chapa.
4 de agosto — Podemos
Decisão sobre alianças, participação na majoritária e candidaturas proporcionais.
4 de agosto — MDB
Homologação da candidatura de Janaína Riva ao Senado e definição do apoio ao Governo.
5 de agosto — Novo
Último dia do calendário de convenções e prazo final para a legenda decidir se apresenta candidatura própria ou integra outra chapa.
O período legal das convenções termina em 5 de agosto. Depois disso, partidos, federações e coligações deverão encaminhar as atas e iniciar os procedimentos para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
RAIO-X DO CENÁRIO
Já definidos
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Wellington Fagundes é o candidato do PL ao Governo.
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José Medeiros é o candidato do PL ao Senado.
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Rafaell Milas encabeça a chapa do Missão.
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Otaviano Pivetta deverá ser homologado pelo Republicanos.
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Natasha Slhessarenko é o nome encaminhado pelo campo de centro-esquerda.
Decisão central
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O União Brasil lançará Jayme Campos ou apoiará Otaviano Pivetta?
Dependem do resultado
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A composição da Federação União Progressista.
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O destino de Mauro Mendes e Margareth Buzetti na majoritária.
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O candidato apoiado por MDB e Podemos.
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A posição de Janaína Riva na chapa ao Senado.
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A indicação de Max Russi e do Podemos para a majoritária.
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A definição dos candidatos a vice-governador.
Cenários possíveis
União com Pivetta: fortalecimento e ampliação da atual base governista.
Jayme candidato: divisão do grupo governista e abertura de uma nova chapa competitiva.
Jayme, Mauro Mendes e Janaína: composição possível, mas dependente da convenção do União, da permanência de Mendes no mesmo grupo e do acordo com MDB e Podemos.
Nota de Transparência
Esta reportagem foi produzida a partir de informações oficialmente divulgadas por partidos políticos, dirigentes partidários, Tribunal Superior Eleitoral e Justiça Eleitoral de Mato Grosso, além de levantamento e confronto de dados com pré-candidatos e informações publicadas por veículos de comunicação do Estado. Os cenários de composição eleitoral são fruto da análise politica e eleitoral do autor e devem ser identificados como hipóteses condicionadas às decisões das convenções e não representam acordos já formalizados. O conteúdo será atualizado após as próximas deliberações partidárias.






