O técnico Carlo Ancelotti não prometeu o time dos sonhos. Prometeu entrega. Na noite desta segunda-feira (18), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, o italiano anunciou a lista de 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho no Canadá, no México e nos Estados Unidos. E, na entrevista coletiva que se seguiu, tratou de baixar a expectativa em torno de nomes individuais para elevá-la em torno do grupo.
"Tenham confiança neste grupo. Pode não ser o grupo perfeito, mas é um grupo focado, concentrado, humilde, altruísta. Minha ideia é focada no coletivo, não no individual", declarou o treinador, que acaba de renovar seu vínculo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até a Copa de 2030.
A convocação de Neymar, atacante do Santos, dominou as perguntas dos jornalistas. Aos 34 anos, o jogador vive uma fase diferente da carreira, longe do auge físico que marcou sua trajetória. Ancelotti foi direto: Neymar está na lista para jogar — não para ser reserva de luxo. Mas também não terá passe livre.
"Escolhemos Neymar não porque pensamos que vai ser um bom reserva, e sim porque pode trazer suas qualidades para a equipe, mesmo que jogue um minuto. Escolhemos esses jogadores porque estão certos de que vão ajudar. Quanto tempo? Não sei", afirmou o italiano.
E completou, sem deixar margem a dúvidas: "Serei claro e honesto. Neymar jogará se merecer. Os treinos decidirão isso. Acho importante não fixar toda a expectativa em cima de apenas um jogador."
A declaração soa como um recado ao mesmo tempo para o jogador e para a torcida. Ancelotti quer evitar que o peso de uma nação recaia sobre os ombros de um atleta só. E, ao mesmo tempo, deixa claro que a hierarquia dentro do elenco será construída nos gramados, não no nome impresso na camisa.
O técnico também falou sobre o peso de comandar a seleção mais vitoriosa do mundo num país onde o futebol é tratado como paixão nacional. "Esta expectativa mostra um país que tem uma paixão extraordinária pelo futebol, primeiro, e em segundo pela seleção. Isso é muito bonito para nós, que temos a oportunidade de disputar a Copa do Mundo e dar alegria a todo um país", disse.
Sobre o processo de escolha, Ancelotti revelou a dificuldade de reduzir a lista a 26 nomes. "Não foi fácil, foi difícil, porque a concorrência era muito alta. Avaliamos mais de 60 jogadores, e cada um tem uma característica para estar aqui."
Com contrato renovado e a responsabilidade de encerrar o jejum de títulos que já dura 24 anos, Ancelotti sabe que será cobrado pelo resultado. Mas, pelo menos por enquanto, prefere blindar o grupo e espalhar a responsabilidade. O tempo dirá se o plano do italiano cabe no coração de uma torcida que nunca se contenta com menos do que o hexa.
As informações são da Agência Brasil.
Veja a lista dos convocados
Goleiros: Alisson (Liverpool), Weverton (Grêmio) e Ederson (Fenerbahçe).
Defensores: Alex Sandro (Flamengo), Bremer (Juventus), Danilo (Flamengo), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez (Al-Ahli), Léo Pereira (Flamengo), Marquinhos (PSG) e Wesley (Roma).
Meio-campistas: Bruno Guimarães (Newcastle), Casemiro (Manchester United), Danilo (Botafogo), Fabinho (Al-Ittihad) e Lucas Paquetá (Flamengo).
Atacantes: Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Neymar (Santos), Rayan (Bournemouth), Vinicius Júnior (Real Madrid) e Raphinha (Barcelona).




