NOTICIÁRIO Quarta-feira, 24 de Junho de 2026, 10:03 - A | A

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CÂMARA SUBJUGADA

Assédio, MTpress e a servidora silenciada: a denúncia que a Câmara de Cuiabá não investiga

Mauro Camargo

Imagem produzida por IA

assédio depoimento

 

Uma denúncia de assédio sexual, assédio moral e improbidade administrativa envolvendo a Prefeitura de Cuiabá está há meses sem investigação efetiva pela Câmara Municipal. O caso foi revelado em depoimento de uma servidora à Comissão Especial da Mulher, do qual a vereadora Maysa Leão (Republicanos) participou, e expõe uma engrenagem que mistura assédio, dinheiro público e omissão institucional. As informações são da entrevista concedida ao Jornal da Cultura (Cultura FM 90.7) aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.

Segundo Maysa, a vítima, que estava gestante à época dos fatos, narrou com "extrema coerência" o que classifica como um modus operandi. "Ela foi assediada sexualmente, assediada moralmente, pediu socorro e ninguém a socorreu. Falou com Ananias (Filho, secretário de Governo), que a acolheu, mas nada aconteceu. Tentou falar com o prefeito Abílio, não conseguiu. Tentou falar com a vereadora Samanta (Iris), primeira-dama, não conseguiu", relatou a parlamentar.

O denunciado, identificado como William Campos (ex-secretário de Trabalho e homem de confiança do prefeito Abílio Brunini), foi exonerado, mas continua circulando livremente — inclusive em carros oficiais da prefeitura e nos corredores da Câmara. Mais grave, segundo Maysa, são os indícios de um esquema financeiro paralelo. A vítima denunciou o recebimento de R$ 10 mil da MTpress, empresa privada de comunicação, para sua conta pessoal.

"Muita gente achou que era um cala-boca, mas ela falou: 'Nunca foi um cala-boca. Aquilo ali era um modus operandi'. A MTpress fez essa transferência para mim e eu tenho indícios de que fez para outras pessoas que trabalham no sétimo andar. Ela disse: 'Eu pagava as lembrancinhas do Dia da Mulher'", detalhou Maysa.

Para a vereadora, a situação envolve assédio sexual, improbidade administrativa e possível desvio de dinheiro público. O prefeito Abílio Brunini, que inicialmente declarou não ter relação com o caso, deveria ser o primeiro interessado em esclarecer os fatos — mas a CPI do Assédio, que a oposição considera a mais urgente das pautas, sequer saiu do papel.



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