NOTICIÁRIO Quinta-feira, 30 de Julho de 2026, 10:09 - A | A

Quinta-feira, 30 de Julho de 2026, 10h:09 - A | A

DIA DECISIVO

Convenções desenham disputa eleitoral em Mato Grosso

Mauro Camargo

Ilustração produzida por IA

Convenções partidárias

 

As convenções partidárias desta quinta-feira (30) poderão definir os rumos da disputa pelo Governo de Mato Grosso, alterar a composição das chapas ao Senado e destravar negociações mantidas até agora pelo MDB, Republicanos e Podemos. Em Cuiabá, União Brasil, Progressistas, PSD, Federação Brasil da Esperança e partidos do campo de centro-esquerda realizam reuniões que combinam obrigações formais do calendário eleitoral com decisões capazes de reorganizar as principais forças políticas do Estado.

O ponto de maior tensão está na convenção estadual do União Brasil, marcada para começar às 11h, no Espaço CDL. Os convencionais terão de decidir se o partido lança a candidatura do senador Jayme Campos ao Governo ou permanece no grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes, apoiando a reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos.

A escolha não se restringe ao destino eleitoral de Jayme. Se o União Brasil aprovar uma candidatura própria, Mato Grosso passará a ter pelo menos quatro chapas competitivas na disputa pelo Palácio Paiaguás: Jayme Campos, Wellington Fagundes, do PL; Otaviano Pivetta, do Republicanos; e Natasha Slhessarenko, do PSD. O novo cenário poderá ampliar a possibilidade de segundo turno e obrigará MDB, Podemos e outros partidos ainda sem alianças homologadas a refazer seus cálculos.

Se prevalecer a posição defendida por Mauro Mendes, a estrutura política e eleitoral do União Brasil poderá ser incorporada à candidatura de Pivetta, fortalecendo o governador e acelerando as negociações para a composição da chapa governista. Nesse caso, o principal ponto de disputa passará a ser a distribuição das vagas de vice-governador e de senador entre os partidos aliados.

União decide futuro de Jayme e Pivetta

A convenção do União Brasil será realizada das 11h às 16h, no Anfiteatro Adão das Flores, anexo à Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá. O edital prevê deliberações sobre a formação de coligação majoritária, escolha dos candidatos ao Governo, vice-governador, Senado e suplências, além das chapas para deputado federal e estadual.

Na prática, entretanto, duas questões dominam a reunião: a candidatura de Jayme Campos ao Governo e a candidatura de Mauro Mendes ao Senado.

Jayme sustenta que o União Brasil, por sua representação política, número de prefeitos, estrutura partidária e presença no Congresso e na Assembleia Legislativa, não deve abrir mão de disputar o Palácio Paiaguás. O senador também trabalha com o argumento de que uma candidatura própria preservaria o protagonismo da legenda e ofereceria aos eleitores uma alternativa dentro do campo de centro-direita.

Mauro Mendes defende a continuidade da aliança que o levou ao Governo em 2018 e 2022 e que tem Pivetta como sucessor. Para esse grupo, a candidatura governista já dispõe de estrutura administrativa, apoio de prefeitos e condições de reunir um arco mais amplo de partidos.

A votação deverá ser secreta. Pelas informações divulgadas sobre o regulamento interno, 51 convencionais estariam aptos a votar, e uma decisão sobre candidatura majoritária dependeria de maioria simples, ou seja, 26 votos, caso todos participem. O grupo de Jayme afirma ter alcançado esse número, enquanto Mauro evita antecipar o posicionamento dos convencionais.

A eventual vitória de uma das posições dentro do União Brasil, contudo, poderá não encerrar a controvérsia. O partido integra, ao lado do Progressistas, a Federação União Progressista. As duas legendas estão obrigadas a atuar de forma conjunta nas eleições e durante os quatro anos seguintes.

Isso significa que uma deliberação estadual do União Brasil não poderá prevalecer isoladamente caso entre em conflito com a decisão do PP ou com as instâncias superiores da federação. O PP realiza convenção também nesta quinta, mas deixou em aberto a definição sobre apoio ao governo, delegando essa competência para a Federação esse assunto. Se o União aprovar Jayme e a Federação defender apoio a Pivetta, o impasse poderá ser transferido para a direção nacional.

PP transfere decisão para federação

O Progressistas marcou sua convenção para as 9h, na sede da Federação União Progressista, em Cuiabá. O partido chegou à reunião sem colocar expressamente na pauta a homologação de uma candidatura ao Governo.

O edital prevê a escolha de candidatos a deputado federal e estadual, a apreciação da candidatura ao Senado e a autorização para que o partido e a federação promovam as adaptações necessárias perante a Justiça Eleitoral. Esse último dispositivo permite que as decisões sobre a chapa majoritária sejam ajustadas posteriormente, conforme o resultado das negociações com o União Brasil.

O PP deverá apresentar o nome da senadora Margareth Buzetti para uma das duas vagas ao Senado. A confirmação cria mais um ponto de negociação na federação porque o União Brasil trabalha para homologar Mauro Mendes ao mesmo cargo. Como Mato Grosso elegerá dois senadores, a federação poderia, em tese, apresentar ambos. Essa solução, porém, dependerá da composição para o Governo e das alianças celebradas com outros partidos.

A chapa proporcional também terá importância estratégica. União Brasil e PP disputarão conjuntamente as vagas de deputado estadual e federal, uma vez que as federações são tratadas pela legislação eleitoral como um só partido. A distribuição das candidaturas, dos recursos eleitorais e do tempo de propaganda precisará considerar a força das duas legendas e seus projetos de eleição das bancadas.

Ao evitar uma decisão definitiva sobre o Governo, o Progressistas preserva espaço para negociar tanto com Jayme quanto com Pivetta. A solução formal deverá sair da instância estadual da Federação União Progressista ou, se não houver consenso, de sua direção nacional.

PSD confirma projeto de Natasha

No outro campo político, o PSD realiza sua convenção a partir das 16h no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. A expectativa é que o partido homologue a candidatura da médica Natasha Slhessarenko ao Governo e a reeleição do senador Carlos Fávaro.

A confirmação de Natasha encerra, em princípio, a movimentação do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro, que reivindicou internamente o direito de disputar a indicação. Embora dirigentes do PSD tenham reconhecido a legitimidade de sua pretensão, a direção estadual decidiu preservar o projeto construído em torno de Natasha. Segundo o deputado Wilson Santos, esse episódio já foi superado e Pinheiro apoiará Natasha na disputa. 

A escolha também atende às posições apresentadas pelos partidos aliados. A pré-candidatura de Emanuel enfrentava resistência especialmente dentro do PT, enquanto Natasha já vinha participando de agendas no interior e construindo interlocução com as legendas que integram o campo de oposição ao atual Governo.

A convenção apreciará ainda as candidaturas do PSD a deputado federal e estadual, as coligações majoritárias e a delegação de poderes à direção partidária para completar ou ajustar a chapa até o prazo permitido pela legislação.

O nome do candidato a vice-governador permanece como uma das decisões mais esperadas. A vaga poderá ser utilizada para ampliar a representação política ou regional da chapa e acomodar um dos partidos aliados. A definição, no entanto, poderá ser delegada às direções partidárias caso o acordo não esteja concluído no momento da votação. Dois nomes já foram colocados para ocupar a vice: o vereador por Rondonópolis Wendel Girotto (PT) e o professor universitário Diogo Botelho (PDT). 

Fávaro deverá ser homologado candidato à reeleição ao Senado. Sua candidatura é o ponto mais consolidado da chapa de centro-esquerda e se apoia na defesa do Governo Lula e na representação dos setores do agronegócio ligados à sua trajetória política.

Federação da esquerda define Senado e proporcionais

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, marcou sua convenção para as 17h, também no Hotel Fazenda Mato Grosso. O encontro deverá aprovar o apoio à candidatura de Natasha, as chapas proporcionais e a participação na aliança que servirá de palanque eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.

A principal questão ainda em discussão é a segunda candidatura ao Senado. O ex-governador Pedro Taques, do PSB, trabalha para integrar a chapa ao lado de Fávaro. Sua entrada ampliaria o peso político e a experiência eleitoral da composição, mas enfrenta a pretensão da professora Patrícia Nogueira, apresentada pelo PCdoB.

A decisão envolve mais do que uma disputa entre dois nomes. A candidatura de Patrícia representaria uma das legendas integrantes da própria Federação Brasil da Esperança e contribuiria para ampliar a participação feminina na chapa majoritária. Pedro Taques, por outro lado, já governou Mato Grosso, exerceu mandato de senador e possui maior grau de conhecimento eleitoral, além de haver um pedido da Nacional para que ele seja o nome escolhido para a segunda vaga, numa articulação feita por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin. 

O PT também participou das discussões sobre a segunda vaga, mas o movimento mais recente da aliança indica a tentativa de construir uma solução entre Taques e Patrícia. Caso não haja consenso, a federação poderá homologar sua posição e manter aberta a negociação com os demais partidos até a formalização definitiva da coligação.

PT, PCdoB e PV deverão ainda definir os candidatos a deputado federal e estadual. Como integram uma federação, as três siglas disputarão as eleições proporcionais em uma única chapa, compartilharão o cálculo dos votos e estarão submetidas às mesmas regras aplicáveis a um partido.

Ato reúne o campo de centro-esquerda

Depois das deliberações internas, PSD, PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede promovem, às 19h, o ato político “Juntos por Mato Grosso”, no Hotel Fazenda Mato Grosso. O encontro deverá apresentar publicamente a chapa e demonstrar unidade em torno de Natasha, Fávaro e das candidaturas que forem definidas para vice-governador e para a segunda vaga ao Senado.

PSOL e Rede também atuam como federação. PSB e PDT, embora permaneçam como partidos autônomos, participam das negociações políticas do bloco. Cada partido ou federação precisa tomar formalmente suas decisões em convenção própria, ainda que as solenidades e a apresentação pública ocorram no mesmo local.

A presença de várias legendas no ato não significa, por si só, que todas as decisões estejam encerradas. Convenções podem delegar às direções partidárias poderes para completar chapas, substituir candidatos e formalizar coligações até os prazos previstos na legislação eleitoral. O evento das 19h deverá revelar, entretanto, o grau de consenso alcançado pelo grupo.

Também será possível medir se a aliança conseguiu superar as divergências em torno do Senado e construir uma chapa completa. A manutenção de duas candidaturas concorrentes dentro do mesmo campo político reduziria a imagem de unidade que os partidos procuram apresentar.

Decisões afetam MDB e Podemos

As convenções desta quinta-feira terão consequências diretas para partidos que só se reunirão nos próximos dias. MDB e Podemos acompanham especialmente o resultado do União Brasil.

A deputada estadual Janaina Riva, do MDB, mantém sua pré-candidatura ao Senado e construiu um compromisso de apoio com o presidente estadual do Podemos, Max Russi. Ao mesmo tempo, Janaina participa de conversas com Pivetta e tem sido mencionada tanto para o Senado quanto para a vaga de vice-governadora.

Se Jayme Campos for homologado candidato ao Governo, poderá surgir a possibilidade de aproximação com o MDB e de formação de uma chapa com Janaina ao Senado. Se o União Brasil apoiar Pivetta, a disputa pelas vagas na chapa governista ficará mais congestionada, com Mauro Mendes, Margareth Buzetti e Janaina buscando espaço na composição majoritária.

O Republicanos também aguarda a convenção para dimensionar o apoio efetivo à reeleição de Pivetta. O governador poderá sair desta quinta-feira fortalecido por uma aliança com a Federação União Progressista ou diante de uma nova candidatura ao Governo liderada por um grupo que até recentemente integrava sua base política.

Por isso, as reuniões desta quinta-feira ultrapassam o rito formal das convenções. Delas poderá surgir tanto uma pulverização da disputa pelo Governo quanto a concentração de forças em três grandes campos: o grupo governista de Pivetta, a candidatura de Wellington Fagundes e a aliança de centro-esquerda liderada por Natasha.

A resposta começará a ser conhecida no Espaço CDL, com os votos do União Brasil, e deverá ganhar contornos mais definidos à noite, no Hotel Fazenda Mato Grosso. Mesmo assim, o quadro eleitoral poderá continuar sujeito a negociações, recursos internos e decisões das direções nacionais até o encerramento do prazo das convenções, em 5 de agosto.

Nota de transparência

Esta reportagem foi produzida a partir de editais de convocação partidária, publicações oficiais, manifestações públicas de dirigentes e pré-candidatos e informações divulgadas por veículos da imprensa de Mato Grosso até a manhã de 30 de julho de 2026. Foram consultados o edital oficial da convenção do União Brasil, publicado no Jornal Oficial da Associação Mato-grossense dos Municípios; as convocações e divulgações do PSD, Progressistas, Federação Brasil da Esperança e demais partidos participantes.

As informações sobre candidaturas, alianças, quóruns e composições indicam o cenário existente antes das votações. As decisões somente se tornam definitivas depois das deliberações partidárias, da formalização das atas e, quando necessário, da apreciação pelas instâncias competentes das federações ou direções nacionais.

O trabalho seguiu os princípios do SEI-NR — Sistema Editorial Inteligente do Nossa República, modelo de governança em desenvolvimento que integra inteligência artificial, protocolos editoriais, checagem, memória institucional e supervisão humana para ampliar rigor, transparência, rastreabilidade, qualidade e eficiência, sem substituir o papel decisório do jornalista.

Documentos e fontes principais consultados: edital oficial da convenção do União Brasil, informações sobre a convenção do Progressistas, disputa e quórum na convenção do União Brasil, agenda das convenções em Mato Grosso e calendário oficial das Eleições 2026.



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Redação: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

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