A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal deu um passo decisivo nesta quarta-feira (11) ao aprovar mais de 20 requerimentos que atingem o coração financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O foco das investigações é a sofisticada rede de lavagem de dinheiro operada na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e as conexões nebulosas envolvendo o Banco Master, de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre as medidas aprovadas estão quebras de sigilos fiscal, bancário e telefônico, além de convocações de figuras-chave. O senador Humberto Costa (PT-PE) justificou as ações apontando que instituições como o Banco Master e a Reag Investimentos são identificadas como braços financeiros da facção criminosa no mercado de capitais.
"A Turma" e a milícia de intimidação
Um dos pontos mais sombrios da investigação é o grupo conhecido como "A Turma". Segundo a CPI, Vorcaro utilizava esse braço de comunicação para monitorar e intimidar adversários e jornalistas. O caso mais grave envolve o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, contra quem o grupo teria discutido simular um assalto para "quebrar todos os seus dentes" após publicações que desagradaram o banqueiro.
A comissão aprovou a quebra de sigilo de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF preso por operar o grupo, e convocou Ana Cláudia Queiroz de Paiva, suspeita de custear as atividades da milícia digital.
Conexões no Banco Central e o esquema de R$ 52 bilhões
A investigação atinge também a cúpula do Banco Central (BC). Foram convocados o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe de Supervisão Bancária Bellini Santana. Relatórios da Polícia Federal indicam que ambos teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro, facilitando a compra do antigo Banco Máxima (hoje Master) e vazando informações sigilosas do BC para municiar o banqueiro.
No epicentro da Operação Carbono Oculto, a CPI mira um esquema que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. O dinheiro ilícito do PCC seria escoado por uma vasta rede de postos de combustíveis e fundos de investimento. Entre os alvos com sigilos quebrados estão:
Roberto Augusto Leme da Silva ("Beto Louco"): apontado como gestor de distribuidoras de combustíveis para a facção.
Francisco Maximiano: dono da Precisa Medicamentos (já investigada na pandemia), cujas empresas teriam sido usadas como veículos de lavagem para o PCC.
Mohamad Hussein Mourad: considerado um dos principais operadores financeiros do esquema.
Uso de aeronaves e autoridades
A CPI também aprovou a quebra de sigilo de empresas ligadas ao Master e solicitou a lista de passageiros de aeronaves particulares. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que há indícios de que altas autoridades da República teriam se utilizado desses aviões para receber "caronas" de aliados de Vorcaro, o que pode configurar tráfico de influência ou favorecimento indevido.
As informações são do jornalista Lucas Pordeus Leon, da Agência Brasil.
FAQ
O que é "A Turma"?
É um grupo de comunicação ligado a Daniel Vorcaro usado para monitorar e intimidar adversários e jornalistas por meio de ameaças e perseguição.
Qual a relação do Banco Master com o PCC?
A CPI investiga se o banco e a Reag Investimentos atuaram como braços financeiros para lavar dinheiro da facção criminosa na Faria Lima.
Como o Banco Central está envolvido?
Ex-diretores são suspeitos de atuar como consultores informais para Vorcaro, facilitando operações bancárias e vazando dados sigilosos do sistema financeiro.
Qual o valor movimentado pelo esquema?
As investigações da Operação Carbono Oculto apontam uma movimentação de R$ 52 bilhões em quatro anos.




