Segundo a Agência Brasil, em reportagem do jornalista Pedro Rafael Vilela, a invasão e depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), em 8 de janeiro de 2023, foi o ponto final de uma sequência de atos iniciada antes e acelerada após as eleições de 2022.
Na tarde de domingo, em Brasília, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas dois meses antes, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, cruzaram um bloqueio policial e entraram nos prédios da Praça dos Três Poderes, com destruição de estruturas e objetos.
A reportagem descreve que, naquele momento, o grupo defendia a ruptura institucional para depor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia tomado posse uma semana antes.
O texto situa o episódio como o marco culminante da chamada “trama golpista”, definida como um conjunto de atos e movimentações que buscavam romper a ordem democrática e manter o grupo bolsonarista no poder.
De acordo com a reportagem, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que levou à condenação de Bolsonaro e aliados no STF aponta que o plano começou a ser esboçado em 2021, após Lula recuperar a elegibilidade.
Segundo a reconstrução apresentada, o núcleo da organização criminosa passou a considerar a afronta e a desobediência a decisões do STF e a defesa da deslegitimação do processo eleitoral em caso de vitória do adversário.
Com a derrota de Bolsonaro em 30 de outubro de 2022, o período entre o fim do segundo turno e 8 de janeiro passou a registrar, segundo a reportagem, episódios de protestos, violência e atos classificados como terroristas.
No resultado da eleição presidencial, Lula venceu com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% de Bolsonaro, em uma disputa apertada.
A reportagem afirma que Bolsonaro demorou dois dias para se manifestar e que sua fala, considerada ambígua, manteve especulações sobre contestação do resultado.
Ainda na noite do segundo turno, grupos de caminhoneiros e apoiadores de Bolsonaro iniciaram bloqueios de rodovias em diversos estados.
O levantamento recorda que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) mapeou, na época, mais de mil interdições totais ou parciais em estradas federais, com pico nos primeiros dias de novembro.
Com o avanço dos bloqueios, Bolsonaro veio a público para pedir a desobstrução das rodovias, em sua primeira manifestação após o resultado, agradecendo os votos e sem parabenizar o adversário pela vitória, conforme a reportagem.
O texto registra que, nos dias seguintes, os bloqueios perderam força e foram encerrados ainda no fim da primeira semana de novembro.
Na sequência, apoiadores passaram a montar acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas, em capitais e em cidades do interior, pedindo intervenção militar e questionando a legitimidade das eleições.
A reportagem aponta mais de 100 acampamentos, incluindo o instalado em frente ao Quartel-General (QG) do Exército, em Brasília, apontado como o principal ponto de partida de manifestantes que depredaram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro.
Segundo a denúncia da PGR citada no texto, os acampamentos tiveram aval direto do então presidente e seriam usados como justificativa para uma eventual intervenção.
A reportagem afirma que uma das provas mencionadas na denúncia seria a nota dos comandantes das três forças autorizando a permanência das pessoas em frente aos quartéis por ordem de Jair Bolsonaro.
Com a estrutura dos acampamentos, o movimento manteve logística de alimentação e alojamento, e a apuração informa que a sustentação desses espaços foi objeto de processos no STF, que condenaram envolvidos nas montagens.
Ao longo de novembro e início de dezembro, a reportagem cita a tensão nos acampamentos, a recusa em reconhecer a derrota e uma ação do PL no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para invalidar votos de parte das urnas eletrônicas.
Em 12 de dezembro, data da diplomação de Lula no TSE, a reportagem relata uma noite de violência em Brasília, com tentativa de invasão da sede da Polícia Federal (PF) e protesto que fechou áreas da região central, além do incêndio de veículos.
Em 24 de dezembro, véspera de Natal, a reportagem descreve que o motorista de um caminhão-tanque percebeu um artefato explosivo nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília e acionou policiais, no que foi tratado como tentativa de atentado a bomba organizada por apoiadores ligados ao acampamento do QG do Exército.
Segundo o texto, o explosivo falhou e a explosão não ocorreu; dois envolvidos foram condenados pela Justiça do Distrito Federal em 2023 por crimes de explosão, incêndio e posse de arma de fogo.
A reportagem informa que, ao fim do ano passado, George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza tornaram-se réus no STF por associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e atentado contra a segurança de transporte aéreo.
Após os episódios de dezembro, as autoridades montaram um esquema de segurança para a posse de Lula em 1º de janeiro de 2023, que ocorreu sem registros de incidentes, segundo a reconstrução.
Uma semana depois, em 8 de janeiro, ocorreu a invasão aos prédios públicos, apontada pela reportagem como o desfecho do período iniciado após o segundo turno.
A reportagem também registra que, três anos após os atos, são realizados eventos de memória institucional, com cerimônia no Palácio do Planalto, com Lula e autoridades, e programação no STF dentro da campanha “Democracia Inabalada”.





