Em janeiro de 2019, Mato Grosso começou uma guinada que o governo estadual apresenta como decisiva para mudar o rumo das contas públicas e, depois, dos investimentos. Segundo dados publicados em revista digital de balanço da gestão, produzido pela Seco sob o comando da jornalista Laíce Souza, o Estado herdou R$ 3,6 bilhões em dívidas, acumulava atrasos salariais, tinha 11 mil fornecedores sem receber e enfrentava perda de credibilidade para investir. A resposta, diz o governo, foi um pacote de medidas aprovado com a Assembleia Legislativa ainda no início daquela gestão, com reforma administrativa, controle de despesas, novo Fethab, reinstituição de incentivos fiscais e uma nova Lei de Responsabilidade Fiscal.
A leitura oficial é de que o ajuste permitiu equilibrar receita e despesa e criar espaço para investimento contínuo em todas as áreas. O governo afirma que o efeito mais visível dessa reorganização aparece na infraestrutura. Até dezembro deste ano, a estimativa é de entrega de 7 mil quilômetros de asfalto novo, além de recuperação de rodovias já pavimentadas e substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto. O Estado também destaca a concessão da BR-163 e a entrega de 230 quilômetros duplicados, apontando a obra como uma das mais relevantes da logística regional.
Outro eixo central do balanço é a parceria com os municípios. Desde 2019, segundo a publicação, foram firmados R$ 4,5 bilhões em convênios com as 142 cidades mato-grossenses, em obras de infraestrutura e ações em saúde, educação, assistência social e outras áreas. A lógica apresentada pelo governo é a de que o ajuste fiscal do Executivo acabou se traduzindo em capacidade de repasse e investimento na ponta, onde a população sente mais rapidamente o resultado.
Na saúde, o governo sustenta que retomou obras históricas e ampliou a rede pública com a reabertura e modernização da Santa Casa e a conclusão do Hospital Central, paralisado por décadas. A gestão também cita a construção de outros hospitais na capital e no interior, além da promessa de fortalecer a assistência em regiões mais distantes. O discurso oficial é o de que a rede passou a ganhar escala depois de anos de obras paradas e promessas acumuladas.
Na segurança pública, a revista de balanço afirma que o Estado hoje opera com melhor estrutura de armamento e tecnologia para combater facções criminosas. O texto também associa a política de segurança à contenção de invasões de terra e à presença mais forte do Estado em áreas conflagradas. A narrativa é de endurecimento institucional, combinando investimentos em inteligência, equipamentos e presença operacional.
A educação aparece como outro vetor de transformação. O governo diz que Mato Grosso saltou da 22ª para a 8ª posição nacional e passou a oferecer escolas novas ou reformadas, uniformes e material didático. A mensagem é a de que o Estado saiu de uma condição de atraso para um patamar de competição nacional, com indicadores mais favoráveis e maior presença do poder público nas unidades escolares.
No campo social, a gestão destaca o programa SER Família, que recebeu R$ 1,5 bilhão em investimentos. A proposta, segundo o balanço, é atender famílias em situação de vulnerabilidade com ações de proteção, transferência de renda e apoio para acesso à moradia. O governo também inclui nesse conjunto iniciativas em cultura e esporte, afirmando que os recursos deixaram de ser concentrados e passaram a alcançar diferentes regiões do Estado.
O conjunto da obra é apresentado como uma virada de página: de um Estado quebrado para uma administração com contas em dia, nota A+ no Tesouro Nacional e capacidade de investimento. Essa é a tese central da publicação institucional: o ajuste fiscal como ponto de partida para a expansão da política pública. A mensagem, em tom de vitrine administrativa, busca consolidar a imagem de Mato Grosso como um estado que deixou a instabilidade para entrar em uma fase de crescimento sustentado.





