NOTICIÁRIO Terça-feira, 23 de Junho de 2026, 21:20 - A | A

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FIM DO MISTÉRIO

Em discurso emocionado, ex-primeira-dama oficializa pré-candidatura à Câmara Federal

Mauro Camargo

"Eu demorei tanto para responder porque eu precisava de uma mensagem de Deus." Foi assim que Virgínia Mendes começou o discurso no qual sacramentou seu projeto de disputar uma vaga à Câmara Federal pelo União Brasil. Em discurso de mais de 20 minutos, a ex-primeira-dama do Estado revelou detalhes íntimos de sua trajetória - da adoção à infância de privações, do reencontro com o marido aos 20 anos ao transplante renal que os uniu definitivamente. Além da pré-candidatura de Virgínia, também foi oficializada a intenção de Mauro Mendes em concorrer a uma das duas vagas ao Senado Federal. 

"Talvez vocês conheçam a Virgínia que foi primeira-dama de Cuiabá, talvez vocês conheçam a Virgínia, esposa do Mauro Mendes, como primeira-dama do Estado. Hoje eu queria falar um pouquinho de mim, da Virgínia, aquela antes do Mauro", disse ao abrir o coração para apoiadores, prefeitos, secretários e lideranças políticas presentes.

A infância trancada e o "príncipe encantado"

Virgínia revelou que é filha adotiva e passou a infância trancada dentro de casa. "Minha mãe tinha muito medo que a minha família voltasse para me pegar. Ela me trancava dentro de casa enquanto trabalhava. Eu cresci sem amigos, ficava olhando minhas amigas brincando na rua e eu ficava dentro de casa olhando pela janela."

Foi dessa janela que ela viu Mauro Mendes pela primeira vez, quando tinha 12 anos e ele 20. Ele estava em estágio no Rio da Casca, comunidade pertencente à Chapada dos Guimarães, para onde a família de Virgínia se mudara com medo de que a mãe biológica a reivindicasse. "Ele pegou o cachorrinho, colocou na coleira e escreveu: 'Te amo e volto pra te buscar'. Isso durou oito anos."

O reencontro aconteceu quando Virgínia voltou a Cuiabá para fazer faculdade e foi trabalhar no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). Mauro era engenheiro e denunciou o presidente do Conselho por irregularidades, o que o tornou persona non grata pela gestão. Aqueles que tivessem contato com ele poderiam ser punidos.  "Ele tinha a capacidade de ir lá, me levar uns docinhos, me entregava pela janela. Eu, desesperada com medo." Os dois terminaram seus respectivos namoros, começaram a namorar, casaram e tiveram três filhos.

O transplante que selou a união

O momento de maior emoção veio quando Virgínia contou sobre o transplante renal. Ela precisava de um rim e, contra todas as probabilidades, Mauro era compatível. "É muito difícil um parente ser compatível, imagine um marido que não tem o seu sangue. E Deus nos uniu. Ele foi compatível e na mesma hora falou: 'Eu te dou'. Ele fez o teste despretensioso, achando que seria para explicar às pessoas como era o exame."

A cirurgia foi marcada por complicações. Na retirada dos rins de Virgínia, foi necessário remover também o baço, e ela perdeu muito sangue, precisando de transfusão. Isso exigiu a repetição de todos os exames. "Os médicos não contavam com essa situação. Demorou mais 15, quase 30 dias, e o teste saiu: ele era compatível mesmo eu tendo tomado sangue."

O marido brinca até hoje: "Ele fala que eu fiquei com um chip, se olhar para o lado, tomo choque", disse Virgínia entre risos.

Do voluntariado à política

Virgínia fez questão de marcar a diferença entre ser voluntária e ser candidata pela primeira vez. "Confesso que é assustador, mas eu estou com muita coragem. Eu estou com Deus no meu coração."

Ela atribuiu a decisão a uma mensagem divina. "Eu demorei tanto para responder porque eu precisava de uma mensagem de Deus. Eu pedi muito para que Deus me desse essa mensagem, porque eu sempre fui voluntária. É diferente você ser voluntária e você se candidatar a um cargo."

O programa Ser Família, criado por ela como primeira-dama do Estado, foi o centro de sua atuação social. Ela relembrou o desafio lançado pelo marido: "Você não vai conseguir, é muito difícil construir casa. Ele me desafiou. Nós estamos entregando 60 mil casas." Ela agradeceu aos secretários, prefeitos e primeiras-damas que a apoiaram.

As bandeiras da pré-candidatura

Virgínia elencou as causas que pretende defender na Câmara Federal, se eleita. "Quero muito poder trabalhar e ajudar as mulheres. A gente precisa ter leis mais fortes, mais severas, leis realmente rigorosas para que protejam as nossas mulheres."

Ela também destacou o trabalho com os povos indígenas. "Eu sou madrinha dos indígenas com muito orgulho. Fui a primeira-dama a pisar numa aldeia. E eu amo ir para a aldeia, me chama para ir que eu amo."

Outro ponto de orgulho foi sua atuação no lixão de Cuiabá. "Fui a primeira-dama a pisar no lixão. Eu não tenho como separar: se eu estou num evento, se eu estou no lixão, para mim todo mundo é igual. O respeito tem que ser o mesmo."

Virgínia encerrou com um pedido de oração e uma declaração de disponibilidade. "Se for a vontade de Deus, a vontade do povo, eu coloco meu nome disponível para vocês."



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