Na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, forças militares dos Estados Unidos invadiram Caracas, a capital da Venezuela, e prenderam o presidente daquele País, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para uma prisão em Nova Iorque. A ação, descrita como "brilhante" pelo ex-presidente americano Donald Trump, marcou o ápice de uma escalada de tensões que vinha se arrastando há meses entre Washington e Caracas, motivada pela acusação de "narcoterrorismo" contra Maduro e pela persistente campanha de pressão para desestabilizar seu regime. Este movimento audacioso, executado com rapidez e sigilo, provoca uma onda de condenação internacional e promete reconfigurar as relações diplomáticas e a estabilidade na América Latina, desencadeando uma crise global de proporções inéditas.
A captura de Nicolás Maduro não foi um raio em céu azul, mas o clímax de uma tensa e prolongada escalada militar e diplomática entre os Estados Unidos e a Venezuela. Desde o início de 2025, o governo americano, sob o segundo mandato de Donald Trump, havia intensificado drasticamente sua campanha contra o regime de Maduro, acusando-o de envolvimento com o narcotráfico e de minar a democracia na região.
Ao longo do ano passado, foram registrados mais de 30 ataques aéreos e navais contra alvos próximos à costa venezuelana, resultando em mais de 100 mortes em operações que visavam embarcações suspeitas de tráfico de drogas. Essas ações, muitas vezes realizadas sem a autorização explícita do Congresso americano, geraram críticas internas e questionamentos sobre sua legalidade e legitimidade.
Paralelamente à ação militar, os EUA haviam oferecido uma recompensa de US$ 50 milhões pela captura de Maduro, uma medida que o colocava diretamente na mira de Washington. Sanções econômicas severas, apreensões de petroleiros venezuelanos e até um ataque de drone da CIA em território venezuelano, conforme noticiado por veículos como o The New York Times, completavam o quadro de pressão máxima. Em dezembro de 2025, Trump havia emitido um alerta público a Maduro, elevando ainda mais a temperatura diplomática. O cenário era de uma panela de pressão prestes a explodir, com o acúmulo de confrontos e ameaças criando um clima de escalada militar sem precedentes na região. A comunidade internacional, incluindo a ONU e países vizinhos, observava com crescente preocupação, emitindo protestos e apelos por contenção que, evidentemente, não foram ouvidos.
A captura e o anúncio chocante
O sábado, 3 de janeiro de 2026, começou com um anúncio que reverberaria por todo o globo. Às 4h00 (horário local), o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para proclamar: "As forças americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa". Trump descreveu a operação como "brilhante" e elogiou as "ótimas tropas" envolvidas, repetindo em uma entrevista telefônica ao The New York Times que se tratava de um "grande sucesso". Os perfis oficiais da Casa Branca republicana rapidamente ecoaram o comunicado, amplificando a notícia.
Quase que simultaneamente ao anúncio, relatos de atividades militares intensas começaram a surgir de Caracas. Explosões foram ouvidas e aviões de combate foram avistados sobrevoando a capital venezuelana. O governo venezuelano, por meio de sua vice-presidente Delcy Rodríguez, reagiu, acusando os EUA de terem atacado instalações civis e militares dentro da Venezuela. Em cadeia nacional, Rodríguez exigiu uma "prova de vida" de Maduro, embora o anúncio de Trump já tivesse dissipado as dúvidas sobre seu paradeiro. A declaração oficial bolivariana, no entanto, negou qualquer rendição, tratando o episódio como um ato de agressão estrangeira.
A manhã de sábado viu Trump marcar uma coletiva de imprensa em seu resort em Mar-a-Lago, Flórida, para detalhar a operação. Enquanto isso, no Capitólio, senadores americanos, incluindo os republicanos Mike Lee e Lindsey Graham, expressavam ceticismo e levantavam dúvidas sobre a legalidade de um ataque sem aprovação prévia do Congresso. A divisão política em Washington, mesmo diante de uma ação de tamanha envergadura, era destacada pela imprensa americana.
Onda de condenação internacional
A notícia da captura de Nicolás Maduro e a forma como a operação foi conduzida provocaram uma onda de condenação quase unânime por parte da comunidade internacional. Líderes mundiais, diplomatas e organismos supranacionais expressaram choque e preocupação com a violação da soberania venezuelana e as implicações para a estabilidade global.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos primeiros e mais veementes a se manifestar. Em nota oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula classificou os bombardeios e a captura de Maduro como "uma linha inaceitável de ação que atenta contra o direito internacional e a soberania dos povos". O presidente brasileiro reforçou a posição histórica do país em defesa da autodeterminação e da não-intervenção, alertando para os riscos de uma escalada sem precedentes na América do Sul. "O Brasil não pode e não irá compactuar com atos que desestabilizam a paz e a ordem mundial, especialmente em nossa própria vizinhança", declarou Lula.
O México, por sua vez, reafirmou seu compromisso com a paz na região e alertou que tal operação poderia desestabilizar todo o continente latino-americano, em um comunicado divulgado pela Secretaria de Relações Exteriores. A China, em uma declaração do seu Ministério das Relações Exteriores, expressou-se "chocada" com o uso da força e pediu o respeito à Carta da ONU. A França, através de seu Ministério das Relações Exteriores, acusou os EUA de violar o direito internacional e ressaltou que "mudanças políticas sustentáveis não se dão por imposições externas, mas sim por processos democráticos internos". A chefe de Diplomacia da União Europeia, a estoniana Kaja Kallas, embora reconhecendo que Maduro "carecia de legitimidade democrática", enfatizou a obrigação de todos os Estados de respeitar a Carta das Nações Unidas e os princípios da soberania.
Apenas o presidente argentino Javier Milei, conhecido por sua postura alinhada aos EUA, saudou a captura como uma "vitória da liberdade sobre a tirania", em uma declaração que destoou do coro de condenação. Analistas políticos já apontavam que o incidente acentuava o debate global sobre soberania nacional, o alcance da intervenção americana na América Latina e o futuro das relações internacionais. A repercussão, portanto, não foi apenas uma questão de alinhamento ideológico, mas um profundo questionamento sobre as bases do Direito Internacional e a convivência pacífica entre as nações.
Um novo paradigma geopolítico
A captura de Nicolás Maduro e sua esposa desencadeia uma série de implicações legais, políticas e geopolíticas que redefinem o cenário internacional. Juristas e especialistas em Direito Internacional rapidamente apontaram que uma invasão militar sem o aval do Congresso americano, como a que parece ter ocorrido, feriria a Constituição dos EUA e seria considerada um ato de guerra contra outro país. Internacionalmente, ataques militares são geralmente aceitáveis apenas em legítima defesa ou com um mandato explícito da ONU, condições que não foram apresentadas pelos Estados Unidos.
A prisão forçada de um chefe de Estado estrangeiro por uma potência externa é uma violação flagrante da soberania nacional, um princípio basilar do direito internacional. Países europeus e latino-americanos, em suas declarações, sublinharam essa transgressão. Por outro lado, porta-vozes dos EUA, como o Secretário de Estado, tentaram justificar a ação como parte do combate ao tráfico de drogas em larga escala, uma ameaça à segurança regional. No entanto, críticos argumentam que tal ação unilateral, sem precedentes na história recente, pode abrir um perigoso caminho para uma grave crise política, diplomática e humanitária.
A remoção de Nicolás Maduro do poder, seja qual for a justificativa, abre um vácuo de poder na Venezuela e levanta inúmeras questões sobre o futuro do país e da região. Quem assumirá o comando em Caracas? Haverá uma transição democrática ou um período de caos e disputa interna? A oposição venezuelana, fragmentada por anos, conseguirá se unir e apresentar um projeto de país?
A comunidade internacional, agora, se vê diante de um dilema complexo. Se, por um lado, muitos países viam o regime de Maduro como uma ditadura e uma ameaça à democracia, por outro, a forma como sua remoção foi orquestrada pelos EUA levanta sérias preocupações sobre o respeito à soberania e ao direito internacional. A legitimidade de qualquer governo que venha a ascender ao poder na Venezuela após essa intervenção será questionada por uma parcela significativa da comunidade global.
Além disso, a ação americana pode ter um efeito dominó em outras nações da América Latina, reacendendo o temor de intervenções externas e fortalecendo discursos anti-imperialistas. A relação entre os Estados Unidos e a região, já marcada por altos e baixos, pode entrar em uma nova fase de desconfiança e polarização.





