NOTICIÁRIO Segunda-feira, 09 de Março de 2026, 08:41 - A | A

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POLÍTICA E PODER

União Progressista em MT nasce com disputa interna pelo controle do estado

Mauro Camargo

A União Progressista, federação formada pela fusão do União Brasil com o Partido Progressistas (PP), começa sua trajetória em Mato Grosso com uma queda de braço interna que pode definir o futuro político do estado. De um lado, o governador Mauro Mendes apoia a candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás. De outro, o senador Jayme Campos reivindica o direito de disputar o governo pela própria federação — e ganhou fôlego com o fortalecimento do senador Davi Alcolumbre (União-AP) no comando nacional da sigla.

O cenário expõe uma fratura estratégica que vai além de nomes: é uma disputa pelo modelo de poder e pela hegemonia política em Mato Grosso.

Nacionalmente, a União Progressista é liderada de forma compartilhada por Antonio Rueda (presidente do União Brasil) e Ciro Nogueira (presidente do PP). A federação foi registrada no TSE em 19 de agosto de 2025, tem validade de quatro anos e representa a maior bancada do Congresso: 109 deputados federais e 15 senadores — cerca de 20% do Parlamento. O fortalecimento de Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional, mudou o equilíbrio interno. Ele é identificado como fiador político da candidatura própria da federação em estados estratégicos — incluindo Mato Grosso.

Em Mato Grosso, a federação opera com três polos de poder. O primeiro é liderado por Mauro Mendes, governador e presidente estadual do União Brasil, que anunciou que deixará o governo em 31 de março de 2026 para se dedicar à campanha ao Senado. Ao seu lado, Júlio Campos, deputado estadual e vice-presidente da ALMT, articula as chapas proporcionais. A estratégia de Mauro é clara: não lançar candidato próprio ao governo para concentrar forças na eleição de senador e nas chapas proporcionais, mantendo o controle político do estado através de Pivetta.

O segundo polo é comandado por Jayme Campos, senador e irmão de Júlio. Liderança histórica do grupo, reivindica a candidatura própria ao governo pela federação. Em entrevista, foi direto: "Dificilmente eu recuo da minha candidatura". Propõe uma consulta ou pesquisa entre filiados para decidir se a federação lança candidato próprio. A tese é que uma candidatura ao governo puxa voto de legenda, fortalece as chapas proporcionais e evita que o eleitorado se disperse para outras legendas. Na pesquisa Percent Brasil de fevereiro, Jayme aparece com 15% no cenário estimulado, tecnicamente empatado com Pivetta (14%). Wellington Fagundes (PL) lidera com 25%. Sem Jayme na disputa, Pivetta cai para 15,1% e Wellington sobe para 28,8% — o que reforça o argumento do grupo.

O terceiro polo é do PP, liderado por Nilson Leitão, presidente estadual do partido e pré-candidato a deputado federal. Desde fevereiro, percorre cidades do interior para fortalecer a federação. Margareth Buzetti, senadora pelo PP, foi oficializada como pré-candidata ao Senado em março de 2026 e deve compor a chapa majoritária da federação, possivelmente em conjunto com Mauro Mendes. Paulo Araújo, deputado estadual reeleito com 24.551 votos, atua na articulação parlamentar. O PP tem papel decisivo: pode ser o fiador da unidade ou o pivô da ruptura, dependendo de como a disputa entre Mauro e Jayme for resolvida.

O conflito central é este: Mauro apoia Pivetta (Republicanos) para o governo, enquanto Jayme quer ser o candidato da própria federação. Mauro argumenta que o União Brasil lucra mais eleitoralmente se não lançar candidato ao governo. Jayme rebate que sem candidatura própria a federação perde protagonismo político no estado e enfraquece o arrasto sobre as chapas.

O impasse é agravado por dois fatores: o fortalecimento de Alcolumbre, que pode pressionar pela candidatura de Jayme, e a pesquisa eleitoral, que mostra que Jayme tem votação real e pode alterar a engenharia da disputa. Otaviano Pivetta, por sua vez, não é filiado à União Progressista — é do Republicanos. Isso cria um desequilíbrio: a federação abriria mão de lançar candidato próprio para apoiar um aliado externo.

Mauro Mendes afirmou que Jayme tem "liberdade para buscar apoio nacional" se quiser disputar o governo. Reconheceu a articulação de Alcolumbre, mas reforçou que o grupo mantém como prioridade a candidatura de Pivetta. Jayme, por sua vez, disse que "não muda de partido" e vai propor uma consulta plebiscitária aos filiados. Criticou que "um pequeno grupo quer decidir o futuro de Mato Grosso como se fosse uma empresa". Nilson Leitão (PP) oficializou Margareth Buzetti como pré-candidata ao Senado e tenta ser o fiador da unidade. Pivetta tem se mantido discreto, mas já afirmou que a composição para 2026 "ainda é cedo" para ser definida.

Cenários possíveis

Acordo interno — Mauro e Jayme negociam: Jayme aceita não disputar o governo em troca de garantias políticas, como a chefia da campanha de Mauro ao Senado, cargos no futuro governo Pivetta e espaço nas chapas proporcionais. A federação lança Mauro e Margareth Buzetti ao Senado e apoia Pivetta ao governo.

Ruptura de Jayme — O senador deixa o União Brasil e disputa o governo por outra legenda — possivelmente o PSB, que tem o presidente da ALMT, Max Russi, como aliado. Cenário que fracionaria o voto da base governista e abriria espaço para o avanço de Wellington Fagundes (PL).

Ruptura de Mauro — O governador deixa o União Brasil e se filia a outro partido para viabilizar a candidatura de Pivetta. Cenário menos provável, pois Mauro é o presidente estadual da sigla e tem controle sobre a máquina.

Filiação de Pivetta à federação — Pivetta deixa o Republicanos e filia-se à União Progressista para compor chapa com Jayme ou com um nome de consenso. Exigiria negociação complexa, pois Pivetta teria que abrir mão de sua base no Republicanos.

Aliança externa — A União Progressista formaliza apoio a Pivetta sem filiação, mantendo a aliança com o Republicanos. Jayme disputa o governo por outra legenda ou aceita o acordo interno.

Análises políticas indicam que, sem acordo, Jayme e Mauro tendem a se afundar nas urnas. Considerados os dois únicos líderes políticos do estado com poder político e financeiro e mandato eletivo, uma ruptura interna dispersaria o voto da base e abriria caminho para o avanço de Wellington Fagundes (PL), que lidera as pesquisas. A pesquisa Percent Brasil mostra que 64,5% dos eleitores ainda não sabem em quem votar ou se declaram indecisos — espaço para crescimento de quem entrar forte na disputa, mas também para fragmentação se a federação se dividir.

 



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