NOTICIÁRIO Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 10:55 - A | A

Quarta-feira, 04 de Março de 2026, 10h:55 - A | A

STF E PF

Mendonça manda prender dono do Banco Master e cita esquema contra jornalistas

Da Redação com ABr

A prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi determinada nesta quarta-feira (4) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Na decisão, Mendonça afirma que as investigações indicam a existência de uma estrutura voltada à vigilância e intimidação de pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo, incluindo jornalistas, além de apontar suspeitas de acesso a sistemas sigilosos e risco de interferência na apuração.

Segundo a PF, esta fase investiga “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”. De acordo com a corporação, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais. A PF informou ainda que as investigações contaram com apoio do Banco Central do Brasil.

Além das prisões e buscas, o STF determinou o afastamento de cargos públicos de alguns investigados e sequestro e bloqueio de bens no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos do grupo e preservar valores potencialmente ligados às práticas ilícitas sob apuração.

“A Turma”: monitoramento, coação e intimidação

Na decisão citada pelas investigações, Mendonça descreve a existência de um núcleo chamado “A Turma”, apontado como dedicado ao monitoramento e à coleta de informações de interesse do grupo, além de atos de coação e intimidação. Segundo o ministro, os alvos incluíam concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.

Um dos presos é Fabiano Zettel, descrito como cunhado de Vorcaro e uma espécie de “contador informal” do grupo, responsável por pagamentos e cobranças. Segundo as investigações, seria Zettel quem realizava pagamentos para “A Turma”.

Outro alvo com prisão decretada é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado em mensagens como Felipe Mourão e apelidado de “Sicário”. Segundo Mendonça, ele seria “responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”. A decisão cita que, conforme a investigação, ele recebia pagamentos mensais de R$ 1 milhão.

Também integra o grupo, segundo a decisão, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, alvo de mandado de prisão preventiva. De acordo com as apurações, ele atuava na obtenção de informações e dados sensíveis, valendo-se de experiência e contatos da carreira, além de vigiar alvos escolhidos por Vorcaro.

Mensagens citam agressão contra jornalista, diz ministro

Mendonça destacou o que chamou de “dinâmica violenta” do grupo e citou mensagens trocadas entre Vorcaro e Mourão sobre um jornalista que teria publicado notícia contrária aos interesses do banqueiro.

Na manhã desta quarta-feira (4), o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou publicamente que seria o alvo das conversas citadas na decisão. Segundo o trecho descrito, Vorcaro teria dito: “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, e Mourão teria respondido: “Vou fazer isto”.

Em outro diálogo relatado na decisão, Vorcaro teria afirmado: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, referindo-se ao jornalista. Na sequência, Mourão teria perguntado: “Pode? Vou olhar isso”, e Vorcaro teria confirmado: “Sim”.

De acordo com o ministro, “a partir de todos esses diálogos” haveria fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto — ou simulasse cenário semelhante — para agredir o jornalista e, com isso, “calar a voz da imprensa” que publicasse conteúdos contrários aos interesses privados do grupo.

Interlocução com servidores do Banco Central

A decisão também aponta que Vorcaro mantinha interlocução próxima com dois servidores que ocupavam posições estratégicas no Banco Central (BC) e que, segundo Mendonça, atuavam como “uma espécie de empregado/consultor”, fornecendo informações privilegiadas.

Os citados são o ex-diretor de fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana, de acordo com o texto que fundamenta a ordem de prisão.

Ainda segundo o ministro, os indícios sugerem risco concreto de interferência nas investigações, incluindo a possibilidade de acesso a sistemas sigilosos do próprio Ministério Público e da PF, o que, na avaliação do relator, ampliaria a urgência de medidas cautelares.

PGR contestou urgência; Mendonça cita risco a cidadãos, jornalista e autoridades

O caso também expôs divergência institucional. Segundo as informações citadas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra as medidas solicitadas pela PF, que teriam sido apresentadas em 27 de fevereiro. Mendonça deu prazo de 72 horas para parecer do órgão acusador, mas a PGR teria afirmado ser impossível cumprir o prazo e disse não ver “perigo iminente” que justificasse uma análise tão rápida.

Em resposta, segundo o texto da decisão, Mendonça lamentou que a PGR não tenha identificado urgência “diante da concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas”.

Maior fraude financeira já vista, diz investigação; FGC estima ressarcimentos acima de R$ 50 bilhões

De acordo com as investigações citadas na decisão, o caso envolvendo o Banco Master pode representar a maior fraude financeira já praticada no país. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC), segundo o texto, estima que os ressarcimentos a clientes prejudicados devem ultrapassar R$ 50 bilhões.

O processo chegou ao STF, segundo o material, após surgirem indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado. Ainda assim, até o momento não há pessoas com foro no STF entre os investigados.

A primeira ordem de prisão de Vorcaro havia sido determinada ainda em novembro pelo então relator Dias Toffoli, mas posteriormente foi substituída por tornozeleira eletrônica. A prisão desta quarta-feira (4) é apresentada como a primeira decisão de Mendonça no caso após assumir a relatoria.

Crimes apurados e medidas para travar ativos

Oficialmente, a PF informou investigar crimes como:  crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de justiça.

A PF afirmou que o bloqueio e sequestro de bens até R$ 22 bilhões busca interromper movimentação de ativos e preservar valores potencialmente vinculados às práticas investigadas.

As informações são do jornalista Felipe Pontes, da Agência Brasil.

 

 

FAQ

Por que André Mendonça determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro?

Segundo o ministro, há risco concreto de interferência nas investigações e possibilidade de prevenir condutas ilícitas, inclusive contra a integridade física e moral de cidadãos e de jornalista.

Quem é “A Turma” citada na decisão do STF?

De acordo com Mendonça, é uma estrutura para monitorar, coletar informações e intimidar alvos do interesse do grupo investigado, incluindo concorrentes, ex-empregados e jornalistas.

Qual o impacto financeiro estimado no caso do Banco Master?

Segundo o texto, o FGC estima que ressarcimentos a clientes prejudicados podem superar R$ 50 bilhões, e o STF determinou bloqueio de bens até R$ 22 bilhões.

Quais crimes a PF diz investigar na Operação Compliance Zero?

Segundo a PF, há apuração de crimes contra o sistema financeiro, corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo, fraude processual e obstrução de justiça.

 



Comente esta notícia

Nossa República é editado pela Newspaper Reporter Comunicação Eireli Ltda, com sede fiscal
na Av. F, 344, Sala 301, Jardim Aclimação, Cuiabá. Distribuição de Conteúdo: Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Nova Brasilândia e Primavera do Leste, CEP 78050-242

Redação: Avenida Rio da Casca, 525, Bom Clima, Chapada dos Guimarães (MT) Comercial: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

[email protected]/[email protected]

icon-facebook-red.png icon-youtube-red.png icon-instagram-red.png icon-twitter-white.png