A Assembleia Legislativa de Mato Grosso vota, na tarde desta quarta-feira (21), o projeto da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos. Em entrevista à Rádio Cultura, o deputado Lúdio Cabral (PT) manifestou expectativa positiva sobre a apreciação da matéria, destacando a mobilização das categorias e o diálogo com os parlamentares para a aprovação de um índice superior ao proposto pelo Executivo.
A proposta central de Cabral consiste na apresentação de uma emenda que adiciona 4,92% ao índice de 4,26% sugerido pelo governo estadual. Segundo o parlamentar, o objetivo é iniciar a quitação de uma dívida histórica que acumula 19,52% de perdas salariais nos últimos sete anos, conforme estudos técnicos realizados pelo Dieese.
O deputado fundamenta a viabilidade financeira do reajuste no excesso de arrecadação do Estado, estimado em mais de R$ 10 bilhões para o exercício de 2026. “Estou propondo utilizar dez por cento desse valor, um bilhão de reais, a partir do dia primeiro de maio, após o primeiro quadrimestre”, explicou o parlamentar durante a entrevista matinal.
Sobre os questionamentos de inconstitucionalidade levantados pela base governista, Cabral argumentou que a emenda é legal por indicar a fonte de custeio. “Quando uma emenda de um deputado gera despesa, ele precisa apresentar a receita de onde virá o recurso. Fazendo isso, a emenda é constitucional, legal e regimental”, afirmou.
A estratégia legislativa adotada foi a criação de um artigo novo no projeto, em vez de alterar o texto original enviado pelo Palácio Paiaguás. De acordo com o deputado, essa medida visa evitar que um eventual veto governamental atinja o índice básico da inflação, preservando o direito contido na mensagem oficial.
O parlamentar destacou a situação dos servidores aposentados, que enfrentam perdas superiores devido à taxação previdenciária de 14%. “Vinte por cento de perda inflacionária acumulada em sete anos não é pouca coisa. É você hoje receber oitenta por cento do que recebia sete anos atrás”, pontuou Cabral ao descrever o impacto no poder de compra.
No campo político, Lúdio Cabral defendeu a construção de uma aliança ampla em Mato Grosso para apoiar a reeleição do presidente Lula em 2026. Ele citou a convergência com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), e a pré-candidatura de Natasha Slhessarenko ao governo do Estado como elementos dessa articulação.
Sobre a configuração da chapa majoritária, o deputado sugeriu que a segunda vaga ao Senado seja ocupada por uma mulher do campo progressista. Ele enfatizou que Natasha, embora tenha perfil de centro, representará o projeto federal no estado, atuando como um palanque para a atual gestão nacional.
Questionado sobre a possibilidade de disputar uma vaga no Senado, Cabral reafirmou sua intenção de buscar a reeleição para a Assembleia Legislativa. O parlamentar definiu seu projeto como coletivo, focado em manter a atuação no Legislativo estadual e acompanhar as próximas disputas no âmbito municipal.
A votação da RGA está prevista para iniciar às 15h desta quarta-feira. O deputado acredita que, caso a matéria seja aprovada e sancionada ainda esta semana, haverá tempo hábil para a inclusão dos valores na folha de pagamento de janeiro, garantindo a recomposição imediata aos servidores.





