A eleição presidencial de 2026 será decidida menos por quem o eleitor quer votar e mais por quem ele rejeita. Os números das principais pesquisas nacionais — Datafolha (BR-09956/2026) e BTG/Nexus (BR-06645/2026) — revelam um quadro consistente: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) caminham para a reta final com um teto eleitoral definido pela rejeição que cada um carrega. A diferença está em onde essa rejeição se concentra.
O Datafolha de 20 de junho (BR-09956/2026) aponta empate técnico na rejeição nacional: 48% não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, contra 46% de Lula. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro de dois pontos.
O BTG/Nexus de 15 de junho (BR-06645/2026) mostra uma vantagem maior de Flávio na rejeição: 52% contra 47% de Lula — cinco pontos de diferença, a maior da série histórica do instituto.
Os números de cada instituto variam pela metodologia — o Datafolha entrevista presencialmente em domicílios; o BTG/Nexus utiliza telefone (CATI) —, mas a tendência é a mesma: quase metade do eleitorado já decidiu que não vota em nenhum dos dois.
Por região: o mapa da rejeição
O recorte regional do BTG/Nexus é o mais revelador. No Nordeste, principal reduto eleitoral de Lula, a rejeição ao petista é de apenas 31% contra 64% de Flávio, mais que o dobro. O senador do PL enfrenta no Nordeste o mesmo problema que Lula enfrenta no Sul, Norte e Centro-Oeste, onde a rejeição ao presidente oscila entre 53% e 55%.
O dado mais estratégico está no Sudeste, que concentra 40% do eleitorado nacional. Lula e Flávio estão tecnicamente empatados: 52% contra 50%, diferença de dois pontos dentro da margem de erro de dois pontos. "Diante de tetos tão claros, quem demonstrar maior capacidade de dialogar com os moderados e reduzir essa barreira de resistência no Sudeste dará um passo gigantesco para inclinar a balança nacional", afirmou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, à coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.
Mulheres rejeitam mais Flávio; homens, mais Lula
O BTG/Nexus também traz o recorte por sexo: Rejeição a Lula: 53% entre homens, 41% entre mulheres. Rejeição a Flávio: 48% entre homens, 56% entre mulheres.
Flávio Bolsonaro é mais rejeitado por mulheres do que por homens, uma diferença de oito pontos. O dado é consistente com pesquisas qualitativas que mostram maior resistência do eleitorado feminino ao discurso mais agressivo do bolsonarismo e à associação com escândalos de corrupção.
Lula, por sua vez, sofre rejeição majoritária entre homens 53%, mas tem na preferência feminina um colchão de proteção.
Série histórica: duas curvas, duas metodologias
A rejeição de Lula variou pouco ao longo de 2026, oscilando dentro da margem de erro. Já a rejeição a Flávio Bolsonaro subiu de forma consistente a partir de maio. Mas é preciso cautela metodológica: os dois principais institutos que medem rejeição — Datafolha e BTG/Nexus — utilizam metodologias distintas, e seus números não devem ser ligados na mesma linha de tendência.
Datafolha (presencial domiciliar):
Período Lula Flávio
Março 46% 45%
Abril 48% 46%
Maio 47% 43%
Junho 46% 48%
BTG/Nexus (telefone CATI):
Período Lula Flávio
Maio 47% 50%
Junho 47% 52%
Dentro da série do Datafolha, a rejeição a Flávio oscilou de 45% (março) para 48% (junho) — uma variação dentro da margem, mas que coincide temporalmente com a revelação das conversas do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Já na série do BTG/Nexus, que começou a medir a rejeição dos dois candidatos apenas em maio, a rejeição a Flávio subiu de 50% para 52% — também dentro da margem, mas mantendo-se consistentemente acima da de Lula (47%).
O importante é que, em ambos os institutos, a rejeição de Lula se manteve estável. A de Flávio — medida por cada instituto dentro de sua própria metodologia — apresenta tendência de alta.







