O Ministério Público de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (30) a Operação Emenda Oculta, que apura um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares envolvendo o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) e o irmão, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União). Os mandados foram cumpridos pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) em endereços ligados aos parlamentares, servidores públicos e particulares.
Segundo as investigações, recursos de emendas destinadas a institutos e organizações sociais teriam sido desviados após alterações de objeto, fracionamento de valores e repasses que não correspondiam à execução real dos projetos. Parte do dinheiro teria retornado indevidamente por meio de intermediários. A operação é um desdobramento direto da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil em janeiro, que identificou movimentações semelhantes na Câmara Municipal.
Documentos e vídeos fazem parte do material analisado pelos investigadores. Uma gravação, considerada peça-chave pelo MPE, mostra o que seria a entrega de dinheiro relacionado ao esquema. Os institutos beneficiados pelas emendas teriam recebido valores acima do necessário e devolvido parte do montante a agentes públicos.
Na ação desta quinta-feira, o Naco recolheu celulares, computadores e documentos físicos, buscando rastrear a origem dos repasses e o destino final das verbas. As suspeitas incluem peculato, corrupção, associação criminosa e improbidade administrativa.
Elizeu Nascimento está em seu segundo mandato e concentra grande volume de emendas na área social. O vereador Cezinha também direcionou recursos a institutos que já estavam sendo monitorados pela Polícia Civil na investigação anterior. Em 2024, alterações de objeto e fragmentações sucessivas das emendas levantaram alerta de possíveis irregularidades, segundo relatórios anexados aos autos.
Até o momento, não há mandados de prisão. Os parlamentares não se pronunciaram detalhadamente sobre a operação. A assessoria de Elizeu informou que o deputado “tomou conhecimento apenas pela manhã” e deve divulgar nota oficial. O MPE afirma que a investigação está em curso e novas medidas não estão descartadas.
A operação amplia o cerco sobre o uso de emendas parlamentares em Mato Grosso, tema já marcado por denúncias envolvendo fracionamento indevido, direcionamento e baixa capacidade de fiscalização das entidades contratadas. O Naco afirma que a apuração busca garantir transparência e rastreabilidade no uso de recursos públicos destinados à assistência social.
As informações são do MPMT/Naco




