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CÂMARA DE CUIABÁ

Pesquisadora analisa atuação da mesa diretora feminina

Da Redação

A pesquisadora em comportamento humano e neurociência aplicada, Karol Garcia, avaliou o desempenho da primeira mesa diretora exclusivamente feminina da Câmara Municipal de Cuiabá em entrevista ao Jornal da Cultura (Rádio Cultura 90.7), nesta quarta-feira (21). A mentora de líderes analisou os desdobramentos políticos um ano após a eleição de oito vereadoras e a composição de um comando totalmente feminino no Legislativo.

Para a especialista, o resultado prático da composição atual, sob o ponto de vista da efetividade, é nulo. “Absolutamente nada. A ação de marketing é muito bonita, mas a efetividade disso ao longo de um ano não foi vista”, afirmou Garcia. Ela pontuou que, após o período inicial de ajuste e acomodação da nova gestão, as expectativas de independência e pautas específicas não se concretizaram.

A pesquisadora destacou que a independência do Legislativo diante do Executivo foi o ponto que menos avançou no período. Segundo Garcia, o posicionamento anunciado no início de 2025 não se sustentou. “A mulher chega para continuar submissa, para continuar subserviente? O voto e a questão do inédito não sustentam a liderança. O mais difícil é o permanecer e se sustentar”, questionou.

Garcia observou que a falta de uma representatividade coesa enquanto grupo prejudica a imagem da liderança feminina. Ela ressaltou que, embora cada parlamentar conduza seu mandato individualmente, a mesa diretora deixou a desejar na representação que a sociedade esperava. “Infelizmente não se viu uma representatividade como se esperava e isso ecoa na urna”, avaliou.

A análise apontou que a ausência de resultados práticos pode fortalecer discursos contrários à ocupação de espaços por mulheres. A pesquisadora argumentou que, quando um grupo não sustenta o que propôs perante a sociedade, acaba fornecendo argumentos para a oposição. “Você não enfraquece o discurso de quem chegou, você fortalece do outro lado”, explicou.

Sobre a composição da mesa, Garcia mencionou a ligação direta de integrantes com a gestão do prefeito Abílio Brunini. Ela citou os vínculos familiares e políticos da presidente Paula Kalil e da vereadora Michelle Alencar com o Executivo. Segundo a pesquisadora, essa relação de proximidade pode ter influenciado a percepção de subserviência do Parlamento.

A mentora notou um movimento de desvinculação individual por parte de algumas vereadoras. “Acredito que essa ruptura até março vai ser muito grande. Não digo de briga, mas uma tentativa de desvincular a imagem porque viram que, enquanto grupo, não se comunicam ou alinham”, afirmou. Ela citou a vereadora Maisa Leão como exemplo de parlamentar que buscou uma linha de enfrentamento em momentos específicos.

A pesquisadora enfatizou que a mesa diretora possui um papel que vai além do administrativo, sendo fundamentalmente político e de comunicação pública. “A identidade enquanto política vai se perdendo. Não basta ter posicionamento, tem que ter a presença que te sustenta”, disse Garcia, reforçando que a coerência entre fala e ação é o que o eleitor busca atualmente.

Garcia defendeu que a representatividade feminina deve ser pautada pela qualidade e pelo contexto, e não apenas pelo gênero. Ela comparou a situação da Câmara com a atuação da deputada Janaína Riva, única mulher na Assembleia Legislativa, para ilustrar a necessidade de uma presença política ativa e independente.

A entrevista também abordou o impacto das redes sociais na construção da reputação política. Para a especialista, o público está saturado de conteúdos sem profundidade. “As pessoas estão em busca de coerência. O Instagram é uma ferramenta incontestável, mas as pessoas já estão cansadas. A coerência entre o que eu falo e o que eu faço é o que importa”, pontuou.

Ao analisar o comportamento político, Garcia utilizou conceitos da neurociência para explicar que a comunicação é predominantemente emocional. Ela citou o recente episódio envolvendo a senadora Margareth Buzetti e o prefeito Abílio em uma reunião técnica. Para a pesquisadora, reações emocionais em momentos de tensão podem comprometer a postura e a presença de autoridade.

A especialista alertou para o risco de parlamentares se atrelarem excessivamente a gestões executivas que priorizam a polarização em detrimento da resolução de problemas. Segundo ela, essa estratégia de "lacração" pode gerar desgaste eleitoral a longo prazo. “Isso constrói a reputação e vai reverberar na urna. Parece que não veem um vínculo com o futuro”, afirmou.

Garcia encerrou a participação sugerindo que as parlamentares ainda possuem tempo para reverter a percepção pública neste segundo ano de mandato. Ela recomendou uma avaliação sobre o custo político de ocupar tais cargos e a importância de valorizar o espaço conquistado. “Nós mulheres queremos representatividade, sim, mas com qualidade, contexto e inteligência”, concluiu.

A pesquisadora reforçou que a cultura política precisa mudar e que a população está atenta às entregas reais. Para ela, a grande lição da mesa cem por cento feminina é que o gênero, isoladamente, não garante a efetividade de um projeto político. A análise final indicou que a presença feminina no poder é necessária, mas deve vir acompanhada de autonomia e resultados tangíveis.



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