A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (8), a Operação Gemini, elevando a temperatura da crise institucional que atinge o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O principal alvo político da ação é o deputado estadual Faissal Calil (PL), apontado pelos investigadores como peça-chave na ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro para o desembargador afastado Dirceu dos Santos.
Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Faissal, no bairro Jardim Shangri-Lá, e em seu gabinete na Assembleia Legislativa (ALMT). A investigação sustenta que o deputado atuava como "laranja", utilizando sua estrutura financeira para dar aparência de legalidade a valores que seriam fruto da comercialização de decisões judiciais.
O elo com Dirceu dos Santos
O desembargador Dirceu dos Santos, da 3ª Câmara de Direito Privado, já é um nome central em escândalos recentes no Judiciário. Ele foi afastado preventivamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em março deste ano, após a Corregedoria Nacional identificar uma movimentação patrimonial de R$ 14 milhões em apenas cinco anos — valor considerado incompatível com seus rendimentos oficiais.
A PF agora aprofunda a tese de que Dirceu utilizava uma rede de apoio, incluindo o deputado Faissal e o advogado Bruno Oliveira Castro, para operacionalizar o recebimento de propinas. Em um dos casos citados na investigação anterior do CNJ, o magistrado foi suspeito de receber R$ 250 mil para beneficiar uma parte em um processo de disputa de terras. Com a Operação Gemini, a PF busca provas de que essa "venda" era sistêmica e contava com o auxílio direto do parlamentar.
Defesa e Reações
Ao deixar sua casa após a operação, Faissal Calil negou as acusações. "Estou muito tranquilo. Quem não deve, não teme. A Polícia Federal está fazendo o papel dela e eu estou à disposição para esclarecer tudo", afirmou. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou, por meio de nota, que colabora integralmente com as investigações e que o afastamento de magistrados segue os ritos determinados pelo CNJ.
O Histórico do "Mercado de Sentenças" em MT
O Judiciário de Mato Grosso tem enfrentado uma série de operações que miram a conduta de seus magistrados nas últimas décadas:
Operação Asafe (2010): Uma das maiores da história do estado, desarticulou um esquema de venda de decisões no TJMT e no TRE-MT, resultando na condenação e aposentadoria compulsória de desembargadores e juízes.
Caso Círio Miotto (2012): O juiz substituto de 2º grau foi acusado de negociar liminares em favor de traficantes e criminosos de colarinho branco.
Operação Polygraphos (2024/2025): Investigou o vazamento de informações e a manipulação de sorteios de relatores para garantir que processos caíssem nas mãos de magistrados "compráveis".
Operação Scutum (2025): Mirou o juiz Ivan Amarante, de Vila Rica, também por suspeita de venda de sentenças e ligação com grupos de extermínio.






