NOTICIÁRIO Quarta-feira, 29 de Julho de 2026, 08:59 - A | A

Quarta-feira, 29 de Julho de 2026, 08h:59 - A | A

GOVERNO 2026 - PARTE 1

Pivetta adia decisão sobre vice, abre diálogo com Janaina e afirma: "Vou dar um jeito"

Mauro Camargo

Rádio Cultura FM

Otaviano Pivetta e Michely Figueiredo

 

A poucos dias das convenções partidárias que definirão definitivamente o tabuleiro político de Mato Grosso, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) confirmou que ainda mantém abertas as negociações para a composição de sua chapa à reeleição, reconheceu conversas com o MDB da deputada estadual Janaína Riva, afirmou que pretende utilizar até o último dia do prazo legal para definir o candidato a vice-governador e a segunda vaga ao Senado e garantiu que disputará o Governo do Estado independentemente do desfecho das articulações envolvendo União Brasil, Progressistas e demais partidos aliados.

Em entrevista de aproximadamente 50 minutos concedida à jornalista Michely Figueiredo, no Jornal da Cultura (Cultura FM 90.7), na manhã desta quarta, 29,  Pivetta também respondeu às críticas do senador Wellington Fagundes (PL), negou qualquer tentativa de inviabilizar candidaturas adversárias, revelou bastidores das negociações nacionais entre Republicanos e PL, descartou qualquer veto explícito do ex-governador Mauro Mendes à participação de Janaína Riva na chapa governista e afirmou que sua principal credencial eleitoral será o legado administrativo construído desde 2019.

Ao longo da entrevista, o governador ainda abordou temas administrativos considerados estratégicos, como a recuperação do abastecimento de água em Várzea Grande, a implantação do novo sistema do BRT, a Ferrovia Senador Vicente Vuolo, a MT-030, o Portão do Inferno, a revisão da Lei do Transporte Zero, a situação fiscal do Estado e os riscos econômicos associados à previsão de um novo episódio de Super El Niño.

Sucessão estadual entra na reta decisiva

Pivetta deixou claro que considera precipitada qualquer definição antes da realização das convenções partidárias ainda pendentes.

Segundo ele, o cenário político permanece aberto e somente será consolidado após a conclusão das negociações conduzidas pelos partidos aliados.

Sobre a aproximação com o MDB, o governador confirmou que as conversas começaram recentemente.

Embora reconheça a importância eleitoral de Janaína Riva, evitou antecipar qualquer compromisso.

Afirmou que a deputada apresentou seu nome para disputar o Senado e que essa pretensão faz parte das conversas atualmente em andamento.

"A conversa sobre a aliança com o MDB começou há poucos dias. A decisão final eu tomo até o dia 4 de agosto, na nossa convenção."

Segundo o governador, utilizar todo o prazo disponível reduz o risco de erros políticos em uma eleição considerada uma das mais complexas dos últimos anos.

Vice, Senado e alianças continuam indefinidos

Pivetta afirmou estar conversando com diversos partidos e lideranças antes de fechar a composição da chapa.

Ele evitou indicar preferência tanto para a vaga de vice quanto para a segunda candidatura ao Senado.

A estratégia, segundo explicou, consiste em construir uma composição baseada na continuidade administrativa e não apenas na conveniência eleitoral.

Em uma das declarações mais significativas da entrevista, afirmou que pretende escolher parceiros capazes de dar continuidade ao atual modelo de gestão.

Segundo ele, a experiência como prefeito de Lucas do Rio Verde o ensinou que sucessores podem aperfeiçoar governos bem avaliados.

"O que vem depois precisa ser melhor", resumiu.

Para Pivetta, a sucessão não deve representar ruptura, mas evolução do atual ciclo administrativo iniciado em 2019.

Janaína Riva recebe elogios públicos

Questionado diretamente sobre Janaína Riva, Pivetta fez questão de registrar respeito político pela parlamentar.

Disse manter boa relação com a deputada há vários anos e elogiou sua capacidade de articulação.

Segundo ele, embora ainda não tenham discutido especificamente uma eventual composição eleitoral, ambos já mantiveram conversas recentes.

Ao descrever Janaína, destacou sua competência política e sua atuação junto aos municípios.

As declarações contrastam com o ambiente de tensão que marcou, nos últimos anos, a relação entre a deputada e o ex-governador Mauro Mendes.

Mauro Mendes continua influente

Outro momento relevante ocorreu quando Michely Figueiredo questionou se Mauro Mendes teria vetado Janaína Riva na composição governista.

Pivetta respondeu objetivamente: "Não. Ele nunca falou isso."

Ao mesmo tempo, ressaltou que qualquer decisão estratégica necessariamente levará em consideração a parceria construída com Mauro Mendes ao longo dos últimos 16 anos.

Segundo ele, a relação política entre ambos sempre foi baseada em confiança, afinidade administrativa e resultados.

Pivetta lembrou que acompanha Mauro Mendes desde a eleição de 2010 e afirmou que não pretende romper essa trajetória.

A declaração indica que, embora negue um veto formal, Mauro Mendes permanece como um dos principais atores na construção da chapa governista.

União Brasil segue sendo peça-chave

Questionado sobre o cenário caso o União Brasil confirme a candidatura de Jayme Campos ao Governo do Estado, Pivetta respondeu de forma direta: "Vou dar um jeito."

Segundo ele, sua candidatura já possui sustentação política suficiente para disputar a eleição.

O governador destacou que conta com o apoio formal do Republicanos e de outras legendas aliadas.

Mesmo assim, reconheceu que o resultado das convenções do União Brasil será determinante para a definição das últimas peças da composição majoritária.

Conforme afirmou, somente após essas definições será possível concluir a escolha do vice e da segunda vaga ao Senado.

Resposta a Wellington Fagundes

Pivetta também respondeu às acusações feitas pelo senador Wellington Fagundes, que afirmou existir uma articulação nacional destinada a reduzir o número de candidaturas ao Governo de Mato Grosso. O governador classificou as críticas como "muito papo furado".

De acordo Pivetta, o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, realmente discutia contrapartidas estaduais em troca de eventual apoio nacional à candidatura presidencial do PL. Entretanto, afirmou ter solicitado pessoalmente que Mato Grosso fosse retirado dessas negociações.

"Liguei para o Marcos Pereira e pedi que desconsiderasse Mato Grosso porque aqui nós resolveríamos a situação."

 Desde então o Estado deixou de integrar as negociações nacionais entre as duas legendas. A declaração procura afastar a tese de interferência externa na disputa estadual.

Segundo turno deixa de ser hipótese remota

Pela primeira vez desde o início da pré-campanha, Pivetta tratou com naturalidade a possibilidade de uma eleição em dois turnos.

Ao contrário de minimizar o cenário, afirmou que considera o segundo turno uma consequência normal da democracia.

Para ele, cada eleição possui características próprias e não há motivo para preocupação caso o pleito seja decidido apenas na etapa final.

"Sou do fazimento"

Nos minutos finais da entrevista, Pivetta fez um longo relato sobre sua trajetória empresarial e política. Explicou que decidiu ingressar na vida pública apenas depois de consolidar sua atividade empresarial. Afirma ter entrado na política por gratidão ao Estado e não por necessidade pessoal.

Também afirmou que sempre priorizou resultados administrativos em detrimento da exposição pública. Lembrou que permaneceu sete anos como vice-governador praticamente sem aparecer politicamente porque entendia que sua missão era produzir resultados.

"O único poder que me interessa é o poder de fazer."

Na sequência, reforçou que é do "fazimento."

A expressão sintetiza o discurso que deverá orientar sua campanha à reeleição: a defesa de uma administração baseada em obras, investimentos e indicadores econômicos como principal argumento perante o eleitorado.

Continua na Parte 2, com os temas administrativos da entrevista: abastecimento de água em Várzea Grande, BRT, MT-030, Portão do Inferno, Ferrovia Vicente Vuolo, Transporte Zero, RGA, Super El Niño, Nota de Transparência e Pacote SEO.

NOTA DE TRANSPARÊNCIA

Esta reportagem foi produzida a partir da entrevista concedida pelo governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), à jornalista Michely Figueiredo, durante o Jornal da Cultura, da Cultura FM 90.7.edição desta quarta-feira, 29/07/2026. O conteúdo foi elaborado com base na transcrição integral da entrevista, reorganizado segundo critérios de relevância jornalística, preservando a fidelidade das declarações, eliminando repetições inerentes ao formato radiofônico e contextualizando os principais temas abordados.

Esta primeira parte concentra-se exclusivamente nas declarações relativas ao cenário político-eleitoral, às articulações partidárias e às estratégias para as eleições estaduais de 2026. A segunda parte aborda os temas administrativos tratados pelo governador durante a entrevista.

A reportagem foi produzida segundo os princípios editoriais do Sistema Editorial Inteligente do Nossa República, modelo de governança editorial em desenvolvimento que integra inteligência artificial, protocolos de checagem, memória institucional, rastreabilidade das informações e supervisão humana permanente. O sistema tem por objetivo ampliar o rigor, a transparência, a qualidade e a eficiência do processo jornalístico, sem substituir a responsabilidade editorial e decisória do jornalista.



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Redação: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

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