O Partido Liberal (PL), que detém a maior bancada no Congresso Nacional e uma das maiores em Mato Grosso, atravessa seu momento de maior desgaste institucional. O que antes era uma legenda de aluguel pragmática transformou-se, sob a liderança de Valdemar da Costa Neto e a influência de Jair Bolsonaro, em um território onde a política e o Código Penal se cruzam diariamente.
A cúpula condenada
No topo da pirâmide, o maior líder da sigla, Jair Bolsonaro, tornou-se o primeiro ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado. A sentença de 27 anos e três meses de prisão, imposta pela Primeira Turma do STF em setembro de 2025, detalha crimes de organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Atualmente em prisão domiciliar por razões de saúde, Bolsonaro luta para manter sua influência enquanto tenta recursos judiciais desesperados.
Já o presidente nacional, Valdemar da Costa Neto, é o veterano das cortes. Com condenação histórica no Mensalão e investigações reabertas em 2025 por suspeita de participação na trama golpista de 2023, Valdemar personifica a resiliência de políticos que utilizam a máquina partidária como escudo.
O reflexo em Mato Grosso: o caso Faissal Calil
A contaminação da sigla não poupa o diretório regional. A recente Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal, colocou o deputado estadual Faissal Calil (PL) no centro de um esquema de corrupção judiciária. Acusado de atuar como "laranja" do desembargador afastado Dirceu dos Santos, Faissal é a face local de um partido que parece atrair — ou produzir — protagonistas de páginas policiais.
Uma bancada sob investigação
O problema é sistêmico. Dados recentes apontam que um em cada cinco deputados federais do PL responde a algum tipo de investigação ou processo criminal. Entre as acusações mais comuns estão:
Crimes Eleitorais: Uso indevido de fundo partidário e candidaturas laranja.
Corrupção e Lavagem: Esquemas de desvio em prefeituras e órgãos federais.
Atentados à Democracia: Financiamento e incitação de atos antidemocráticos.
Ao se transformar em um "abrigo", o PL coloca em xeque a representatividade de seus milhões de eleitores, que veem a pauta conservadora ser frequentemente atropelada por mandados de busca e apreensão.
As informações são do Nossa República, com dados do STF, TSE e Polícia Federal.






