O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (CRECI-MT), Claudecir Contreiras, criticou duramente o aumento do Imposto Sobre Serviços (ISS) em Cuiabá durante entrevista ao Jornal da Cultura. Ele contestou a afirmação do prefeito Abílio Brunini de que não haveria aumento de impostos, apontando que a mudança da alíquota de 3% para 5% representa um acréscimo real de 67%. As informações são da entrevista concedida aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.
"Como que não tá aumentando imposto? De três para cinco por cento são sessenta e sete por cento", questionou Contreiras, referindo-se à declaração do prefeito. O dirigente destacou que o impacto afetará diretamente os 4.700 corretores pessoa física que atuam no município, além de empresários do setor. Segundo ele, mesmo transações modestas serão significativamente impactadas: "Eu ganho duzentos reais, dez por cento de taxa de administração. Eu não vou mais recolher seis reais, vou recolher cinco por cento dos duzentos que é dez reais".
Contreiras rebateu as acusações do prefeito de que estaria usando o CRECI como palanque político. "Ele tá me atacando dizendo que eu tô usando o Creci como palanque eleitoral. E eu estou apenas defendendo as razões", afirmou. O presidente lembrou que votou em Abílio no segundo turno e, portanto, tem "mais direito e obrigação" de cobrar o cumprimento das promessas de campanha, entre elas a de não aumentar impostos.
Entenda o contexto
A discussão ocorre em meio à revisão da planta genérica de valores do IPTU em Cuiabá, que estabeleceu limite de aumento de 20% para 2026. Contreiras criticou a forma como a Câmara Municipal aprovou a medida: "A Câmara não votou o IPTU. A Câmara votou uma autorização pra ele aumentar". Ele alertou que o limitador só vale se o contribuinte não atrasar o pagamento: "Qualquer tipo de atraso, você vai dobrar o valor que você devia".
O presidente do CRECI também expressou preocupação com o impacto na atratividade da cidade para investimentos. "Cuiabá perde muito com isso. O empreendedor é um bicho desconfiado. E se ele tem um ambiente mais seguro pra ir, ele vai", afirmou, citando o exemplo de Sinop, onde, segundo ele, os empresários são melhor recebidos na prefeitura.
Sobre a possibilidade de concorrer às eleições, Contreiras não descartou a hipótese: "Se o setor produtivo, que está órfão, querer e a família concordar, é óbvio que eu não vou me furtar a isso". Ele destacou sua atuação em projetos de lei em âmbito federal, incluindo proposta para criminalizar o exercício ilegal de profissões regulamentadas.
Ao final da entrevista, Contreiras reafirmou que o CRECI não é oposição ao prefeito, mas defende o setor: "O que a gente quer é que ele não aumente impostos e não fique ameaçando com entrevistas aí de IPTU com quarenta, trinta e vinte, classificando entre pobres, ricos e mais ou menos".





