A eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá se transformou no principal fator de paralisia do Legislativo municipal. O que deveria ser uma definição regimental se converteu num tabuleiro de alianças voláteis, datas conflitantes e uma base governista que, segundo a vereadora Maysa Leão (Republicanos), "está derretendo". As informações são da entrevista concedida ao Jornal da Cultura (Cultura FM 90.7) pelos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.
O imbróglio começou quando 27 dos 27 vereadores se reuniram e concordaram com uma data — 1º de outubro — para a realização da eleição, antes do pleito municipal, para evitar que o resultado das urnas contaminasse a disputa interna. O acordo, no entanto, durou horas. "Conseguimos, aprovamos em reunião colegiada e eles simplesmente não aceitaram", relatou Maysa.
Hoje, três datas estão em jogo. O regimento atual prevê 25 de agosto. A vereadora Maysa Leão apresentou projeto de resolução para 1º de outubro. O vereador Mário Nadaf propôs 5 de novembro. Nenhuma das propostas alternativas reúne os 18 votos necessários para aprovação. O impasse torna o cenário mais provável a eleição em 25 de agosto, conforme o regimento — ainda que sob risco de judicialização.
A foto da noite anterior, em que Paula Calil reuniu um grupo com Dilemário Alencar e Baixinha Geraldelli como alternativa de chapa, revela mais fragilidade do que força, na avaliação de Maysa. "Ali não tem presidente, porque Paula ainda não pode se candidatar. Precisa de 18 votos, e eu não acredito que esses 18 votos sejam possíveis. E Dilemário como substituto não é um consenso daqueles que estão na foto", disse.
Para a vereadora, o ambiente na Câmara se tornou "inóspito" para a tramitação de qualquer outro projeto. "A discussão só permeia em torno deste assunto. Qualquer outro projeto é afetado."
A crise da base governista, segundo Maysa, tem nome e endereço: o prefeito Abílio Brunini. "A base se sente muito desprestigiada. Projetos de vereadores estão sendo vetados sem razão jurídica. Indicações deles, quando aconteciam, o prefeito dava o crédito para outra pessoa. Eles cansaram."






